PM reprime e detém manifestantes em ato por transporte público de qualidade em SP
- Estados do Brasil:
14/08/2013
Eduardo Sales e José Francisco Neto,
da Reportagem
O
frio e a chuva em São Paulo não intimidaram os milhares de
manifestantes que protestaram nesta quarta-feira (14) nas ruas do centro
por um transporte público de qualidade. Mas o tempo também não abalou a
ação da Polícia Militar, que agrediu as pessoas com bombas, cassetetes e
tiros de balas de borracha. Na frente da Câmara Municipal e da
Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) o cenário foi de
repressão policial, que mais uma vez, agiu com extrema agressividade.
Na
Câmara Municipal, onde 16 manifestantes estavam reunidos com o
presidente da Casa, José Américo (PT), a sessão foi encerrada após o
parlamentar afirmar que os documentos da CPI dos Transportes estarão
disponíveis em audiência pública na próxima quinta-feira (22). Ele
aconselhou os movimentos a elaborarem um projeto de iniciativa popular
para delegar ao Legislativo a tarefa de fixar o preço da passagem de
ônibus.
No entanto, do lado de fora, a Tropa de
Choque da PM cercou os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo e de
efeito moral. Conforme fugiam da repressão, as pessoas faziam
barricadas com lixo em chamas nas ruas para atrasar o avanço das
viaturas. Algumas pessoas foram presas, mas a PM não soube informar o
número correto.
Os
policiais começaram a jogar bombas e disparar tiros de balas de
borracha numa rua em que havia dezenas de pessoas saindo do trabalho.
“Eu já estava um pouco longe da concentração e caiu bomba atrás de mim.
Todos os lugares estavam tomados por bomba de gás lacrimogêneo, depois
que os policiais dispersaram, o choque começou a avançar do lado direito
e dispersou o pessoal na avenida”, conta Rafael Bruno, executivo
público.
“Um cara de um bar forneceu água pra
gente lavar o rosto que estava ardendo sob o efeito do gás
lacrimogêneo”, diz Bruno Maia, do coletivo Pedra no Sapato.
Após
a repressão policial, o ato se encerrou. Algumas pessoas foram presas,
outras feridas e muitas passaram mal, depois de respirarem o gás das
bombas atiradas pela polícia em mais uma noite marcada pela violência
contra os movimentos populares.
Assembleia
O
mesmo ocorreu em frente à Assembleia Legislativa. A Tropa de Choque
jogou bombas e atirou com balas de borracha contra os manifestantes.
Estilhaços atingiram duas pessoas, pelo menos cinco ficaram feridas,
entre elas Severina Ramos do Amaral, da Central de Movimentos Populares
(CMP).
Um grupo de 400 manifestantes queria
pressionar os deputados a aprovarem a instalação de Comissão Parlamentar
de Inquérito (CPI) para apurar as denúncias de cartel em obras do
Metrô. Entretanto, a base governista não autorizou a entrada de nenhum
representante.
Corrupção
O
Movimento Passe Livre (MPL) apoiou o ato que foi convocado pelo
Sindicato dos Metroviários, cujo objetivo era denunciar o montante de
aproximadamente R$ 500 milhões de dinheiro público que foram desviados
nos contratos das licitações do Metrô e da Companhia Paulista de Trens
Metropolitanos (CPTM).
As recentes denúncias de
formação de cartel entre as empresas estrangeiras do setor teve a
complacência de governos estaduais do PSDB.
Depois
de se concentrarem no Vale do Anhangabaú, os manifestantes passaram
pelas sedes da Prefeitura, Ministério Público do Estado e Secretaria
estadual dos Transportes Metropolitanos, na rua Boa Vista, onde a marcha
se deteve por alguns instantes. Uma comissão formada por representantes
dos Metroviários, Ferroviários e do MPL foi recebida pelo chefe do
gabinete da secretaria e diretores do Metrô e da CPTM.
Foi
entregue uma carta pedindo o fim das terceirizações e das privatizações
no transporte metroferroviário, redução da tarifa, investigação das
denúncias de corrupção e punição dos responsáveis.
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