Impostometro

sábado, 3 de agosto de 2013

Senado votará três mudanças no Imposto de Renda na próxima semana

Senado votará três mudanças no Imposto de Renda na próxima semana

Projetos pretendem elevar a idade dos dependentes, colocar políticos na malha fina e ampliar a dedução do imposto a empresas que contratam portadores de deficiência


 
Idade máxima dos dependentes pode passar de 21 para 28 anos
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal pode votar na próxima terça-feira (06) três projetos que mudam as regras do Imposto de Renda: o primeiro aumenta a idade dos dependentes; o segundo permite que empresas empregadoras de pessoas com deficiência deduzam o imposto; e o terceiro coloca todos os políticos eleitos autoamticamente na "malha fina" da Receita Federal.
Dependentes mais velhos
O projeto de lei 145/2008, do ex-senador Neuto de Conto, amplia de 21 para 28 anos a idade dos dependentes declarados para fins de dedução no Imposto de Renda. O autor justifica no texto que é necessário adequar a legislação à realidade, já que hoje o jovem é obrigado a estender sua vida acadêmica e, em consequência, a retardar seu ingresso no mercado de trabalho.
Aprovado na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), o projeto foi questionado pelo senador Benedito de Lira (PP-AL), relator na CAE. Ele observa que o projeto exige que o contribuinte tenha a guarda legal do dependente. "É juridicamente impossível deter a guarda de alguém maior de dezoito anos" explica. Ele apresentou emenda para exigir do contribuinte apenas que comprove que detinha a guarda do dependente quando menor e também a dependência econômica ininterrupta.
Pessoas com deficiência
O projeto 391/2012 reduz de 15% para 13% a alíquota do Imposto de Renda para empresas que tiverem 10% de seu quadro composto por pessoas com deficiência. O relator na CAE, senador Sérgio Souza, apresentou voto contrário à proposta.
Para ele, embora “altamente meritório”, o projeto concede um benefício fiscal “elevado e desproporcional ao objetivo de incentivar as empresas a contratarem mais pessoas portadoras de deficiências”. Segundo Souza, a vantagem fiscal incentiva fraudes, “em face da dificuldade de fiscalização da correta aplicação do dispositivo proposto”.
Malha Fina
A comissão também pode analisar, em decisão terminativa, o projeto de lei 99/2009, que prevê a inclusão automática e obrigatória de políticos com mandato conquistado na chamada "malha fina", o regime mais rigoroso da Receita Federal para o exame das declarações dos contribuintes.
Para o autor da proposta, senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o regime deve ser aplicado aos políticos porque eles estão investidos da função de administradores de bens coletivos e dispõem de poderes que, na ausência de controles, podem ser usados indevidamente.
O voto do relator, senador Eduardo Suplicy (PT-SP), é favorável ao texto, em desacordo com o parecer da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). Nesse colegiado, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ), o relator, considerou a proposta inconstitucional por reservar aos "agentes públicos" tratamento desigual em relação aos demais contribuintes.
Segundo Dornelles, a proposta presume que os agentes públicos são suspeitos, mesmo antes da apuração de irregularidades em sua situação patrimonial. Suplicy discorda e diz que o texto não adota o princípio de que todo ocupante de mandato eletivo seja um infrator em potencial, mas a ideia de que todo cidadão detentor de altas responsabilidades, no papel de agente político, deve se submeter a rigores maiores de fiscalização.
* Com informações da Agência Senado

Fonte: http://economia.ig.com.br/financas/impostoderenda 

Rede tenta blindar Marina após aliado ser envolvido em depredação do Itamaraty

Ordem é tentar dissociar a ex-senadora das acusações que atingem o sociólogo Pedro Piccolo; executiva provisória da Rede deve discutir o tema em reunião na segunda-feira

Pega de surpresa pelo envolvimento de um de seus integrantes no ato que resultou na depredação do Palácio do Itamaraty em junho, a direção da Rede Sustentabilidade começou a montar uma estratégia para blindar a ex-senadora Marina Silva da repercussão do episódio. Articuladores do novo partido passaram os últimos dias orquestrando os primeiros passos da reação à notícia de que Pedro Piccolo, de 27 anos, foi identificado pela polícia em imagens do protesto com uma barra de ferro em mãos. O assunto agora será discutido pela executiva nacional provisória da nova legenda, em reunião marcada para a próxima segunda-feira.

 
Rede tenta poupar a ex-senadora Marina Silva do episódio que liga membro do novo partido a depredação do Itamaraty
A primeira orientação acertada pelo comando da nova sigla foi a de manter Marina distante do assunto, ao menos num primeiro momento. No fim de semana, deve ser decidido se a ex-senadora participará ou não da reunião da executiva, onde pode vir a dar uma declaração sobre o assunto. Se isso ocorrer, dizem interlocutores, o mais provável é que seja um posicionamento breve, tratando a atitude do aliado como “um erro de natureza pessoal”.
O assunto também pode aparecer em outra reunião da Rede, marcada para este sábado, em São Paulo. Nesse caso, entretanto, o objetivo do encontro é específico: estruturar a comissão executiva estadual provisória do novo partido de Marina. A ex-senadora, que de acordo com aliados está na capital paulista neste fim de semana, não deve participar.
“Nossa posição nesse processo é a mesma de sempre. Somos contra qualquer violência, seja contra pessoas ou contra o patrimônio público. Este, no nosso entendimento, foi um fato isolado, que infelizmente aconteceu”, afirma Pedro Ivo, um dos coordenadores da Rede Sustentabilidade. De acordo com ele, ainda não há certeza sobre a participação de Marina na reunião de segunda-feira, mas é “provável” que ela compareça ao encontro, que tratará também de outros assuntos relacionados à montagem do novo partido.
Piccolo é apontado pela Polícia Federal (PF) como dos sete suspeitos de terem depredado o prédio do Itamaraty, no dia 20 de junho. Na ocasião, um grupo de manifestantes conseguiu invadir o prédio e quebrou 65 janelas. Os manifestantes colocaram fogo no prédio e destruíram alguns móveis. No total, o prejuízo chegou a R$ 18,4 mil apenas com a reposição dos vidros quebrados, segundo o Itamaraty. Piccolo aparece em fotos com uma barra em mãos. O sociólogo afirma que pegou a peça para se defender e nega ter depredado o prédio.
Piccolo comunicou à direção da Rede a notícia de que havia sido notificado pela polícia na última segunda-feira, dias antes de a notícia sobre seu envolvimento no caso ter sido veiculada pelo jornal Correio Braziliense, na quinta-feira. Ele, então, apresentou-se à polícia para prestar esclarecimentos sobre o episódio e passou um relato detalhado a outros membros da executiva.
A primeira decisão concreta da Rede em relação ao caso foi o afastamento do sociólogo da executiva da nova sigla, anunciado nesta sexta-feira. Oficialmente, dirigentes afirmam que o pedido partiu do próprio Piccolo e foi aceito pelo comando da Rede. Em tese, o afastamento seria provisório, com o objetivo de aguardar a conclusão das investigações.
Alguns dirigentes reconhecem que ele deve mesmo permanecer fora da comissão. Ainda assim, alguns membros da executiva defendem a permanência do sociólogo no comando da nova sigla. Entendem que sua exclusão definitiva daria conotação maior ao caso. Segundo essa visão, a saída de Piccolo seria uma atitude “conservadora” e abriria um precedente para que qualquer membro acusado de alguma irregularidade seja removido do partido para proteger a imagem da Marina Silva.
Agora afastado da direção, o próprio Piccolo também evita se aprofundar em comentários sobre o caso. “O que eu tinha a dizer eu disse no posicionamento que já publiquei”, afirmou o sociólogo por telefone ao iG , em referência a um post que publicou no Facebook alegando que “errou politicamente”, mas que “não cometeu crime”. Nas conversas que manteve com alguns dirigentes da Rede, ele mostrou-se arrependido e disse que vai aproveitar o afastamento da direção do novo partido para “cuidar de problemas pessoais”.

Fonte:  http://ultimosegundo.ig.com.br/politica

Entenda o que é pirâmide financeira

Entenda o que é pirâmide financeira

Modelo de negócio não se sustenta, explica especialista em matemática financeira; infográfico mostra como o sistema funciona

A pirâmide financeira continua a atrair interessados em dinheiro fácil, mediante o mínimo esforço e em muito pouco tempo. Com o mesmo poder de sedução do velho golpe do bilhete premiado, atividades deste tipo guardam peculiaridades. Sua duração é limitada, o produto oferecido tem pouca relevância ou é oferecido fora de valor de mercado, a propaganda é feita por meio de grandes reuniões e treinamentos servem para impressionar potenciais interessados. “Quem deve ganhar são os primeiros e talvez uma meia dúzia vai tirar dos incautos”, diz José Vieira Dutra Sobrinho, professor de matemática financeira e vice-presidente da Ordem dos Economistas do Brasil.


A prática de pirâmide é enquadrada como um crime contra a economia popular tipificado no inciso IX, art. 2º, da Lei 1.521/51: "obter ou tentar obter ganhos ilícitos em detrimento do povo ou de número indeterminado de pessoas mediante especulações ou processos fraudulentos ("bola de neve", "cadeias", "pichardismo" e quaisquer outros equivalentes)".
Histórico
Em plena crise de 2008, ruiu o esquema comandado pelo americano Bernard Madoff , que prometia rentabilidade muito acima do mercado. O megafraudador americano comandou por 16 anos uma pirâmide que, quando desmanchada, deixou ao menos US$ 65 bilhões em prejuízo para clientes espalhados pelo mundo todo.
No Brasil, também não faltam exemplos: o clube de investimento Alpha Clube, a Avestruz Master, o grupo Boi Gordo e a rede Dinastia , que deu origem ao “Madoff mineiro” . A implosão deste último caso fez duas mil vítimas, deixou rombo estimado em R$ 100 milhões e empresário Thales Emanuelle, comandante do esquema, acabou condenado pela Comissão de Valores Mobiliares (CVM).
Confira no infográfico como funciona uma pirâmide e qual a diferença em relação ao marketing multinível.


    Fonte: http://economia.ig.com.br/

    Paracetamol pode causar grave problema de pele, diz FDA

    Medicamentos

    Paracetamol pode causar grave problema de pele, diz FDA

    Analgésico com paracetamol mais conhecido no mercado, o Tylenol deverá trazer em bula o efeito adverso; segundo FDA, não é necessário interromper de maneira preventiva o uso do medicamento

                    Overdose: o consumo excessivo de paracetamol pode causar danos ao fígado
    Paracetamol: FDA alerta para um novo efeito adverso do analgésico (Thinkstock)
    O Food and Drug Administration (FDA), agência que regulamenta medicamentos e alimentos nos Estados Unidos, alertou nesta quinta-feira que o paracetamol pode causar raras, porém sérias, reações da pele — como a síndrome Stevens-Johnsons, cujos sintomas podem incluir bolhas e urticárias. O Tylenol, fabricado pela farmacêutica Johnson & Johnson, é um dos remédios analgésicos mais conhecidos à base de paracetamol. O efeito adverso deverá constar na bula desses medicamentos.
    “Esse novo dado não tem como objetivo preocupar os consumidores ou profissionais de saúde e nem encorajá-los a optar por outros medicamentos”, disse em comunicado Sharon Hertz, vice-diretora do FDA. “Porém, é extremamente importante que as pessoas reconheçam a reajam rapidamente aos sintomas iniciais desses raros, mas sérios efeitos adversos, que são potencialmente fatais".
    Em caso de alguma reação adversa na pele, o FDA orienta que o uso da medicação seja interrompido, e que o paciente procure um médico imediatamente.
    Farmacêutica — A Johnson & Johnson afirmou em comunicado que a informação do FDA “deve ser vista no contexto de milhões de pessoas que se beneficiaram do paracetamol”, e que as reações da pele citadas pela agência são extremamente raras e “cujas causas continuam em debate”.

    Fonte:  http://veja.abril.com.br/noticia/saude/paracetamol

    A obra mais enrolada do Brasil é o Comperj

    A obra mais enrolada do Brasil é o Comperj

    Como a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o Comperj, virou um roteiro acabado dos males que travam a infraestrutura brasileira

                   Visão aérea das obras no Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobras 

    Vista aérea do Comperj: muita ambição, muitos discursos e, por ora, pouco resultado

    Rio de Janeiro - Em junho de 2006, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a cidade de Itaboraí, na região metropolitana da capital fluminense, para lançar a pedra fundamental do maior empreendimento da história da Petrobras, o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, mais conhecido como Comperj.

    Lá, seriam investidos 6,5 bilhões de dólares numa refinaria inovadora, que transformaria óleo pesado em produtos petroquímicos. Em março de 2008, Lula voltou à cidade para dar início à obra de terraplenagem, que se tornou a maior já feita no país. Itaboraí e os municípios vizinhos entraram em polvorosa com o anúncio de que o Comperj geraria 200 000 empregos diretos e indiretos.
    Em março de 2010, quatro anos após o lançamento da pedra fundamental, Lula voltou a Itaboraí pela terceira vez. Foi participar da assinatura dos contratos que, finalmente, permitiriam o início da construção. Até então, nenhum tijolo havia sido assentado no local.
    Sete anos se passaram desde a primeira visita de Lula ao Comperj. Pelo plano inicial, o complexo já deveria estar funcionando. Não está. Apenas metade da obra foi executada — 53%, segundo a estatal. Nesse período, quase tudo mudou. Em vez de uma refinaria, serão construídas duas.
    Em vez de produzir petroquímicos, elas fabricarão combustíveis. Em vez de consumir 6,5 bilhões de dólares, só a primeira demandará 13,5 bilhões. Em vez de ser uma obra tocada em sociedade com o setor privado, ela virou 100% estatal. Por fim, em vez de ser inaugurada em 2012, a obra ficou para o final de 2015, segundo a Petrobras — os fornecedores dizem que só haverá inauguração em 2016.
    Também não se sabe se o Comperj algum dia será realmente um complexo petroquímico — a Braskem, empresa do setor interessada em se instalar no empreendimento, ainda analisa a viabilidade econômica do projeto. O que já se sabe é que a construção enfrenta tantos problemas que o Comperj disputa o título de obra mais enrolada do país.
    Um dos problemas que mais atrasaram o empreendimento é de ordem ambiental. A empresa não consegue transportar um conjunto de equipamentos encomendados na Itália que chegaram ao porto do Rio há um ano e meio. São torres que pesam 1 100 toneladas cada uma e, por causa do peso, não podem trafegar por estradas convencionais nem sobre a ponte Rio-Niterói.
    A solução seria levar as torres em uma barcaça pela baía de Guanabara até um rio, o Guaxindiba. Esse rio, que recebe boa parte do esgoto do município de São Gonçalo, dá acesso ao píer de uma cimenteira nas proximidades do Comperj. A barcaça teria apenas 80 centímetros de calado para não encalhar nas águas rasas da região. Ainda assim, seria necessário dragar áreas assoreadas pelo acúmulo de dejetos no rio.
    A princípio, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea) aprovou a solução, e a Petrobras chegou a marcar o primeiro transporte para 24 de janeiro de 2011. A situação desandou quando se constatou que o tal rio passa por uma área de proteção ambiental, cuja responsabilidade é do órgão federal Instituto Chico Mendes.

     Consultado, o instituto vetou a operação, alegando que a dragagem poderia espalhar materiais tóxicos no mangue da região. Resultado: a Petrobras terá de construir um píer em São Gonçalo e uma estrada especial de 19 quilômetros para transportar cargas ultrapesadas. As duas obras devem ficar prontas em algum momento de 2014, e o aluguel pela armazenagem dos equipamentos no porto do Rio será pago por pelo menos três anos.

    Olho do dono
    Era de esperar que um projeto como o Comperj passasse por um rigoroso processo de licenciamento ambiental. Além das unidades de processamento de petróleo, o empreendimento depende de várias obras de infraestrutura, entre elas um gasoduto, um oleoduto, uma usina de geração de energia e um emissário de efluentes.
    Por esse motivo, o Comperj será obrigado a adotar padrões muito rigorosos — o tratamento dos efluen­tes do complexo, por exemplo, será cinco vezes mais restritivo do que o definido por lei. A estatal também arcará com 1 bilhão de reais em compensações ambientais.
    Entre elas a recuperação de 4 800 hectares de mata Atlântica da região, devastados no século 19, que receberão 7 milhões de árvores nativas. Outra obrigação assumida é levar o serviço de saneamento básico a 78 000 pessoas em Itaboraí.
    Mesmo assim, em maio, a Justiça paralisou a obra por dois dias com base numa ação aberta em 2008 pelo Ministério Público. Na época, o MP alegou que o licenciamento não deveria ser feito pelo Inea, um órgão estadual, mas pelo Ibama, que é federal. O surpreendente é que o próprio Ibama considera que a competência do licenciamento é do Inea.
    “É lamentável que um magistrado tome uma decisão dessas no caso de um empreendimento com um licenciamento tão rigoroso, enquanto não faltam crimes ambientais no Brasil”, afirma Marilene Ramos, presidente do Inea. A Petrobras conseguiu reverter a sentença, mas terá de conviver com a insegurança jurídica até o mérito da ação ser julgado em última instância.
    As paralisações estão longe de ser exceção no Comperj. Até agora, cinco greves de trabalhadores interromperam o trabalho por nada menos que 100 dias. O Tribunal de Contas da União é outra fonte de preocupação. Durante as fiscali­zações, o órgão encontrou vários indícios de irregularidades, como indicações de superfaturamento que somam mais de 780 milhões de reais.
    Por enquanto, nenhum processo foi encerrado, cabendo recurso por parte da Petrobras. Em uma das decisões, o TCU recomendou a paralisação da obra, que foi acata­da pelo Congresso. O ex-presidente Lula peitou o TCU e o Legislativo e capitalizou o episódio na visita à obra, em 2010, durante a pré-campanha eleitoral.
    Ao lado de Dilma Rousseff, Lula afirmou: “É o olho do dono que engorda o porco. Se eu não estivesse atento, 27 000 trabalhadores estariam desempregados”.

    Em meio a essa epopeia, a obra ainda foi atingida no ano passado pela perda de um dos principais fornecedores, a Delta Construção, acusada de envolvimento com o bicheiro Carlinhos Cachoeira. A Delta participava de dois consórcios, cujos contratos somavam 843 milhões de reais. Um deles ainda está em fase de licitação.

     
    A Petrobras afirma que o episódio não atrasou a obra, mas funcionários e fornecedores dizem o contrário: uma unidade depende da outra e a integração dos módulos da refinaria está prejudicada.
    Muitos dos problemas enfrentados na obra do Comperj não dependem da Petrobras e poderiam atingir qualquer empreendimento do país. Mas há sinais de que a companhia não estava prepara­da para tocar um empreendimento desse tamanho. A estatal não construía uma nova refinaria havia 32 anos.
    De 2007 a 2010, ainda na gestão de José Sérgio Gabrielli, decidiu construir quatro: a Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco — que também passa por maus bocados e um atraso de cinco anos —, o Comperj e as refinarias do Maranhão e do Ceará, ambas em fase de projeto e em marcha lenta.
    Aumentar a capacidade de refino é uma necessidade da Petrobras e do país. O consumo de combustíveis subiu muito no Brasil nos últimos anos. O que deveria fazer a alegria de uma petroleira se tornou um pe­sadelo, já que a Petrobras tem de importar óleo diesel e gasolina a preços mais altos do que o governo lhe permite vender ao consumidor.
    O problema é que faltam braços e cérebros para tanto trabalho. E, assim, as obras não avançam. As falhas de gestão ficam evidentes no relato do prefeito de Itaboraí, Helil Cardozo. Em novembro, antes de assumir a prefeitura, Cardozo foi recebido pela presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster.
    Ouviu dela que os prefeitos da região não estavam se empenhando em desapropriar as áreas para a construção da estrada que ligará o píer de São Gonçalo ao Comperj. “Já se passaram seis meses e a Petrobras ainda não entregou o projeto da estrada”, diz Cardozo. “A construtora já me procurou pedindo a licença para começar a trabalhar. Mas como vou autorizar se nem sabemos onde a estrada vai passar?”
    Há, por fim, outro drama: a falta de dinheiro para levar o Comperj adiante. Segundo o presidente de uma construto­ra que participa das obras, a ordem dentro do Comperj é “tirar o pé”. A EXAME, a empresa declarou por escrito que a estatal não tem problema de caixa.
    Entretanto, sob a condição de não ser identificado, um funcionário graduado da companhia afirmou: “A Petrobras não tem dinheiro para nada. Acabamos de captar 11 bilhões de dólares, mas a maior parte foi para pagar dívida”. E, assim, o que foi anunciado como uma revolução na petroquímica do país virou um rotei­ro acabado dos nós que seguram a infraestrutura brasileira. O Comperj virou, por assim dizer, uma aula de Brasil.

     Fonte: http://exame.abril.com.br/revista-exame/edicoes/1044

    sexta-feira, 2 de agosto de 2013

    Sexo sem consentimento e estupro são a mesma coisa

    Sexo sem consentimento e estupro são a mesma coisa

    Violência sexual

    Explicações de Marco Feliciano no Twitter foram show de desrespeito à mulher. Por Nádia Lapa, do blog Feminismo para quê?
                                feliciano
    Pastor Marco Feliciano, presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara
    Na quinta-feira 1º foi sancionada a lei que obriga os hospitais a oferecerem "atendimento imediato e multidisciplinar para o controle e tratamento dos impactos físicos e emocionais causados pelo estupro". A lei prevê, entre outras medidas, a administração da pílula do dia seguinte; com a medicação, a possibilidade de gravidez decorrente do estupro diminui.
    Essa parte da lei desagradou algumas entidades e políticos antiescolha, que aparentemente ignoram o fato de que a pílula já é ministrada nos hospitais de referência, assim como pode ser adquirida em qualquer farmácia.
    Parece surreal que políticos e entidades sejam contrários ao atendimento multidisciplinar de vítimas de um crime bárbaro como o estupro. É surreal, na verdade. Como alguém pode ser contrário à orientação correta e segura para salvaguardar a saúde física e mental de uma vítima de tamanha agressão?
    O deputado federal Marco Feliciano é uma dessas pessoas, e tentou explicar no Twitter na noite da quinta-feira 1º o seu posicionamento. O que vimos foi um show de desrespeito à mulher, conforme as mensagens abaixo, copiadas da rede social do deputado.
    1) O Palácio do Planalto esta desorientado ou muito mal intencionado. Lamento q a Pres. Dilma acabou sancionando integralmente o PLC 3/2013
    (...)
    8) Esse projeto alem de ser p/vitima de estupro, tbem fala de sexo sem consentimento, profilaxia da gravidez, como se gravidez fosse doença.
    9) Uma mulher gravida de 2 meses dizendo ao médico q o marido fez sexo a força, ou ela ñ qria pq estava com dor de cabeça? Aborto feito!
    10) não há como comprovar q o sexo foi sem consentimento... É a palavra da mulher que engravidou e pronto. Não há como provar.
    11) No estupro há! Houve violência. Foi feito a denuncia imediatamente. A lei ja protege a mulher vitima de estupro. Ja há lei!
    12) se estupro e sexo sem consentimento é a mesma coisa, porque o texto do projeto fala de um e outro separadamente? Engodo!
    13) a lei brasileira ja contempla o aborto em caso de estupro. Eu não concordo, mas é lei. Agora ampliam para sexo sem consentimento.
    Eu tive muita dificuldade de entender o que o deputado estava falando, confesso. Não me passaria pela cabeça que hoje em dia alguém defenderia publicamente a ideia de que sexo sem consentimento é diferente de estupro. Ora, esta é exatamente a definição de estupro!
    Se uma das pessoas envolvidas não está conscientemente engajada na relação sexual, dando permissão para o (s) parceiro (s), ela está sendo violentada. Sexo requer consentimento. Se ele não existe, é estupro. É violência.
    Feliciano fala como se o "sexo sem consentimento" fosse aquele em que não há provas da violência. O senso comum entende que a vítima de um crime sexual terá, necessariamente, de apresentar marcas de defesa pelo corpo. O estupro só é aceito como verdade se a pessoa agredida for o que chamamos de "vítima perfeita": deve ser "de família", não beber, ser atacada por um estranho (armado, forte), vestir-se da cabeça aos pés, reagir gritando e batendo no agressor, denunciar o crime imediatamente.
    Caso algum desses itens esteja faltando, a veracidade da agressão será questionada. Falam como se fosse fácil para uma vítima de estupro procurar as autoridades competentes. Mesmo quando a vítima procura uma Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam), criada justamente para casos delicados e de violência de gênero, seu caso pode ser tratado de maneira falha. Foi o que aconteceu em Niterói em março deste ano. Uma mulher registrou ocorrência de estupro ocorrido numa van, mas não houve investigação. Duas semanas depois, os mesmo estupradores atacaram uma turista americana no Rio de Janeiro. Dessa vez, com a denúncia da imprensa e a pressão popular, conseguiram prendê-los. A delegada da Deam de Niterói, Marta Dominguez, foi exonerada.
    Feliciano e os que repetem seu discurso defendem que há mulheres que denunciam estupro sem terem sido estupradas, como se ir à delegacia fosse tão agradável quanto um passeio pela orla de Ipanema, água de coco na mão, com o sol se ponto atrás do Morro Dois Irmãos. Não é. Além da burocracia que todos nós conhecemos ao usar qualquer serviço público, a vítima terá de fazer exames no IML, passando pelo imenso constrangimento de tirar a roupa na frente de um estranho, em ambiente frio e cinza, deixando que outra pessoa toque um corpo já machucado (ainda que tais feridas não sejam tão aparentes assim para quem só observa sem empatia). E este é só o começo de um procedimento longo e doloroso. Definitivamente não é um passeio.
    Houve quem entendesse que Feliciano defendeu, em suas postagens, que um marido não poderia estuprar a esposa, como se o consentimento estivesse explícito numa relação marital. Não seria surpreendente - muita gente acha isso mesmo. Mas, por ora, preferi entrar na minha máquina do tempo e adiantar para algum ano em que a mulher não é considerada propriedade do marido. Volto depois contando como é.

    Fonte: http://www.cartacapital.com.br/blogs

    “Não há violência no Black Bloc. Há performance”

    Protestos

    “Não há violência no Black Bloc. Há performance”

    Manifestante anarquista, que participou das ações diretas em São Paulo, fala com CartaCapital sobre os protestos e a depredação de bancos e concessionárias
     
                         Black Bloc
    Manifestante foge de policial na avenida Paulista, em São Paulo, na noite de quinta-feira 1º
    Quebrar bancos não é violência, é performance. Esta é opinião de uma manifestante dos black blocs, tática que vem ganhando adeptos no Brasil. Participante dos protestos em São Paulo na última semana, que resultaram na quebra de bancos e concessionárias, Roberto (nome fictício), de 26 anos, falou com a CartaCapital por e-mail sobre as ações. Ele explicou sua insatisfação com partidos, e os motivos que o leva às ruas para depredar símbolos capitalistas. Leia a entrevista abaixo:
    CartaCapital: O que o motiva a fazer parte de um black bloc? São insatisfações com o sistema político, com partidos, com o capitalismo e o tipo de democracia que vivemos? Ou são outras razões mais específicas?
    Roberto: O Black Bloc foi uma estratégia nascida em seio anarquista. Portanto, o que nos motiva é uma insatisfação com o sistema político e econômico em que vivemos. Para mim, as duas coisas são indissociáveis e têm problemas com raízes muito mais profundas do que partido X ou partido Y.
    CC: De quantos protestos já participou, fazendo black bloc? Qual o primeiro?
    Roberto: Fazendo Black Bloc, já foram três protestos. O primeiro foi o ato pela democratização da mídia, do dia 11 de julho. Mas antes já tinha participado de outras ações diretas, sem necessariamente a identificação com o Black Bloc. Por exemplo, os dois últimos atos pela redução da tarifa do transporte público, com a ação de queimar bandeiras do Brasil.
    CC: Por que decidiu ir aos protestos e fazer parte do Black Bloc?
    Roberto: Decidi ir porque considero a ação direta uma estratégia tão importante quanto a não-direta. Nossa sociedade vive permeada por símbolos, e saber usa-los é essencial em qualquer demanda, seja ela política ou cultural. Participar de um Black Bloc é fazer uso desses símbolos para quebrar pré-conceitos e condicionamentos. Não só do alvo atacado, mas até da própria ideia de vandalismo.
    A sociedade tende a considerar a depredação como algo “errado” por natureza. Mas se nós sabemos e admitimos que os alvos atacados, em sua maioria agências bancárias até o momento, não foram realmente prejudicados – ou seja, os danos financeiros são irrisórios – qual é o real dano de uma estratégia Black Bloc? Por que deveria ser considerada errada a priori?
    Não há violência no Black Bloc. Há performance.
    CC: Não tem medo de ser preso ou de ser violentado pela polícia? Como lida com isso?
    Roberto: Claro que tenho medo. Que ótimo que eu tenho medo. Existe o medo que paralisa e existe o medo que impulsiona. Lidamos com nosso medo nos organizando melhor, planejando nossas ações e debatendo cada estratégia.
    Lidamos com nosso medo não sendo pegos.
    CC: Você não se sente representado pelos movimentos sociais ou partidos? Por quê?
    Roberto: Sinto-me “representado” por diversos coletivos ligados a movimentos sociais, como o MPL (Movimento Passe Livre), o DAR (Desentorpecendo A Razão), o CMI (Centro de Mídia Independente), a Marcha das Vadias etc. Existem outros que apoio fortemente, apesar de não poder dizer que me sinto representado porque isso seria hipocrisia: não é o meu perfil que eles querem (e devem) representar. Como exemplo, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto).
    Não me sinto representado por nenhum partido político. Veja que a conotação de “representação” aqui é outra. Não me sinto representado por partidos porque não sou a favor de uma democracia representativa, mas sim de uma democracia direta. A forma como os partidos políticos estão configurados atualmente serve apenas dentro da lógica da democracia representativa.
    CC: Você lê/estuda sobre anarquismo? Acha importante esse debate no contexto dos black blocs?
    Roberto: Sim, estudo tanto autores clássicos quanto os mais recentes. Acho esse debate importantíssimo. Veja, a estratégia Black Bloc é uma estratégia performática antes de tudo. E com alto valor simbólico. Não se trata de depredar pelo simples prazer ou alegria de quebrar ou pichar coisas. Trata-se de atacar o símbolo que existe representado naquele local ou objeto físico. A formação política ajuda a manter esse foco bem-definido. Ajuda a pensarmos quais são os alvos que valem a pena e quais são os que se tornariam puro ataque gratuito.
    Além disso, debater teoria política também nos permite reconhecer quem é mais afinado com suas ideias e maneira de pensar, dando oportunidade para outras estratégias, Black Bloc ou não. Todo debate vale a pena, ele cria desdobramentos.
    CC: A imprensa vem tentando fazer uma diferenciação entre manifestantes pacíficos e violentos. O que acha dessa tentativa de dividir em duas categorias os que estão nos protestos?
    Roberto: Acho ridículo. Primeiro porque essa diferenciação não é fixa. Existem manifestantes, muitos aliás, que transitam entre os ditos “pacíficos” e os “violentos” dependendo das estratégias, do ato, do grupo de afinidade e da situação. Usar de ações direta não é uma invalidação de outras estratégias. Todas são válidas, e é essa multiplicidade que nos confere força.
    E segundo porque a noção de “Violência” é completamente deturpada. As ações de vandalismo e depredação não podem ser consideradas violentes simplesmente porque não são ataques contra pessoas, mas sim contra coisas. A palavra “violência” carrega uma ideologia de discurso preconceituosa e irracional e é usada para desqualificar as ações diretas a priori.
    CC: Os movimentos sociais e partidos de esquerda costumam tentar o diálogo por vias institucionais. A ação direta nas ruas pode trazer mais mudanças que esses processos? Por quê?
    Roberto: As ações diretas não invalidam o diálogo por vias institucionais. Quando atacamos uma agência bancária, por exemplo, não somos loucos ou ingênuos de acreditar que estamos ajudando a falir um banco. Mas nós estamos sim ajudando a tornar evidente o clima de instabilidade política e a insanidade da nossa sociedade capitalista.
    As táticas Black Bloc são uma demonstração do poder que já existe nas mãos da população, e esse poder é normalmente desconsiderado pela simples existência das chamadas “vias institucionais”. Quando atuamos com ação direta, queremos também chamar atenção a isso, a essa multiplicidade de caminhos para atender as reivindicações sociais e à ineficiência de se utilizar apenas um, especialmente um que é viciado pelo próprio sistema onde está inserido. Queremos demonstrar que política também se faz com as próprias mãos.
    Não queremos afirmar que as ações diretas nas ruas podem trazer mais mudanças que esses processos, mas sim que as ações diretas nas ruas podem trazer mudanças A esses processos. É mais pressão, mais autonomia.
    CC: Quais você acha que devem ser os alvos de ações diretas e por quê?
    Roberto: Bancos e outras instituições financeiras por simbolizarem o capital; algumas sedes administrativas do poder público, por simbolizarem o Estado; alguns monumentos públicos (a idolatria aos bandeirantes é fascismo histórico e valorização do genocídio, por exemplo); relógios públicos (são suporte para a publicidade e simbolizam a escravidão pelo tempo); concessionárias, por incentivarem nosso modelo falido de transporte e vida em sociedade.

    Fonte: http://www.cartacapital.com.br/sociedade