Protestos de jogadores fazem 'noite histórica' por mudanças no futebol brasileiro

Jogadores
que atuaram em todas as sete partidas da noite de ontem (12) pelo
Campeonato Brasileiro da série A fizeram protestos simbólicos bastante
semelhantes entre si, num sinal claro de organização e disposição para
debater melhores condições gerais para o esporte mais popular do país.
Integrantes do grupo de jogadores chamado Bom Senso F.C. classificaram a
data como "histórica".
Os atletas entraram em campo carregando
faixas e, após o apito inicial dos árbitros, rolaram a bola para, em
seguida, cruzar os braços e ficar por alguns segundos parados. O ato
pretendeu pressionar a CBF a convocar uma ampla negociação com os
jogadores sobre as reivindicações da categoria – que inclui mudanças no
calendário de todas as divisões do futebol profissional.
Em Itu,
no interior paulista, onde jogaram São Paulo e Flamengo, o árbitro
Alício Pena Júnior alertou que puniria todos os atletas que cruzassem os
braços – a orientação ao árbitro foi dada pelo
representante da CBF no
local. A alternativa encontrada pelos jogadores foi fazer a bola rolar
trocando passes longos de um lado a outro do campo por quase um minuto.
Um
dos integrantes do Bom Senso, o zagueiro do Corinthians Paulo André
disse que a noite de ontem marcou as primeiras de uma série de
manifestações até que a CBF decida abrir as negociações com os
jogadores, incluindo as emissoras de TV nas discussões. O atleta também
disse que novos protestos devem ocorrer nos três jogos de hoje à noite
que completam a rodada da Série A e nas partidas que abrem mais uma
rodada da Série B, nesta sexta-feira (15).
"É um dia histórico
para o futebol brasileiro. A Série B também vai ter protestos na
sexta-feira. Agora a gente aguarda uma resposta da CBF", afirmou Paulo
André. O zagueiro continuou: "Fomos claros no nosso comunicado e
proposta. Sabemos que ano que vem é de sacrifícios, porque tem a Copa do
Mundo. Mas se a CBF não assinalar mudanças para 2015, dificilmente a
gente inicia o ano. É o que a gente disse em nota oficial. Vamos
aumentar as manifestações à medida que não tivermos respostas",
continuou.
O meia Elias, do Flamengo, criticou a tentativa da CBF
de punir os que cruzassem os braços e deixou clara a intenção de
ampliar o movimento. "Absurdo querer punir os 22 jogadores. Estamos
dizendo claramente 'a ditadura acabou'." Outro líder do Bom Senso, o
goleiro Rogério Ceni, do São Paulo, reforçou a necessidade de o futebol
nacional mudar e disse esperar que o movimento não chegue ao ponto de
uma greve .
"Nós queremos ser atendidos. O Brasil, como um todo,
para sem o futebol. Para que vamos deixar chegar ao ponto de termos de
fazer uma greve. Todos queremos o melhor para nós, para a imprensa, para
as emissoras e, principalmente para o torcedor.", afirmou o camisa 1
são paulino.
Na base
Paulo André ressaltou que o Bom
Senso não busca apenas ampliar o período de pré-temporada e reduzir o
número de competições envolvendo os grandes times, mas principalmente
criar melhores condições para os clubes menores, que jogam de três a
quatro meses por ano.
"A gente exige um campeonato melhor, com
menor número de jogos dos grandes, mas é fundamental aumentar do número
de jogos dos times pequenos. Os atletas destas equipes ganham muito mal,
passam aperto para receber seus salários, vivem quase como boias frias.
As mudanças que queremos não é só férias e pré-temporada. Para existir
uma boa Série A, tem de criar condições para os clubes pequenos também."
Rogério
Ceni reforçou: "Não estamos reivindicando salários. É para melhorar o
futebol como um todo. A gente quer ser compreensivo com o ano de 2014,
por causa da Copa. O que a gente não quer é um ano de 2015 só de
palavras. Há a necessidade de fazer um calendário muito melhor. Com mais
atletas empregados durante o ano todo, já que as equipes pequenas jogam
poucos meses por ano".
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