Protesto termina com confronto e manifestante detido em Porto Alegre
- Estados do Brasil:
Manifestação, com cerca de 100 pessoas, cobrava do
governo municipal o encaminhamento do projeto que institui o passe livre
na cidade
15/08/2013
Samir Oliveira,
do Sul21
Cerca
de 100 pessoas protestaram na noite dessa quarta-feira (14) em frente à
prefeitura de Porto Alegre para cobrar do governo municipal o
encaminhamento do projeto que institui o passe livre na cidade. Redigida
pelo Bloco de Luta pelo Transporte Público, a proposta está parada no
gabinete do prefeito José Fortunati (PDT).
Sob um
frio de nove graus, a manifestação reuniu poucas pessoas e contou com
um rápido porém intenso confronto com as forças policiais. Às 19h20min, o
grupo se dirigiu para a parte de trás da prefeitura, na Avenida
Siqueira Campos. Esta parte do prédio possui apenas duas pequenas
portas, que, diferentemente da entrada principal, não estavam isoladas
por um cordão.
Uma das portas estava fechada e a
outra era guarnecida por poucos guardas municipais. Quando os
manifestantes se aproximaram, os agentes recuaram e fecharam a entrada.
Neste momento, algumas pessoas tentaram forçar a porta, investindo com
chutes e arremessando objetos. O Batalhão de Choque já estava dentro da
prefeitura – tendo ingressado no início do ato, pela porta da frente,
sob vaias dos militantes.
| Manifestantes mostraram identidade para criticar ausência de identificação no fardamento dos agentes da Guarda Municipal - Foto: Ramiro Furquim/Sul21 |
Enquanto
isso, alguns policiais da Brigada Militar chegaram para tentar
dispersar o grupo. Num primeiro momento, um soldado agarrou um
manifestante que estava próximo da porta com uma gravata. Com isso, o
restante do grupo, que se afastava, retornou e teve início um confronto
com o policial – que chegou a ser derrubado, mas manteve o tempo inteiro
uma mão segurando o manifestante e a outra, o coldre da arma.
Em
pouco tempo, outros policiais chegaram e pelo menos duas bombas de gás
lacrimogêneo foram jogadas. Com a dispersão, os manifestantes se
reagruparam no Largo Glênio Peres e a Brigada Militar cerrou fileiras na
Praça Montevidéu, em frente à prefeitura.
Por
alguns minutos, o clima de tensão tomou conta do Centro de Porto Alegre,
relembrando os confrontos que ocorriam no início de junho. Assustadas
com o barulho das bombas que tinham sido jogadas, as pessoas tentavam
entender o que estava acontecendo.
A banca de
revistas do Largo Glênio Peres chegou a baixar a grade metálica. A
medida não durou nem dez minutos, já que os ânimos arrefeceram e parte
do efetivo policial deixou a Avenida Borges de Medeiros.
Os
manifestantes realizaram, então, uma pequena assembleia para deliberar
os próximos passos. O pequeno grupo decidiu marchar até a Delegacia
Estadual da Criança e do Adolescente (DECA), na sede do Ministério
Público, para exigir a libertação do menor detido no protesto. “É mais
uma brutalidade cometida pela polícia comandada pelo governo do estado”,
qualificou Lorena Castillo, militante da Federação Anarquista Gaúcha
(FAG) e integrante do Bloco de Luta.
| Brigadiano segura no chão o menor detido - Foto: Ramiro Furquim/Sul21 |
Durante
a rápida assembleia, os manifestantes orientaram o grupo a não entrar
em confronto com as forças policiais. “Qualquer arma individual pode
colocar todo o coletivo em risco”, alertou um ativista.
Até
o fechamento desta reportagem, o menor continuava detido. De acordo com
o advogado que acompanha o caso, a acusação contra o adolescente é de
dano ao patrimônio. Ele teria quebrado uma vidraça da parte de trás da
prefeitura. Enquanto ele permanecia no DECA, alguns manifestantes do
Bloco de Luta aguardavam do lado de fora.
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