México enfrenta barões da mídia
Em
Março, a agência reguladora de telecomunicações do México aprovou um
projeto que obriga o principal império midiático do país, o Grupo
Televisa, a se desfazer de parte dos seus negócios. A empresa terá de
compartilhar a sua infraestrutura com outras companhias e perderá o
direito à exclusividade nas transmissões de eventos esportivos, como a
Copa do Mundo e as Olimpíadas. Será que a mídia colonizada do Brasil
rotulará o governo mexicano de “chavista” e “comunista”?
A
medida aprovada pelo Instituto Federal de Telecomunicação (Ifetel) visa
estimular a concorrência neste setor estratégico e reduzir o monopólio
da Televisa, que atualmente controla 70% do mercado – outros 30% estão
nas mãos do Grupo Azteca. O objetivo explícito é o de reduzir o poder
destes grupos midiáticos, que colocam em risco a frágil democracia do
país. Segundo a
edição brasileira do jornal espanhol El País, o projeto aprovado representa “um duro golpe” nos monopólios e “pode causar uma reviravolta no panorama televisivo do país”.
Além
de proibir a Televisa de oferecer com exclusividade conteúdos “que no
passado geraram altos níveis de audiências”, como torneios nacionais de
futebol, finais de Copas do Mundo ou Olimpíadas, e de obrigá-la a
conceder sua infraestrutura aos concorrentes através de uma tarifa
pública e negociada, o projeto ainda determina que o grupo deverá
fornecer toda a informação que for solicitada pela Ifetel, incluindo os
dados sobre tarifas publicitárias. Imagine se estas medidas fossem
aplicadas no Brasil! A TV Globo não sobreviveria por muito tempo! Ela
seria obrigada a divulgar, pelo bem da transparência pública, os dados
sobre o Bônus de Volume, o famoso BV, que nutre o esquema de suborno e
propina entre a emissora e as agências de publicidade no Brasil.
As
mudanças no México não se limitam às concessões públicas de televisão.
Há vários meses, o Ifetel também investiga a empresa América Móvil, do
magnata Carlos Slim, que controla 84% do mercado de telefonia fixa e de
internet no país. Já numa parceira com a empresa de telefonia celular
Telcel, o grupo domina 70% do setor.
Apesar dos atrasos e
entraves, as mudanças neste setor estratégico estão em curso no México –
assim como no Reino Unido da “bolivariana” Rainha Elizabeth II. Já no
Brasil, o governo Dilma Rousseff não tem coragem para enfrentar os
perigosos barões da mídia!
Nenhum comentário:
Postar um comentário