Projeto de minirreforma eleitoral ameniza punição de partido que receber doações ilegais em campanha
Texto que também prevê pré-campanha pela internet deve ser votado amanhã
Regras entram em vigor nas Eleições de 2014
O projeto de minirreforma eleitoral está na pauta da Câmara dos Deputados para ser votado nesta terça-feira (9).
O texto faz uma série de mudanças nas regras de auditoria, feita pela
Justiça Eleitoral, da prestação de contas dos partidos, além de
autorizar a pré-campanha, regular a propaganda na internet e alterar a
regra de substituição e escolha de candidatos.
O projeto reduz a punição para o partido que receber doações. Hoje, a
pena é a suspensão dos repasses do Fundo Partidário por um ano. Pelo
projeto, o partido será condenado a devolver o valor recebido
ilegalmente em 15 dias e, somente se não cumprir a determinação, terá
suspensa a participação no fundo por um ano.
Pelo projeto, o partido que tiver as contas rejeitadas totalmente ou
parcialmente vai poder continuar recebendo repasses do Fundo Partidário —
fundo de assistência financeiros dos partidos. A ajuda só será suspensa
na falta de prestação de contas. Atualmente, a rejeição parcial ou
total das contas do partido pode levar à suspensão dos repasses do Fundo
Partidário.
Segundo parlamentares, o objetivo das mudanças é facilitar e
desburocratizar a vida partidária sem prejudicar a eficácia da
fiscalização. As autoridades também poderão doar dinheiro para partidos
políticos, o que hoje é proibido. Todas as doações poderão ser feitas
por meio de cheques cruzados e nominais; transferências bancárias;
depósitos em conta; ou por meio da internet, inclusive com o uso de
cartões de crédito ou débito. A lei atual limita essa modalidade aos
cheques e depósitos.
Pelo projeto, os recursos do Fundo Partidário passarão a ser
impenhoráveis. Além disso, as contas bancárias em que os partidos
movimentam dinheiro do fundo não poderão ser bloqueadas pela Justiça. O
texto também permite que recursos do fundo sejam utilizados para o
pagamento de multas e débitos judiciais dos partidos, inclusive nos
processos de prestação de contas. O dinheiro também poderá ser utilizado
no desempenho de atividades político-partidárias. Além disso, o projeto
reduz, de 20% para 5%, o mínimo de recursos do fundo que deverá ser
aplicado na fundação ou instituto de pesquisa e educação política do
partido.
O líder do PTB, deputado Jovair Arantes (GO), disse que há acordo entre
os líderes da base aliada para a votação da minirreforma.
"Procedimentos já foram consensuados. O que temos que fazer agora são
ajustes finais. São ajustes de interesse político-partidário, de
facilitar e melhorar o projeto do deputado Vaccarezza", afirmou. Já o
líder do DEM, deputado Ronaldo Caiado (GO), afirmou que essa votação
ainda não foi negociada com a oposição.
Segundo parlamentares, a minirreforma vai tratar de assuntos “menos
polêmicos” que não devem entrar na pauta do plebiscito sugerido pelo
Executivo
Plebiscito
Nesta terça-feira (09) será instalada também na Câmara dos Deputados,
uma comissão destinada a analisar o plebiscito proposto pela presidente
Dilma e deverá apresentar seus resultados em até 90 dias. A comissão
será formada por oito deputados: cinco indicados pelos cinco maiores
partidos da Casa, e outros três indicados por partidos menores. Fontana
será o representante do PT.
Além de sugerir perguntas para o plebiscito, a comissão também deverá
listar os projetos relativos à reforma política que poderiam ser votados
com rapidez. — Não há a exclusão de um cenário sobre o outro, pois
existem correntes no Parlamento a favor de um plebiscito e a favor de um
referendo do que for votado.
Para Fontana, as perguntas objetivas no plebiscito devem se referir aos
pontos mais polêmicos da reforma, como financiamento público de
campanha, fim das coligações e coincidência das eleições. — Esses
devem ser os assuntos com perguntas de respostas objetivas, de resposta
sim e não, para orientar o Parlamento nas suas votações pós-plebiscito.
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