Advogado: quebra de sigilo de Dirceu pelo MPF baseia-se em dados errados
Coordenadas dos supostos telefonemas são do Palácio do Planalto
Luiz Orlando Carneiro
Os advogados do ex-ministro José Dirceu, em petição ao
ministro Joaquim Barbosa, relator da ação penal do mensalão, datada
desta quarta-feira (9/4), em que pedem “a pronta análise” do pleito do
condenado ao regime semiaberto de trabalho externo, acusam o
Ministério Público do Distrito Federal de ter solicitado a quebra do
sigilo das ligações telefônicas de celulares feitas e recebidas por
usuários que trabalham no Palácio do Planalto – baseando-se em
coordenadas erradas - com o propósito de apurar se político usou o
celular no complexo penitenciário da Papuda, em Brasília, para fazer uma
ligação para a Bahia..
Recentemente,
o MP solicitou ao STF que determinasse a quebra do sigilo telefônico
para identificar as ligações para a Bahia geradas de coordenadas
geográficas que, conforme o órgão, coincidiriam com a penitenciária da
Papuda. O objetivo seria apurar se, mesmo preso, o ex-ministro teria
falado ao telefone em janeiro com o secretário da Indústria, Comércio e
Mineração da Bahia, James Correia. A suposta conversa foi publicada em
nota de um jornal.
Na petição ao ministro Joaquim Barbosa, o
advogado José Luís Oliveira Lima ressalta que “o mais grave é que um
dos pontos físicos estabelecidos no pedido de quebra de sigilo, ao
indicar coordenadas fornecidas pelo MPF-DF corresponde ao Palácio do
Planalto, sede do Governo brasileiro”.
E acrescenta: “Ou seja, para investigar uma nota de jornal, o MPF-DF
pede que cinco operadoras de telefonia enviem todas as ligações
celulares, efetuadas e recebidas, envolvendo todos os usuários que
trabalham no Palácio do Planalto, no intervalo de 16 dias”.
A defesa
de Dirceu juntou laudo assinado pelo geógrafo Juvenal José Ferreira
(engenheiro agrônomo), segundo o qual a coordenada indicada pelo MP cai
exatamente no Palácio do Planalto. O advogado também entregou ao Supremo
o extrato telefônico de James Correia para tentar demonstrar que ele
não fez ligações para Brasília.
Recurso
Na última
segunda-feira, o advogado José Luis Oliveira Lima, patrono de José
Dirceu recorrera ao ministro Joaquim Barbosa, a fim de evitar que
fosse decretada a quebra do sigilo telefônico do ex-chefe da Casa Civil,
conforme intenção do representante do Ministério Público que atua na Vara de Execuções Penais (VEP) do Distrito Federal.
No
âmbito de uma ação cautelar (AC 3599), o MP quer que a Justiça –no caso
o STF - decrete quebra de sigilo telefônico para identificar as
ligações para o Estado da Bahia geradas “provavelmente das coordenadas
geográficas” onde está localizada a penitenciária da Papuda, em
Brasília, no intervalo de 16 dias.O juiz da VEP-DF, Bruno Rodrigues, foi
quem determinou o envio da ação cautelar ao STF, e não à primeira
instância, como defende o advogado de Dirceu.
A questão deve ser decidida pelo ministro Joaquim Barbosa, que também é o relator da ação cautelar, nos próximos dias.
Naquela
petição, o advogado Oliveira Lima afirma que José Dirceu – que cumpre
pena em regime semiaberto, mas ainda não conseguiu permissão para
trabalho num escritório
de advocacia - “jamais teve, depois de preso, contato ou acesso a
telefone celular, reiterando que não cometeu qualquer ilícito no
cumprimento de sua pena”.
O advogado diz que o apenado
“não teme nenhuma espécie de investigação”, mas que “não pode deixar de
apontar o patente equívoco do Excelentíssimo Magistrado da VEP que, com
um mês de atraso, e depois de se declarar impedido, enviou,
equivocadamente, a presente medida cautelar ao STF, mesmo diante da
manifesta ausência de foro privilegiado do sentenciado”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário