Impostometro

sábado, 14 de março de 2015

Mujica

Internacional

Entrevista - Pepe Mujica

"Negar a luta de classes é negar a realidade", diz Mujica

Pregando a união da América Latina e atacando o consumismo, o ex-presidente uruguaio alerta para os novos métodos da direita
por Igor Carvalho e Vinicius Gomes, da Revista Fórum 


Vinicius Gomes
Pepe Mujica
"Quando você vai comprar algo, não paga com dinheiro, paga com o tempo de sua vida que teve que gastar para ter esse dinheiro", repete Mujica



Após vinte e cinco minutos de viagem até a periferia deMontevidéu, uma pequena rua de terra se revela e corrobora o mito da simplicidade de seu morador mais ilustre. Manuela corre como se tivesse quatro patas, ignorando que uma é inválida. Na frente de um galpão, abastecido com material de construção, há dois grupos.
O primeiro se forma em torno do cineasta sérvio Emir Kusturica. Ele grava um documentário sobre a vida de nosso anfitrião, que se chamará O último herói. O diretor, arredio, reconhecido e premiado em todo mundo, parece um anônimo caminhando pela chácara, sem ser incomodado.
Já o segundo grupo está animado, são funcionários do ex-guerrilheiro de um dos mais importantes movimentos da história da América Latina, o Tupamaros. Um dos homens se afasta da reunião e anuncia: “O presidente já vai receber vocês”.
Ele atrasa vinte minutos em relação ao horário marcado, estava ajudando na obra da escola agrária que será erguida em seu terreno. Vestindo uma calça de agasalho da seleção uruguaia e uma chuteira de futebol de salão, nos convida para sentar na frente de sua casa.
Nos sentamos em um banco feito por internos de um hospital psiquiátrico de Montevidéu, todo ele ornado com tampas de garrafas de refrigerante. O mesmo assento e espaço foi ocupado três dias antes, sob as mesmas condições, pelo rei da Espanha, Juan Carlos, que passou a tarde com o ex-presidente.
No fundo da casa, a última das lendas se confirma. Está lá o automóvel azul, um dos poucos patrimônios do ex-mandatário uruguaio, seu Fusca. Ele defende a propriedade. “Por que eu vou querer andar mais rápido que 80 km/h? É um perigo. Não há impostos [do carro]. Por que andar mais rápido? Se vou morrer do mesmo jeito, que pressa eu tenho?”
José Alberto Mujica presidiu o Uruguai de 2010 até o último dia 1º de março. Dois dias depois foi empossado como senador. Aos 79 anos, caminha com a

Swissleaks tem nomes de empresários da mídia e jornalistas

Swissleaks tem nomes de empresários da mídia e jornalistas


De acordo com documentos vazados por um ex-funcionário do HSBC da Suíça, na lista dos 8.667 brasileiros que, em 2006 e 2007, tinham contas numeradas na instituição financeira estão donos, diretores e herdeiros de veículos de comunicação, além de jornalistas.
Reportagem no jornal O Globo relaciona 22 empresários e sete jornalistas brasileiros entre os correntistas do HSBC suíço.
Otávio Frias, fundador já falecido da Folha de S. Paulo, e João Jorge Saad, o Johnny Saad, dono do grupo Bandeirantes – ambos tinham contas zeradas em 2007, ano dos registros obtidos por Falciani. A conta de Otávio Frias, depois, passou a apontar seu filho Luís Frias, um dos donos do Uol, como beneficiário.
José Roberto Guzzo, ex-diretor de Veja e Exame e hoje conselheiro editorial da Abril, também está na lista, além de  Carlos Massa, o Ratinho, do SBT, e Lily Marinho, viúva de Roberto Marinho, da Globo.
A maior soma na lista é a de Aloysio de Andrade Faria, dono da Rede Transamérica, com US$ 120,5 milhões. Depois dele, aparecem Yolanda Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, Paula Frota Queiroz e Edson Queiroz Filho, do grupo Verdes Mares, afiliado

sexta-feira, 13 de março de 2015

Irmãos Koch, magnatas do petróleo e financiadores da extrema-direita nos EUA, inspiram os “meninos do golpe” no Brasil

Irmãos Koch, magnatas do petróleo e financiadores da extrema-direita nos EUA, inspiram os “meninos do golpe” no Brasil


Reprodução
"Estudantes pela Liberdade” (EPL) são financiados por corporação petroleira norte-americana que ataca direitos indígenas, depreda ambiente e tem interesse óbvio em atingir a Petrobrás

12 /03 /2015
Do Viomundo
David Koch se divertia dizendo que fazia parte “da maior companhia da qual você nunca ouviu falar”. Um dos poderosos irmãos Koch, donos da segunda maior empresa privada dos Estados Unidos com um ingresso anual de 115 bilhões de dólares, eles só se tornaram conhecidos por suas maldosas operações no cenário político do país.
Se esses poderosos personagens são desconhecidos nos Estados Unidos, o que se dirá no Brasil? No entanto eles estão diretamente envolvidos nas convocações para o protesto do dia 15 de março pela deposição da presidenta Dilma.
Segundo a Folha de São Paulo o “Movimento Brasil Livre”, uma organização virtual, é o principal grupo convocador do protesto. A página do movimento dá os nomes de seus colunistas e coordenadores nos Estados. Segundo o The Economist, o grupo foi “fundado no último ano para promover as respostas do livre mercado para os problemas do país”.
Entre os “colunistas” do MBL estão Luan Sperandio Teixeira, que é acadêmico do curso de Direito Universidade Federal do Espírito Santo e colaborador da rede Estudantes Pela Liberdade (EPL) do Espírito Santo; Fabio Ostermann, que é coordenador do mesmo movimento no Rio Grande do

O PT ainda não entendeu o "antipetismo"?

Política

Entrevista - Lincoln Secco

O PT ainda não entendeu o "antipetismo"?

Para professor da USP, autor de "A história do PT", o partido erra ao se comparar com os governos anteriores e demonizar a classe média
por Renan Truffi 
Lula e Dilma
O PT, de Lula e Dilma, parece não ter entendido que o pacto de conciliação de classes só era possível quando a economia estava crescendo, diz especialista

Dez anos depois de ter seus principais líderes envolvidos no“mensalão”, o Partido dos Trabalhadores vê mais dirigentes serem diretamente acusados na Operação Lava Jato. Apesar de a polêmica desgastar ainda mais a imagem petista, para Lincoln Secco, professor de História da Universidade de São Paulo e autor do livro A história do PT, o grande problema do partido é a base cada vez maior do antipetismo, crescente principalmente entre as classes médias. “[Esse sentimento está] traduzido pelo discurso anticorrupção, ‘antiaparelhismo’ do Estado, por mais que sejam noções que se aplicam também a governo anteriores. Mas não basta o PT dizer isso porque o partido já está no poder há 13 anos”.
Em entrevista a CartaCapital, Secco explica como o modelo de gestão petista, baseado no pacto de conciliação de classes, “deixou uma margem de manobra crítica para os setores médios”. “O erro do PT é esse. O partido jamais quis acirrar a luta de classes, mas o modelo de governo que ele constituiu, que elevou uma parte das classes pobres socialmente, acirraria inevitavelmente a luta de classes”.
Leia a entrevista na íntegra abaixo:
CartaCapital: O governo Dilma foi alvo no último fim de semana de um 'panelaço' em bairros ricos e de classe média alta. Em resposta, o partido divulgou nota sobre o que chamou de “ato orquestrado pela burguesia”. Como o senhor enxerga esse processo pelo qual o PT passa em seu quarto mandato presidencial? Acha que o partido está em negação dos fatos?
Lincoln Secco: Em primeiro lugar não é uma ação orquestrada da grande burguesia porque nós temos visto indícios, até mesmo na grande imprensa, de que não há uma preferência dos estratos sociais mais ricos pelo impeachment. Obviamente que existem pequenos grupos que organizam manifestações. O que o PT talvez não tenha entendido é que existe um sentimento difuso na sociedade desde 2005 [época do “mensalão”] que é o antipetismo, traduzido pelo discurso anticorrupção, ‘antiaparelhismo’ do Estado, por mais que sejam noções que se aplicam também a governo anteriores. Mas não basta o PT dizer isso porque o partido já está no poder há 13 anos.

CC: Há ainda justificativa para falar de ‘burguesia’ depois de uma

domingo, 8 de março de 2015

Ajuste Fiscal

Política

Ajuste Fiscal

Imposto sobre grandes fortunas aguarda votação há 15 anos

Prevista na Constituição, a taxação esbarra na falta de vontade política dos governos e dos congressistas, que seriam atingidos pelo novo imposto
por Renan Truffi

Fernando Frazão/ Agência Brasil
Fernando Henrique Cardoso
Ex-presidente, FHC é autor de um projeto que taxa a riqueza, mas não o colocou em votação quando estava no cargo. PT faz o mesmo há 13 anos

Em 1989, o então senador Fernando Henrique Cardoso (PSDB) propôs a regulamentação de um tributo federal previsto na Constituição. O projeto era o imposto sobre grandes fortunas. De lá para cá, mais de 26 anos depois, a mesma pauta foi apresentada no Congresso Nacional por pelo menos dez parlamentares, de diferentes partidos: PT, PSOL, PV, PCdoB, PPS, além do próprio PSDB. O imposto, no entanto, nunca chegou a ser votado. Agora, diante da necessidade de um ajuste fiscal para equilibrar as contas, o governo federal cogita ressuscitar a proposta. Mas será que, desta vez, o imposto avança?
“Eu pago para ver”, ironiza a ex-deputada federal Luciana Genro (PSOL-RS). A ex-parlamentar, candidata à Presidência em 2014, é autora, ao

Operação Lava Jato

Política

Operação Lava Jato

Senadores do PT receberam ao menos R$ 4 milhões, apontam petições

Para Procuradoria-Geral da República, Gleisi Hoffman, Lindberg Farias e Humberto Costa sabiam que repasses recebidos da Petrobras eram ilícitos
por Gabriel Bonis 

Agência Senado
Senadores_PT.jpg
Os senadores Humberto Costa (à esq), Gleisi Hoffman e Lindberg Farias 

As petições para a abertura de inquérito contra políticos implicados no esquema de corrupção na Petrobras apontam que os três senadores do PT investigados pela Operação Lava Jato receberam ao menos 4 milhões de reais de forma ilícita. Nos documentos, o Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, indica que os parlamentares sabiam da irregularidade das verbas ao pedirem doações para suas campanhas. O PGR pediu a investigação da ex-ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffman, de Lindberg Farias e do ex-ministro da Saúde, Humberto Costa.
Os três são podem ser acusados de corrupção passiva qualificada e lavagem de dinheiro, pois os valores teriam sido repassados após “processos de ocultação e dissimulação dos valores provenientes dos crimes contra a Administração”. A instauração do

Feminicídio: o que não tem nome não existe

Feminicídio: o que não tem nome não existe 

Alice Bianchini, Fernanda Marinela e Pedro Paulo de Medeiros.
O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou, em 03.03.2015, o Projeto de Lei 8305/14, do Senado, que inclui o feminicídio como homicídio qualificado, classificando-o ainda como hediondo.
O feminicídio constitui a manifestação mais extremada da violência machista fruto das relações desiguais de poder entre os gêneros. Ao longo da História, nos mais distintos contextos socioculturais, mulheres e meninas são assassinadas pelo tão-só fato de serem mulheres. O fenômeno forma parte de um contínuo de violência de gênero expressada em estupros, torturas, mutilações genitais, infanticídios, violência sexual nos conflitos armados, exploração e escravidão sexual, incesto e abuso sexual dentro e fora da família.
Vários países, principalmente na América Latina, criminalizaram o feminicídio, trazendo, em sua descrição típica, requisitos específicos e que