Impostometro

terça-feira, 30 de julho de 2013

Trabalhadores de fast food entram em greve contra “salário de miséria”

Trabalhadores de fast food entram em greve contra “salário de miséria”

Trabalhadores do McDonald's, Burger King, Wendy's, KFC e Domino's Pizza também reclamam da ausência de benefícios e das precárias condições de trabalho
30/07/2013

Vivian Fernandes,
de São Paulo, da Radioagência NP

Centenas de trabalhadores de redes de fast food de sete cidades dos Estados Unidos entraram em greve na segunda-feira (29) e pretendem manter a paralisação durante toda esta semana. Eles protestam contra o que chamam de “salário de miséria de 7,25 dólares a hora”. Os funcionários trabalham nas lanchonetes McDonald's, Burger King, Wendy's, KFC e Domino's Pizza.
De acordo com reportagem da revista Forbes, muitas das lojas dessas empresas estão fechadas ou funcionam com capacidade reduzida. As cidades estadunidenses em que ocorre a greve são Nova York, Chicago, St. Louis, Detroit, Milwaukee, Kansas City e Flint.
As empresas de fast food estadunidenses costumam pagar aos seus atendentes e cozinheiros no país o salário mínimo de US$ 7,25 por hora (cerca de R$ 16). Segundo os trabalhadores, isso não é suficiente para garantir a sobrevivência familiar. Além do baixo salário, eles também reclamam da ausência de benefícios, das precárias condições de trabalho e da grande pressão em que têm que trabalhar.

McDonald´s: A propaganda que encobre a exploração

Para fugir de uma multa milionária por não oferecer condições básicas de trabalho a seus funcionários, McDonald's firma acordo com MP para financiar propaganda contra o trabalho infantil


Michelle Amaral
da Reportagem

“Uma vez eu estava com uma bandeja cheia de lanches prontos para serem entregues e escorreguei. Quando ia caindo no chão, meu coordenador viu, segurou a bandeja, me deixou cair e disse: 'primeiro o rendimento, depois o funcionário'”, conta Kelly, que trabalhou na rede de restaurantes fast food McDonald´s por cinco meses.
“Lá você não pode ficar parado, se sentar leva bronca”, relata Lúcio, de 16 anos, que há 4 meses trabalha em uma das lojas da rede na cidade de São Paulo. “Você não tem tempo nem para beber água direito”, completa José, de 17 anos. “Uma vez eu queimei a mão, falei para a fiscal e ela disse para eu continuar trabalhando”, lembra o adolescente. Maria, de 16 anos, ainda afirma que, apesar da intensa jornada de trabalho nos restaurantes, recebe apenas R$ 2,38 por hora trabalhada.
Os relatos acima retratam o dia-a-dia dos funcionários do McDonald´s. Assédio moral, falta de comunicação de acidentes de trabalho, ausência de condições mínimas de conforto para os trabalhadores, extensão da jornada de trabalho além do permitido por lei e fornecimento de alimentação inadequada são algumas das irregularidades apontadas por trabalhadores da maior rede de fast food do mundo.
Somente no Brasil, o McDonald´s tem mais de 600 lojas e emprega 34 mil funcionários, em sua maioria jovens de 16 a 24 anos.
“Quando se é adolescente, você vê as coisas acontecerem, mas não vê como assédio moral, nem nada do tipo. Mas humilhações são constantes. Já fui puxada pela orelha por uma gerente por demorar em um atendimento”, completa Kelly.
As relações de trabalho impostas pelo McDonald´s são objetos de estudo de muitos pesquisadores. Do mesmo modo, pelas irregularidades recorrentes, a rede de fast food é alvo de diversas denúncias na Justiça do Trabalho.
Em São Paulo, o Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis e Restaurantes de São Paulo (Sinthoresp), ao longo dos anos, tem denunciado as más condições a que são submetidos os funcionários do McDonald´s.
Recentemente, resultou em uma punição ao McDonald´s uma denúncia feita há quinze anos pelo sindicato ao Ministério Público do Trabalho (MPT) da 2ª Região, em São Paulo. Trata-se de um acordo que, além de exigir o cumprimento de adequações trabalhistas, estabelece o pagamento de uma multa de R$ 13,2 milhões.
Desse valor, a rede de fast food deve destinar R$ 11,7 milhões ao financiamento de publicidade contra o trabalho infantil e à divulgação dos direitos da criança e do adolescente durante os próximos nove anos. Além disso, a rede deve doar R$ 1,5 milhão para o Instituto de Medicina Física e Reabilitação do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). O compromisso foi firmado em outubro de 2010 e passou a valer em janeiro deste ano.
As investigações realizadas pelo MPT a partir da denúncia do Sinthoresp confirmaram as seguintes irregularidades: não emissão dos Comunicados de Acidente de Trabalho (CAT); falta de efetividade na Comissão Interna de Prevenção de Acidentes; licenças sanitárias e de funcionamento vencidas ou sem prazo de validade, prorrogação da jornada de trabalho além das duas horas extras diárias permitidas por lei, ausência do período mínimo de 11 horas de descanso entre duas jornadas e o cumprimento de toda a jornada de trabalho em pé, sem um local para repouso.
O MPT também apontou irregularidades na alimentação fornecida aos trabalhadores: apesar de oferecer um cardápio com variadas opções, o laudo da prefeitura de São Paulo reprovou as refeições baseadas exclusivamente em produtos da própria empresa por não atender às necessidades nutricionais diárias. Em relação à alimentação, o McDonald´s chegou a ser condenado, em outubro de 2010, pela Justiça do Rio Grande do Sul a indenizar em R$ 30 mil um ex-gerente que, após trabalhar 12 anos e se alimentar diariamente com os lanches fornecidos pela rede de fast food, engordou 30 quilos.

Processo
Segundo o advogado do Sinthoresp, Rodrigo Rodrigues, a denúncia feita em 1995 referia-se “aos maus tratos que sofriam os funcionários do McDonald's devido às várias reclamações deles aqui no nosso sindicato”.
O advogado do Sinthoresp relata que o MPT chegou a realizar uma consulta pública com todos os envolvidos no caso. Após isso, ajuizou uma ação civil pública em março de 2007. Em 2008, houve a assinatura de um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que estipulava prazos para o cumprimento das adequações.
Ao comprovar que as exigências não estavam sendo cumpridas, o MPT ameaçou aplicar uma multa milionária à rede. Para fugir da punição, o McDonald's firmou esse novo acordo em outubro de 2010.
De acordo com a procuradora do trabalho Adélia Augusto Domingues, o MPT está em processo de tratativas com a rede de fast food para a implementação de todas as adequações necessárias. “O processo terá o acompanhamento do Ministério Público do Trabalho em todas as etapas, até que as adequações sejam completamente realizadas”, afirma Domingues.
A procuradora acredita que o acordo firmado com a rede beneficiará os funcionários. “Esses ajustes são positivos e importantíssimos para os empregados da empresa, que na maioria são adolescentes que requerem, sem dúvida, cuidados especiais, em razão de encontrarem-se na fase do processo de desenvolvimento físico, mental e social”, defende.
A reportagem procurou o McDonald's que, através de sua assessoria de imprensa, encaminhou um comunicado no qual afirma que os termos do acordo se alinham com a cultura da empresa de respeitar as leis do país e contribuir ativamente nas comunidades onde atua. “Acreditamos também que campanhas educativas e a doação do equipamento médico, como consta do acordo, poderão beneficiar a sociedade como um todo”, diz o informe.

A rede
De acordo com dados do site do McDonald's, no ano de 2009 a rede estava presente em 118 países e possuía 31 mil lojas onde trabalhavam 1,6 milhão de funcionários. A sede mundial da McDonald's Corporation fica nos Estados Unidos e, nos demais países do mundo, a rede opera por meio de franquias.
O McDonald's chegou ao Brasil em 1979 e, desde 2007, a Arcos Dourados é a franqueadora do McDonald's no país e na América Latina. A Arcos Dourados tem como sócios os fundos Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, o DLJ South America Partners, fundo ligado ao Credit Suisse, e o Capital International, do The Capital Group Companies. O lucro da rede de fast foods no Brasil em 2009, conforme informações do site, foi de R$ 3,45 bilhões. Já em 2010, em todo o mundo, o McDonald´s obteve lucro de 4,95 bilhões de dólares.
*Os nomes dos funcionários citados na matéria são fictícios.

Franquia é um sistema comercial em que o detentor de uma marca cede a uma outra empresa o direito de uso de sua marca ou patente, infraestrutura e direito de distribuição de produtos e serviços.


Outros processos contra o McDonald's


Discriminação em processo seletivo
Em janeiro de 2010, o Ministério Público do Trabalho da Paraíba iniciou uma investigação contra a rede de fast food por discriminação em um processo seletivo. O McDonald´s publicou um anúncio de vagas de emprego em que determinava que os candidatos deveriam ter entre 18 e 22 anos. De acordo com o artigo 7º da Constituição Federal de 1988, é proibido utilizar como critério de admissão sexo, idade, cor ou estado civil. Esses critérios são considerados discriminatórios, pois ferem o princípio de igualdade nas relações de trabalho.

Não garantia de alimentação saudável a seus funcionários
O McDonald´s foi condenado, em outubro de 2010, pela Justiça do Rio Grande do Sul a indenizar em R$ 30 mil um ex-gerente que, após trabalhar 12 anos e se alimentar diariamente com os lanches fornecidos pela rede de fast food, engordou 30kg. Já em 2009, em Riberão Preto (SP), o 15º Tribunal Regional do Trabalho condenou o McDonald's a pagar ao ex-funcionário Rafael Luiz uma indenização de R$ 2 mil, correspondentes ao valor de cestas básicas durante cerca de dois anos – período em que ele trabalhou na rede de fast food. O juiz Ricardo de Plato, que emitiu a sentença, afirmou que é de “conhecimento público e notório” que a ingestão diária dos lanches da rede, “ em substituição a uma das principais refeições do dia, por um longo período de tempo, é prejudicial” à saúde.

Falta de higiene e cuidados no preparo dos alimentos
Em 2006, no Texas (EUA), uma família abriu um processo contra uma das lojas franqueadas da rede de restaurantes fast food por ter encontrado um rato morto em uma salada comprada no local.

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/5872

CIA torturou cubanos desaparecidos durante ditadura militar na Argentina

CIA torturou cubanos desaparecidos durante ditadura militar na Argentina

                         
Corpos de dois diplomatas cubanos foram identificados pela Escola Argentina de Antropologia Forense e repatriados. Torturadores moram hoje nos EUA

Aline Gatto Boueri,

Os diplomatas cubanos Jesús Cejas Arias e Crescencio Nicomedes Galañena Hernández foram torturados por agentes da CIA em território argentino durante a última ditadura militar do país (1976-1983). Segundo investigação divulgada nessa segunda-feira (29) pela agência de notícias estatal Infojus, a CIA enviou à Argentina os agentes Guillermo Novo Sampol, um cubano-americano que saiu de Miami rumo a Buenos Aires, e Michael Townley, que atuava no Chile junto à DINA (Direção de Inteligência Nacional) de Augusto Pinochet.
Em declaração à juíza argentina María Romilda Servini de Cubría, Michael Townley admitiu ter participado como autor material do assassinato do ex-chefe do Exército chileno Carlos Prats em 1974, em Buenos Aires. Servíni de Cubría viajou aos Estados Unidos em 1999 para interrogar o agente da CIA durante a investigação sobre o assassinado do general chileno.
Townley também foi acusado pelo assassinato de Orlando Letelier, ministro de Defesa de Salvador Allende, em setembro de 1976 durante seu exílio em Washington. O agente foi condenado por sua participação no atentado que matou Letelier, mas fez um acordo com a justiça estadunidense e recebe proteção como testemunha de crimes contra a humanidade cometidos no Chile durante o regime pinochetista.

Restos repatriados
Cejas Arias e Galañena Hernández foram sequestrados por agentes do regime militar argentino em 9 de agosto de 1976 nas imediações da Embaixada cubana em Buenos Aires. Ambos foram levados ao centro clandestino de detenção “Automotores Orletti”, no bairro portenho de Floresta, onde foram vistos pela última vez com vida.
O corpo de Galañena Hernández foi encontrado em junho de 2012 dentro de um barril enferrujado, cheio de cimento, às margens do Rio de la Plata, no município de Virreyes, no norte da Grande Buenos Aires. Os restos mortais de Cejas Arias foram descobertos junto ao de dois argentinos nas mesmas condições, um ano depois, no mesmo local.
Os restos mortais dos diplomatas foram repatriados após a identificação pela EAAF (Equipe Argentina de Antropologia Forense).

Automotores Orletti
O centro clandestino de detenção Automotores Orletti, onde os diplomatas cubanos foram torturados com a participação dos agentes da CIA, era a sede argentina da Operação Condor, uma aliança político-militar entre os regimes ditatoriais da América do Sul para colaboração na repressão, interrogatório, tortura e desaparecimento de presos políticos na região.
Em março de 2011, a justiça argentina condenou quatro repressores por sua atuação em Automotores Orletti. Eduardo Rodolfo Cabanillas, ex-general de divisão do Exército, foi condenado à prisão perpétua; os ex-agentes da SIDE (Secretaria de Intelegência de Estado) Honorio Martínez Ruiz e Eduardo Alfredo Ruffo receberam sentença de 25 anos de prisão; e Raúl Guglielminetti, ex-agente civil de inteligencia del Exército, foi condenado a 20 años de prisão.
Atualmente, Michael Townley e Guillermo Novo Sampol moram nos Estados Unidos.
Foto: Reprodução/Cubasi

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/14509

Primavera árabe

Internacional

Oriente Médio

A primavera árabe está sendo sufocada pelas armas

Oriente Médio: não há uma condenação clara da comunidade internacional às reformas políticas produzidas sob a mira das armas

                                Mohamed Brahmi
Multidão participa do funeral do líder opositor Mohamed Brahmi, no sábado 27. Brahmi foi morto em Ariana, subúrbio da capital Túnis

Os assassinatos grotescos de egípcios comuns por seus próprios militares dizem tudo sobre a falta de avanço da Primavera Árabe. Apenas um ano depois das eleições democráticas que deveriam anunciar uma era de liberdade e estabilidade no terceiro país mais populoso da África, testemunhamos nada menos que uma chacina rotineira nas ruas.
Os mortos e feridos por armas automáticas no Cairo tentavam demonstrar seu apoio a Mohamed Morsi, o presidente eleito deposto pelo exército. Homens armados – e inclinados a usar as armas contra civis desarmados – hoje controlam uma cidade que já foi um foco de esperança e otimismo.
Assim como as imagens de uma Praça Tahrir lotada e jubilosa passaram a simbolizar as glórias passageiras da Primavera Árabe, líderes mundiais como Barack Obama prometeram de modo incessante conter os ditadores "que matam seu próprio povo". Lembra-se de como David Cameron enviou prontamente jatos da RAF para ajudar a bombardear Kaddafi na Líbia? A "proteção de vidas civis" sempre foi a primeira justificativa para o uso dessa força letal, assim como foi para o Ocidente afinal se declarar favorável às revoluções em todo o Oriente Médio e norte da África.
Hoje esses mesmos líderes ocidentais permanecem em silêncio sobre os excessos de um exército que sempre foi a principal base de poder do déspota egípcio Hosni Mubarak. Não importa como se analise, a supressão pelos militares do governo da Irmandade Muçulmana de Morsi foi um golpe de Estado clássico. Os que tentam justificar esse triunfo do poder militar são inevitavelmente aqueles que acreditam que a força marcial é a posição normal desejada de qualquer país árabe.
O exército egípcio negará o uso de munição para conter os protestos (estão sugerindo que os manifestantes atiraram em si mesmos?), enquanto políticos como o secretário de Relações Exteriores dos EUA, William Hague, saem com platitudes sobre se opor ao "uso da força".
Mas não há uma condenação clara da comunidade internacional às mudanças políticas produzidas pela força das armas.
Isto ocorre enquanto as manifestações proliferam na Tunísia, depois de vários assassinatos políticos. Fala-se até em um país que já foi conhecido por sua Revolução de Jasmim, quase sem sangue, que hoje desce à barbárie. A morte do líder de oposição secular Mohamed Brahmi, na quinta-feira em Túnis, se segue ao assassinato de seu colega Chokri Belaid no início do ano. Pelo menos uma pessoa foi morta em protestos contra o governo, e uma bomba explodiu em um carro de polícia pouco depois.
A Líbia é o cenário de assassinatos diários, e o governo não é capaz de controlar os bandos armados que disputam poder e influência. Abdelsalam al-Mismari, um importante advogado envolvido na derrubada de Kaddafi, e duas autoridades de segurança foram mortos na sexta-feira em Benghazi, o "berço" da revolução líbia. Mismari havia se tornado um crítico declarado dos atiradores, juntamente com milhares de outros que não veem esperança de democracia enquanto eles efetivamente controlarem as ruas.
Muitos dos que participaram das primeiras reuniões pró-democracia na Síria em 2011 estão entre as mais de 100 mil baixas fatais da guerra civil no país. Outras centenas de milhares foram feridos, presos ou obrigados a fugir. De modo previsível, é o exército sírio bem equipado e altamente motivado, mais que qualquer forma de democracia, que dá ao presidente Bashar al- Assad sua melhor chance de prolongar seu governo.
Essa realidade selvagem faz as aspirações iniciais daqueles que começaram a Primavera Árabe parecerem bastante tênues. Ideais como a igualdade entre classes e sexos, instituições estatais eficientes e justas, a redução da pobreza, a administração da justiça e educação para todos dão em nada quando uma nação não consegue proteger seus cidadãos de seus próprios soldados ou das milícias armadas que assumiram seu lugar.
Em termos de mudança econômica e social, e contra o pano de fundo da violência, há poucas evidências de uma mudança para melhor na vida de milhões de árabes desde as insurreições de 2011. Pelo contrário, as lutas internas entre miríades de grupos de oposição, incluindo secularistas e islâmicos, retardaram as reformas, enquanto problemas sociais endêmicos como os sistemas de transporte perigosos e o analfabetismo generalizado foram ignorados.
A pobreza aumentou de maneira significativa, com 40% da população egípcia ganhando menos que o equivalente a 2 libras esterlinas por dia, o limite de pobreza oficial da ONU. O custo de vida sobe em espiral, juntamente com o desemprego em todos os outros países depois da Primavera Árabe. O número de jovens desempregados se multiplica, particularmente, criando uma vasta classe de pessoas tão revoltadas e ressentidas quanto enérgicas e cheias de recursos.
Foram esses jovens que criaram a Primavera Árabe, usando novas tecnologias de comunicações para manifestar suas queixas. Um dos motivos pelos quais eles tiveram tanto sucesso inicialmente na Tunísia e no Egito foi que seus conterrâneos uniformizados lhes deram ampla liberdade para se manifestar. A decepção popular na forma de demonstrações organizadas foi considerada uma alternativa aceitável a formas de protesto mais radicais, incluindo o terrorismo.
A Primavera Árabe não foi de modo algum um fracasso total, porque permitiu a essas demonstrações florescer em um movimento democrático que colocou os problemas do mundo árabe no cenário global, mas seu progresso hoje está sendo sufocado pelos que só acreditam no governo por ordens diretas.
Uma consequência das revoluções de 2011 foi a ascensão do islamismo como força política organizada. Movimentos como a Irmandade Muçulmana puderam usar vastas redes populares, geralmente baseadas em centros comunitários locais e mesquitas, para mobilizar o apoio eleitoral. Na maioria dos casos, outros partidos não podem sequer competir, mas isso não é motivo para que grupos antidemocráticos como os militares assassinem e prendam seguidores da Irmandade Muçulmana.
Ninguém pretendeu que a Primavera Árabe ofereceria uma solução rápida para os maciços problemas inerentes às sociedades árabes, mas se a força militar continuar sendo o árbitro definitivo de qual governo tem "permissão" para governar, as matanças seguirão incontidas.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br

"Não dei a ordem de entrada da PM no Carandiru, mas teria dado", diz Fleury em júri

"Não dei a ordem de entrada da PM no Carandiru, mas teria dado", diz Fleury em júri

  •                                  Luiz Antonio Fleury Filho, que era governador de São Paulo, quando ocorreu o massacre dos 111 detentos do Carandiru 
  • Luiz Antonio Fleury Filho, que era governador de São Paulo, quando ocorreu o massacre dos 111 detentos do Carandiru
O ex-governador Luiz Antonio Fleury Filho voltou a defender em juízo a entrada da Polícia Militar no presídio do Carandiru, em outubro de 1992, durante depoimento prestado nesta terça-feira (30) no júri de PMs acusados de participar de um massacre de presos da unidade. Desde ontem, são julgados 26 policiais que respondem pela morte de 73 detentos que estavam no terceiro pavimento do pavilhão 9 do presídio.
Testemunha de defesa, Fleury afirmou ter ido "dormir com a notícia de 60 presos mortos" na noite de 2 de outubro de 1992, véspera de eleições municipais e data do massacre. Ele já havia sido ouvido no júri de PMs do caso realizado em abril passado.
"Não dei a ordem [de entrada da PM], mas se estivesse no meu gabinete, com as informações que eu recebi, teria dado a ordem", declarou.
O ex-governador afirmou ter tido informações de seu então secretário de segurança pública, Pedro Franco de Campos, sobre uma suposta rebelião com presos mortos e focos de incêndio no pavilhão 9. De acordo com ele, as informações iniciais eram a de que ao menos nove detentos teriam morrido na suposta rebelião.
"Não há dúvida alguma de que era necessária e se fazia necessária a entrada da PM naquelas circunstâncias, foi legítima e necessária", afirmou.
Indagado sobre sua responsabilidade política pelo massacre por parte da advogada dos réus, Ieda Ribeiro de Souza, disse: "Minha polícia não se omitia. Naquela época não tinha presos jogando futebol com cabeça de outro preso [durante rebelião em presídio] e policial assistindo; seria uma omissão criminosa. Então, a responsabilidade politica é minha", concluiu.



29.jul.2013 - O juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo (à dir.) dá andamento à segunda parte do julgamento do Massacre do Carandiru, que acontece nesta segunda-feira (29) no Fórum Criminal da Barra Funda, na capital paulista. Um total de 26 militares integrantes do 1º Batalhão de Choque, acusados da morte de 73 detentos no terceiro pavimento do Pavilhão 9 do antigo presídio, serão julgados pelo Tribunal do Júri nesta etapa Leia mais Marcelo Camargo/ABr

"No presídio não tem só santinho", diz ex-secretário

Antes, o secretário de Segurança Pública do Estado à época do massacre do Carandiru, Pedro Franco de Campos, disse que não há "santinho" em presídios.
Indagado pelo promotor Fernando Pereira da Silva sobre notícia de arma de fogo apreendida em presídio –no Carandiru, segundo a defesa, foram 13 apreensões --, Campos afirmou: "A maior lição que a gente tira é da vida, e o jornal mostra isso para a gente de vez em quando. Lá [nos presídios] não tem só santinho, a gente sabe disso".
Por outro lado Campos, também procurador de Justiça, alegou nunca ter tido "notícia de apreensão de arma de fogo" em presídios do Estado enquanto chefiou a secretaria, de março de 1991 a outubro de 1992.
O ex-secretário afirmou logo no início do depoimento que reiteraria outros depoimentos –como o prestado em abril, no júri em que 23 PMs foram condenados a 156 anos pela morte de 13 presos do segundo pavimento.


            Julgamento do massacre do Carandiru 

                         



'Estava precisando de uma dose de humildade', diz Cabral

Depois de ver a sua popularidade despencar e de ser alvo de seguidos protestos nas ruas, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, utilizou a entrevista coletiva na qual anunciou que não pretende mais demolir o parque aquático Júlio Delamare para fazer uma autocrítica. Demonstrando uma postura humilde e citando a visita do papa Francisco, Cabral deu uma longa entrevista, e falou de diversos assuntos, desde o tema proposto, passando pela má avaliação de seu governo pela população, até o sumiço do pedreiro Amarildo de Souza, desaparecido após ser levado à Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da comunidade da Rocinha.
“Sou cristão, e nunca fiz uso da religiosidade para a vida pública. Jamais farei. Mas me tocou muito a vinda do Papa, como governador e como ser humano. Fui reeleito governador, o mais votado da história do Rio, e certamente, estava precisando muito de muita dose de humildade. Isso faz parte do processo. Jamais terei vergonha de reconhecer autocríticas e erros”, afirmou o governador. 
Ao longo de 47 minutos de entrevista, Cabral adotou um tom moderado, e chegou até mesmo a fazer um mea culpa diante de sua resposta quando foi questionado pelo uso de helicópteros. Na ocasião, o político declarou que “todos os governadores também faziam uso de aeronaves. “Foi uma resposta horrível”, ressaltou.
Cabral anunciou que o Júlio Delamare não será mais destruído, e observou que pretende conversar com a Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt) para achar uma solução para o estádio Célio de Barros, que também tem previsão de ser colocado abaixo. 
O governador, que sempre evitou abrir uma canal de comunicação com as federações que se mostraram contrárias à decisão de demolição dos equipamentos esportivos, afirmou que errou a adotar esta postura. “Errei em não ouvir. Errei, e, por isso, estou voltando atrás. Devia ter ouvido, e não ouvi o segmento. Conheço o Coaracy (Nunes, presidente da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) há anos, diria há décadas”, observou.
Questionado se passaria a ter um comportamento menos unilateral, Cabral foi direto. “Com certeza. Por autocrítica, por um conjunto de fatores. Porque eu amo o Rio de Janeiro, eu aprendi com a vinda do Papa, aprendi com as críticas. Vai dizer então que todas as críticas estão corretas? Claro que não. Estou totalmente certo e as críticas estão erradas? Claro que não. É um processo de aprendizado, de ouvir ambos os lados, e estou aberto”, comentou.
Protestos
Alvo de seguidas manifestações, Cabral disse estar aberto a manter um diálogo com os que protestam contra seu governo, e disse que não é um “ditador”.
O governador chegou até mesmo a fazer um apelo para que os manifestantes parem de protestar em frente à sua casa, no Leblon, na zona sul da capital fluminense. Demonstrando certa emoção, argumentou que seus filhos são afetados pelos atos.
“Na porta de casa, tenho crianças pequenas. O Sérgio Cabral político é uma coisa. Mas ali, é meu filho de seis anos, é meu filho de 11 anos. É um apelo de pai mesmo. Aqui no Palácio, a manifestação é do jogo democrático. Faço um apelo do coração, como pai. É situação difícil falar da família. Não me pergunta muito sobre isso, que me emociono”, disse, acrescentando que pretendia retirar as grades que cercam o Palácio Guanabara contra os manifestantes. Logo em seguida à entrevista, o cerco começou a ser desfeito por seguranças e policiais que lá trabalham.
Ao ser questionado sobre os planos para processo de ocupação das favelas pela polícia, Cabral mencionou espontaneamente o caso de Amarildo, desaparecido desde a noite do último dia 14, após ser levado por policiais a um posto da UPP da Rocinha. 
“Estamos investigando o caso do Amarildo profundamente, querendo saber onde está Amarildo. Essa é uma pergunta que a sociedade e eu, e posso garantir que o secretário (José Mariano) Beltrame e todos nós estamos fazendo. Só que eles são os especialistas, e estão trabalhando tecnicamente para isso, e eu vocalizo uma demanda da sociedade. Situações como essas são intoleráveis, e vamos descobrir os responsáveis por isso."

Fonte: http://www.jb.com.br/rio/noticias/

O constrangimento de ter um governador sem noção

Cabral paga mico em público na despedida do Papa

Os anos passam e o governador Sérgio Cabral não aprende a se comportar em público, principalmente estando ao lado de autoridades ou pessoas públicas de projeção.  No Carnaval de 2010, quando recebeu a presidente Dilma - na época ainda ministra - no Sambódromo para assistir ao desfile das escolas de samba, o fanfarrão governador deu uma entrevista completamente bêbado para várias TVs estrangeiras,num mico internacional que só ele seria capaz de pagar. Na despedida do papa, na Base Aérea do Rio no domingo (28), novamente nosso governador “sem noção” cunha sua marca com uma gargalhada desproposital, quase assustando o sumo pontífice. Veja abaixo os vídeos dos dois vexames de Cabral.

Veja a gargalhada de Cabral a partir do 6 minuto do vídeo abaixo

 Abaixo o vídeo de Cabral e Dilma em 2010 no Sambódromo 

 

Fonte: http://www.jb.com.br/rio/noticias/2013/07/29/o-constrangimento-de-ter-um-governador-sem-nocao/

ONG

Polícia de SP tem claro padrão de execução de vítimas, diz ONG

Em carta aberta ao governador Geraldo Alckmin, a Human Rights Watch pede investigação “imediata, completa e imparcial” sobre mortes realizadas por policiais

                     PM
                     PM de SP tem claro padrão de execução de vítimas, diz ONG
A organização internacional Human Rights Watch denunciou em carta aberta nesta segunda-feira 29 que a polícia de São Paulo tem um “claro padrão de execução de vítimas” e de acobertar esses crimes. A ONG pediu que o Estado conduza “imediata, completa e imparcial” investigação sobre mortes realizadas por policiais e garanta que os oficiais que usam força ilegal sejam responsabilizados. O texto foi enviado ao governador Geraldo Alckmin (PSDB) e ao Procurador-Geral do Estado, Márcio Fernando Elias Rosa (Leia a carta AQUI).
A entidade examinou 22 casos de mortes pela polícia entre 2010 e 2012, nos quais a evidência disponível coloca em séria dúvida as alegações de que o uso da força letal foi justificada, sugerindo que as mortes foram execuções extrajudiciais.
A ONG entrevistou procuradores, defensores públicos e membros das famílias das vítimas, além de analisar as investigações policiais, relatórios oficiais de autópsias e registros de hospitais. Para a organização, há indícios de que as mortes não resultaram de tiroteios com a polícia.
A organização afirma que os agentes envolvidos nestes casos levam os corpos para os hospitais sob o falso pretexto de resgatar as vítimas, mas tinham a intenção de destruir evidências nas cenas do crime e até plantar provas nas vítimas antes que os investigadores forenses chegassem.
Em 20 destes casos, os oficiais envolvidos removeram as vítimas da cena do crime para “ajudá-las”, mas nenhuma delas sobreviveu. A Human Rights Watch também analisou os relatos de mortes em resistência à prisão do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP, da Polícia Civil) na cidade de São Paulo em 2012. Segundo os relatórios, a polícia transportou 379 pessoas a hospitais após os incidentes e 95% delas (360) morreram.
Na carta, a ONG cita exemplos da brutalidade policial. Em março de 2010, a polícia atirou em Dileone Aquino em um cemitério de Ferraz de Vasconcelos, alegando que ele havia sido ferido em uma perseguição após o suspeito ter supostamente roubado um carro. Entretanto, uma testemunha relatou ter visto a polícia puxar o homem de um carro da polícia e atirar nele a queima roupa. Os dois policiais envolvidos foram absolvidos das acusações de homicídio em maio de 2013.
A ONG também demonstra preocupação com as operações da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota, da Polícia Militar). De acordo com a carta, entre 2010 e 2012, a tropa matou 247 pessoas em incidentes de resistência no Estado, enquanto feriu apenas 12. “O número muito alto de pessoas mortas levanta dúvidas se a polícia exauriu todas as medidas não letais antes de usar força letal. É positivo lembrar que nenhum policial em serviço foi morto nestes episódios, o que levanta graves questionamentos se a força letal era sempre necessária”, ressalta a carta.
Em um episódio, a Rota relatou seis mortes por resistência após “intenso tiroteio” em um supermercado em Taipas, em agosto de 2011. Um vídeo do momento do tiroteio, contudo, mostra os policiais no supermercado virando a câmera de vigilância para fora do armazém onde o suposto tiroteio ocorreu. Fotografias dos seis suspeitos mortos indicam que eles foram alvejados múltiplas vezes na cabeça, nas costas e na nuca.
A Human Rights Watch destaca reconhecer os esforços da polícia e do governo paulista em tentar reduzir a violência. A entidade afirma que os policias do Estado enfrentam ameaças reais de violência, mas nem todas as mortes por agentes podem ser justificadas como legítima defesa.
A ONG destaca positivamente a expansão do mandato Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial (GECEP) para investigar queixas de abusos cometidos por policiais militares e encontrar casos de mortes por policiais para identificar padrões de abuso. E também elogia a resolução SSP-05, de janeiro de 2013, que proíbe os policiais de removerem vítimas de tiros da cena do crime.
A entidade pede, no entanto, que outras reformas sejam adotadas para reduzir mortes extrajudiciais por policiais e encobrimentos destes casos, como a garantia de processos judiciais contra policiais envolvidos nestes casos.
Em 2009, a ONG fez o relatório Força Letal, que documentou 16 casos em São Paulo e 35 no Rio de Janeiro nos quais a polícia parecia ter executado pessoas e declarado que elas foram mortas enquanto resistiam à prisão.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br