Impostometro

terça-feira, 2 de julho de 2013

Protestos pelo Brasil

Motoristas e cobradores bloqueiam rua em frente à Câmara de SP

Imagens do dia 

Um protesto surpresa de motoristas e cobradores de ônibus de São Paulo bloqueou, na manhã desta terça-feira (2), as entradas e saídas de três terminais de ônibus da cidade: Parque D. Pedro, Bandeira e Expresso Tiradentes
Um grupo de manifestantes bloqueou nesta terça-feira (2) a rua Maria Paula, altura do número 100, em frente à Câmara Municipal de São Paulo. De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), apenas uma das faixas está fechada.
A CET informou que se trata de um ato de motoristas e cobradores de ônibus. Mais cedo um protesto surpresa da categoria bloqueou entradas e saídas de três terminais de ônibus da cidade: Parque D. Pedro, Bandeira e Expresso Tiradentes. Os locais foram liberados por volta do meio-dia.

Protestos em Minas - Um menino de 12 anos foi baleado

Menino de 12 anos é baleado na cabeça durante manifestação em Minas Gerais
26.jun.2013 - Policiais entraram em conflito com manifestantes na praça Sete, no centro de em Belo Horizonte, durante protesto nesta quarta-feira (26)


Um menino de 12 anos foi baleado na cabeça na noite desta segunda-feira (1º) em bairro de Santa Luzia (região metropolitana de Belo Horizonte), no momento em que ocorria uma manifestação de moradores contra uma suposta precariedade na coleta do lixo na região.
Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais, o principal suspeito do disparo efetuado contra a vítima é um policial militar reformado que teria se irritado com manifestantes que retiraram lixo da porta da sua casa para bloquear a avenida Oliver Teixeira, no bairro Cristina.
Conforme relato de testemunhas à polícia, o homem havia sido xingado por um deles e, em seguida, sacou a arma e atirou contra os participantes do evento, atingindo L.D.A.L.
A criança foi socorrida e levada a um hospital de pronto atendimento do bairro São Benedito e depois transferida em estado gravíssimo para o Hospital de Pronto-Socorro João 23, em Belo Horizonte.

Um menino de 12 anos foi baleado na cabeça na noite desta segunda-feira (1º) em bairro de Santa Luzia (região metropolitana de Belo Horizonte), no momento em que ocorria uma manifestação de moradores contra uma suposta precariedade na coleta do lixo na região.
Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais, o principal suspeito do disparo efetuado contra a vítima é um policial militar reformado que teria se irritado com manifestantes que retiraram lixo da porta da sua casa para bloquear a avenida Oliver Teixeira, no bairro Cristina.
Conforme relato de testemunhas à polícia, o homem havia sido xingado por um deles e, em seguida, sacou a arma e atirou contra os participantes do evento, atingindo L.D.A.L.
A criança foi socorrida e levada a um hospital de pronto atendimento do bairro São Benedito e depois transferida em estado gravíssimo para o Hospital de Pronto-Socorro João 23, em Belo Horizonte.

Preso em flagrante

De acordo com a ocorrência, com a descrição do endereço do suspeito, os policiais foram até a residência dele, sendo atendidos pela filha do homem, que entregou um revólver aos militares afirmando pertencer ao pai. 
Ainda conforme o boletim de ocorrência, ele estava no imóvel e teria assumido a autoria do disparo. O homem foi preso em flagrante e levado para uma delegacia da cidade mineira. Ele permanece detido à disposição da Justiça.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Esse é o legado da Copa "Um dia para não esquecer"


"Esse é o legado da Copa", disse fotógrafo sobre


Imagem de fotógrafo do O POVO durante a Copa das Confederações repercute em todo País

"Não quero 15 minutos de fama, quero um Brasil melhor, mais justo e com grandes manifestações pacíficas", disse o fotógrafo Edimar Soares
notícia 4 comentários
Fotos: Edimar Soares/ O POVO
O flagrante ocorreu antes da partida Brasil e México, que aconteceu no último dia 19 de junho

O fotógrafo do O POVO, Edimar Soares, captou uma imagem durante a Copa das Confederações em Fortaleza que está rodando o País.

A foto mostra torcedores despejando lixo em uma caçamba onde se encontra uma mulher catando comida, na calçada da avenida Paulino Rocha, próximo à Arena Castelão. O flagrante ocorreu antes da partida Brasil e México, que aconteceu no último dia 19 de junho, quando a Seleção venceu por 2 a 0.
"Esse é o legado que a Copa das Confederações deixa para algumas pessoas, uma cena humilhante", escreveu o fotógrafo em seu perfil no Facebook.

                    


A maioria dos artigos mostra a foto como um contraste de realidade no País e um momento emblemático. "Um choque de realidade para expor, sem censura, o abismo que existe no País - que torneio algum vai ajudar a diminuir", disse o jornalista do Esporte Interativo, Bruno Formiga, que teve seu texto postado no Blog do Noblat, juntamente com a foto de Edimar Soares.
A imagem também ficou entre as 10 melhores fotos da Copa das Confederações 2013, segundo o Globoesporte.com. A foto viralizou nas redes sociais e já passa dos 50 mil compartilhamentos no Facebook."Tem muita gente vendo esta imagem. A minha responsabilidade aumenta e o amor por minha profissão também, obrigado a todos", disse Edimar Soares.

                              

Confira o relato do fotógrafo do O POVO:


"Um dia para não esquecer.

Quarta-feira (19/06/2013), dia de jogo entre Brasil e México e de uma manifestação por um Brasil melhor, nas imediações da Arena Castelão. Minha pauta era acompanhar o percurso do repórter Lucas Catrib como um torcedor comum, observando os pontos positivos e negativos, como mobilidade, segurança e organização do evento, até a sua entrada no estádio. Saímos do Centro de Eventos do Ceará, pegamos um ônibus até a avenida Paulino Rocha e depois terminamos o caminho a pé, junto com os milhares de torcedores rumo à Arena.

Quando cheguei ao Centro de Eventos, tive uma grata surpresa. Encontrei um primo que não via há 16 anos, e uma fila de ônibus quase tão grande quanto o números de pessoas para embarcarem neles. Cumprimentos, abraços e registro fotográfico feito, me despedi e comecei meu trabalho. Não demorou nada e já estávamos dentro de um ônibus. A fila andou bem rápido, fizemos um percurso que eu nunca tinha feito, ruas estreitas de calçamento foram aparecendo na minha frente e perguntei que caminho era esse. Alguém responde, "é para a gente não passar no meio da manifestação". Nesse instante, me dei conta que meus colegas já estavam em campo. Em campo de batalha, fiquei sabendo depois. Confesso que me deu uma vontade grande de estar lá com eles, ao invés de ir para o jogo, uma pauta mais "leve". Não que eu quisesse que uma bomba de gás estourasse perto de mim ou ser alvo de uma bala de borracha. Muito menos ser atingido por uma pedra ou algo parecido. Gostaria de estar ali por patriotismo e coleguismo. Queria ser testemunha de um ato que era para ser pacífico e quem sabe o começo de grandes mudanças. Mas essa não era a minha pauta, então fiz o que de costume: tentar fazer o melhor trabalho esteja eu onde estiver. Debaixo de um sol escaldante, acompanhamos os torcedores do inicio da avenida até o Castelão. Felizes, sorridentes com seus amigos e famílias, bebendo e comendo, ouvindo músicas de bandinhas de forró, que foram colocadas no corredor que dava acesso ao estádio. Fotografei tudo que achava que podia dar uma boa foto, inclusive o repórter que acabou ganhado um book.

No final do percurso paramos para beber água e limpar o suor. Nesse momento, me deparei com uma mulher dentro de um pequeno container de lixo, todos padronizados e com uma rede e traves montada na parte de cima como se fosse para fazer gol. Com as latas, as garrafas e o resto de comida, ela estava ali dentro separando lixo para reciclagem. Como era um container alto, as pessoas não conseguiam vê-la, a não ser que chegassem bem perto. Ela, no entanto, não estava preocupada com os objetos que caiam do céu. O mais importante era encher os sacos antes que a fiscalização chegasse. Fiquei ali por alguns minutos e flagrei um pouco de tudo sendo jogado. Fiquei esperando ela sair, e com uma facilidade de quem já tinha entrado, ela saiu e jogou o saco cheio de latas e garrafas para fora do corredor verde e amarelo, e foi embora.

Essa imagem foi postada nas redes sociais e ganhou proporções inacreditáveis. Vários sites e blogs publicaram, milhares de pessoas compartilharam. Gerou uma polêmica pela veracidade e força da imagem e também pelo inconformismo de várias pessoas, pela diferença social que assola o nosso País,

Não existe montagem, não mudei a posição do sol, não dei dinheiro a ela. Apenas registrei o que estava acontecendo e, com essa foto, veio uma certa visibilidade. Várias pessoas me mandaram mensagens positivas, como também recebi comentários absurdos. Não quero 15 minutos de fama, quero um Brasil melhor, mais justo e com grandes manifestações pacíficas."

Secretaria de Direitos Humanos do Cid

Secretaria de Direitos Humanos está 'alheia' a excessos em protestos, diz deputada

Pasta coordenada por Karlo Kardozo estaria "alheia" às denúncias de violência contra manifestantes, afirma presidente da comissão de Direitos Humanos da Assembleia

Entidades de Direitos Humanos do Ceará criticaram nesta segunda-feira, 1º, “silêncio” do secretário de Direitos Humanos de Fortaleza, Karlo Kardoso (PSB), sobre possíveis excessos policiais durante protestos das últimas semanas no Município. Segundo a presidente da comissão de Direitos Humanos da Assembleia, Eliane Novais (PSB), a pasta tem se mantido “alheia” às denuncias de violência desde o início das manifestações.

“A Secretaria de Direitos Humanos (SDH) está completamente alheia. Não emitiu uma nota, não vimos nenhuma manifestação. É uma crise (...) a SDH está amordaçada, não reage, não apresenta nada de novo. Precisa abrir esse canal e transformar em ações que o povo quer receber”, afirma a deputada.
Na última segunda-feira, 24, o Ministério Público do Ceará (MP-CE) instalou comissão intersetorial para apurar possíveis excessos de manifestantes e policiais nos protestos da Capital. Na ocasião, o promotor responsável pelo grupo, Iran Sírio, admitiu a existência de uso irresponsável de bombas de gás e tiros de bala de borracha na repressão de manifestantes.
Direitos Humanos
A coordenadora do Escritório Frei Tito de Direitos Humanos, Renata Praciano, evita entrar no assunto, mas diz “estranhar“ a ausência de órgãos oficiais do Município e Estado nas discussões sobre o tema. “É de estranhar, porque os órgãos de Direitos Humanos tem que estar presentes. Posso falar sobre o Frei Tito: estamos acompanhando o desenrolar das manifestações”, disse.

O POVO tentou entrar em contato com o secretário Karlo Kardozo por diversas vezes durante esta segunda-feira. No entanto, a assessoria de imprensa da Secretaria de Direitos Humanos afirmou que ele estava com agenda “corrida”. Ao longo do dia, o gestor participou de diversas reuniões sobre projetos da gestão, incluindo encontro geral do Plano Plurianual (PPA) do Município.
Além do Frei Tito e da comissão da Assembleia, compõem a comissão do MP-CE representantes da Polícia Militar do Estado, Polícia Civil, Defensoria Pública, Ouvidoria do Estado e Conselho Estadual de Segurança Pública. 
Redação O Povo Online

Falsas vozes podem prejudicar atos autênticos

Falsas vozes podem prejudicar atos autênticos

Jovens que emergiram dos protestos causam polêmica

Representantes de movimentos sociais denunciam que falsas vozes podem prejudicar atos autênticos

A “força das ruas” levou jovens ativistas ao gabinete da presidente Dilma Rousseff e de seus ministros, numa conquista sem igual de credibilidade e respeito da juventude. Mas, assim como surgiram os vândalos em meio aos atos pacíficos, figuras isoladas tentaram penetrar nesse processo legítimo de comunicação e acordos entre movimentos juvenis e Congresso Nacional, denominando-se líderes únicos de atos caracterizados por sua multiplicidade. O combate à corrupção foi a bandeira dos supostos líderes. O caso mais recente é do técnico de segurança do trabalho, Maycon Freitas, da União Contra a Corrupção (UCC), uma rede social criada no dia 11 de maio e que é alvo de desconfiança das organizações oficiais.
Freitas, que assumiu na imprensa a posição de “Líder das Massas”, admite ter votado no Lula para presidente nas eleições de 2002, mas depois se desiludiu com o PT, “porque abandonou a bandeira da ética, que era deles”; não é a favor dos partidos políticos, “pois são grupos fechados que só servem para os políticos formarem conluios bem longe da vontade do povo” e justifica a sua participação nas manifestações por ele e seus amigos “estarem cansados de tantas histórias de corrupção”. Freitas diz que seu grupo “não é de direita, de esquerda e nem de centro”.
Representantes de movimentos jovens se reuniram na semana passada com a presidente Dilma Rousseff
Representantes de movimentos jovens se reuniram na semana passada com a presidente Dilma Rousseff
EQUÍVOCO
Para o sociólogo e cientista político da UFRJ, Paulo Baía, é impossível eleger um único líder em protestos múltiplos e de pautas que podem representar linhas de pensamento contrárias, como o aborto e a legalização da maconha, por exemplo.
- As atuais manifestações têm um diferencial que é o ponto chave de todo o processo, elas têm centenas de líderes espalhados por todo o Brasil, que estão defendendo temas específicos e muitos deles antagônicos. Considerando esse fato, é impossível nomear um líder único para representar as multidões que estão nas ruas, isso é um absurdo. O que podemos observar é que quando um jovem faz um pronunciamento, os demais se identificam com o sentimento dele, mas isso é algo diferente de liderança, não representa que haja ali uma unidade. Considerar o Maycon líder dos manifestos é um equívoco e, com certeza, isso vai provocar uma rejeição à sua imagem por parte das massas, avalia Baía.
Segundo o sociólogo, o erro daqueles que estão tentando criar líderes momentâneos para transmitir mensagens em meio aos protestos, reside na incompreensão dos reais motivos dos atos e ainda estão amparados em parâmetros ultrapassados para analisar os fatos recentes. “Até nós, professores universitários, os governantes e a própria população ainda estamos procurando entender o que está acontecendo no Brasil, é algo muito novo, transformador. Inclusive, os parlamentares estão apreensivos com essa situação, pois não conseguem identificar um líder, uma unidade, mas estão aprendendo a conviver e lidar com a multiplicidade de reivindicações e classes protestantes”, completou Baía.
DESCONHECIDO
Presidente do Conselho Nacional da Juventude, Alessandro Melchior participou das reuniões com a presidente Dilma Rousseff, em Brasília, e com o ex-presidente Lula, em São Paulo e afirma não conhecer Maycon Freitas, nem dos encontros oficiais e nem das manifestações.
- Nunca ouvi falar de Maycon Freitas. Além do MPL (Movimento Passe Livre), as organizações que fazem parte do Conselho Nacional de Juventude estavam desde o início das manifestações em São Paulo, isso está nas notas e manifestos que foram lançados no início dos atos, tudo disponível na rede. Se você perguntar para qualquer pessoa ninguém conhece esse cara. Essa turma precisava sair do Higienópolis e do Leblon, andar de ônibus, conhecer o Capão Redondo em São Paulo, a Maré e o Alemão, no Rio. Ler um pouco, inclusive. Sempre digo que instrução e realidade não fazem mal a ninguém, revelou Melchior.
Com relação ao perfil da UCC na internet, Melchior considerou como “mais uma dessas redes virtuais de jovens brancos de classe média-alta, com excesso de tempo livre e com tendências neofascistas”. Melchior chegou a essa conclusão através dos discursos da UCC, que segundo ele são “superficiais e as denúncias são sensacionalistas, sobre golpe comunista no Brasil”.
- É toda a reprodução do discurso da direita hoje. Quando ele critica o Renan Calheiros, por exemplo, ele representa a instituição, a própria existência do Senado. Antes dele tivemos o Sarney, o ACM, o Jader Barbalho. Personificar o problema é sinônimo de falta de capacidade de analisar o contexto. O bicameralismo, a lógica de uma câmara alta, dos lordes, isso é anacrônico. Portanto, a crítica ao Renan é uma crítica sensacionalista, que não leva a lugar nenhum, avalia o presidente do conselho.
Buscando as motivações que desencadearam os protestos, Melchior lembra que eles surgiram em defesa da melhoria do transporte público e pela redução dos preços das passagens. Mais tarde, caminharam para a ampliação de direitos sociais, ainda incluindo uma crítica do transporte público como um direito e não como serviço, como acontece hoje. Evoluindo as discussões sobre os atos, somente nesse momento foi incluída a pauta de combate à corrupção.
- E essa pauta do combate à corrupção foi incorporada de forma torta, porque dizer que é contra corrupção todo mundo diz. O problema é o foco, a proposta. Aí a capacidade de incidência reduz, pois o senso comum impera. No Brasil, se criou paulatinamente um discurso de vincular a corrupção ao público e à política, ignorando os bastidores, as empresas, o mercado. Quase todos os casos de corrupção no país têm uma relação direta com setores empresariais que financiam as campanhas. Acabar com o investimento privado é o primeiro passo, sem isso, fica no blá blá blád e militante coxinha, ponderou Melchior.
CONTRADIÇÃO
Repercutindo as declarações de Maycon na imprensa, Alessandro Melchior acredita que Freitas se contradiz nas suas colocações, pois ele cita a criação de hospitais, como se o problema fosse somente de equipamentos públicos e redução de impostos.
- Quem vai financiar isso com a redução dos impostos? Não há embasamento concreto. O Brasil possui menos médicos por habitantes que a Argentina. Isso é problema concreto que se resolve a médio prazo, com mais vagas de medicina nas universidades e, agora, com a importação de profissionais estrangeiros, como já estamos fazendo em várias áreas. O próprio PSDB e o Serra eram favoráveis quando estavam no Ministério da Saúde. Agora, são contra. Na reforma política, a página da UCC fala que o plebiscito é golpe. Eles atacam o Congresso, desqualificando a política e defendem que esse mesmo Congresso faça a reforma política e o povo assine embaixo por referendo depois? É um problema de organização do discurso e capacidade cognitiva, é basicamente o que fica explícito nessa entrevista, analise o presidente da CNJ.

Radicalizar é difícil, diz idosa

Radicalizar é difícil, diz idosa de grupo de aposentados acampado em prédio de fundo de pensão no Rio

                   Os manifestantes ocupam uma sala do Instituto Aerus, no centro do Rio, desde a última quinta-feira
  • Os manifestantes ocupam uma sala do Instituto Aerus, no centro do Rio, desde a última quinta-feira
Um grupo de 13 aposentados, com média de 75 anos de idade, ocupa desde a última quinta-feira (27) uma sala de 12m² no Instituto Aerus, sede do fundo de pensão dos aeroviários, no centro do Rio de Janeiro. "Somos pessoas de idade, radicalizar é difícil, mas estamos firmes. Não vamos sair daqui a ter uma posição sobre a nossa aposentadoria e os benefícios", afirmou a ex-presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Graziella Baggio, 71, que trabalhava como comissária de bordo.
                                  Julia Affonso/UOL
  • Os aposentados levaram colchões e alimentos para passarem os dias no prédio
Os aposentados e pensionistas da antiga Varig e Transbrasil decidiram ficar no local até que o STF (Supremo Tribunal Federal) tome uma decisão sobre o processo em que o governo foi condenado pelo plenário do Supremo, em 2010, a assumir o pagamento integral das aposentadorias de 10 mil ex-funcionários das empresas. 
Nos últimos cinco dias dentro do Aerus, os 13 idosos permaneceram dentro do instituto. Às 19h, quando o escritório fecha, eles conseguem descansar no sofá da recepção. De acordo com o diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Marcelo Bona, 61, a chegada ao instituto foi feita de forma surpreendente.
"Já fizemos muitas manifestações, resolvemos radicalizar. Viemos em grupos, trouxemos colchões, comida e nos instalamos aqui. Decidimos na própria quinta-feira, pela manhã, e viemos durante a tarde", explica ele. 
                           

Protestos no Rio de Janeiro

1º.jul.2013 - Manifestantes de preto, identificados como membros do grupo anarquista Black Block, participam de protesto no centro do Rio de Janeiro na noite desta segunda-feira

A antiga comissária Graziella contou que durante o fim de semana o prédio foi trancado, como ocorre toda semana, e o grupo não pôde sair do local. "Ficamos sem luz durante 45 minutos. O ar condicionado parou de funcionar e ficou muito quente. Queríamos fazer um revezamento, para ir em casa descansar, mas não foi possível", conta ela. "Estamos vendo se conseguimos um médico para vir examinar todo mundo, conferir a pressão."

Reivindicações

Segundo o comandante aposentado Zorocastro Ferreira Lima Filho, 82, o fundo de pensão vem reduzindo os pagamentos desde 2006. Do montante total que ganhava, atualmente ele recebe 8%.
"Houve primeiramente uma diminuição para 70% e depois para 50%. Nos últimos três anos, estamos recebendo apenas 8% do valor total das aposentadorias. A nossa média de idade é de 75 anos, precisamos de remédios, planos de saúde", conta. "É uma humilhação trabalhar tanto tempo e terminar assim."
O interventor José Pereira Filho, nomeado pelo governo para trabalhar no Aerus, informou que o responsável por resolver a situação é o STF. "Não posso falar muito sobre o caso. Eu me sensibilizo com a causa, mas o Supremo é quem pode resolver isso", diz ele.
Graziella Baggio diz que as aposentadorias recebidas pelo fundo de pensão, atualmente, variam entre R$ 200 e R$ 1.000. "O fundo era financiado por um tripé: empresa, funcionários e 3% dos valores das passagens. As empresas não repassaram ao instituto a parte delas e a nossa. O governo era o responsável por fiscalizar esse repasse do dinheiro para o fundo de pensão e não viu que isso não estava acontecendo?", explica. "O Aerus não tem mais dinheiro para a aposentadoria destes 10 mil ex-funcionários, e o último pagamento sai em agosto, referente a julho. Depois não tem mais dinheiro."
Em 2010, os aeronautas ganharam uma ação civil pública dos sindicatos contra a União, na qual o governo foi considerado responsável pela falta de fiscalização do Aerus, e obrigado a assumir o pagamento integral das pensões e aposentadorias. 
"Os sindicatos já conquistaram o ganho da causa em primeira instância, mas a antecipação de tutela concedida não foi cumprida pela União, e um recurso conseguiu adiar esse pagamento", afirma Graziella.

 

 

 

Datafolha

Aprovação de Sérgio Cabral cai de 55% para 25%, aponta Datafolha

Segundo pesquisa, governador do Rio despencou 30 pontos percentuais.
Levantamento do Datafolha foi realizado em 27 municípios do estado.

                           

Depois de atingir o pico de sua popularidade na série do Datafolha no Estado do Rio, em novembro de 2010, o governador Sérgio Cabral despencou 30 pontos percentuais em pesquisa realizada pelo instituto e publicada no jornal "Folha de S.Paulo".
No levantamento de sexta-feira, após seis anos e meio de mandato, ele obteve 25% de ótimo e bom, a menor pontuação da série, principalmente se levado em consideração que, em novembro de 2010, Cabral atingiu o ápice com 55% de ótimo.
Em março de 2007, quando foi eleito pela primeira vez, Cabral tinha aprovação de 48% de seu governo, considerado ótimo pelas pessoas ouvidas.
A soma de ruim e péssimo também é a maior, 36%, em junho. Em novembro passado, o índice era de 12% e em março de 2007, era de 11%. Cabral foi alvo dos manifestantes, que acamparam na frente de seu apartamento.
A pesquisa foi realizada nos dias 27 e 28 de junho. Foram ouvidas 1.108 pessoas em 27 municípios. A margem de erro é dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Avaliação de Eduardo Paes despencou 20 pontos percentuais
A avaliação do governo do prefeito do Rio, Eduardo Paes, também caiu. Segundo a pesquisa Datafolha, Paes caiu de 50% para 30%. A pesquisa realizada entre os dias 27 e 28 de junho com 605 entrevistados e tem margem de erro de quatro pontos percentuais para mais ou para menos.
De acordo com a  série da Datafolha,  Paes tinha aprovação 38% em março de 2009, chegou a 50% em agosto de 2012 e agora, após as manifestações que tomaram conta da cidade, o índice de ótimo baixou para 30%.
Diversas manifestações aconteceram em junho
Ao longo do mês passado, uma série de protestos aconteceram em todo o estado do Rio pedindo a redução das tarifas de ônibus e a melhoria na qualidade de vida da população. Em algumas, os manifestantes chegaram a acampar em frente ao prédio onde mora o governador no Leblon, na Zona Sul do Rio.
Representantes de moradores da Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu se reuniam, na sexta-feira (28), com o governador no Palácio Guanabara, em Laranjeiras, para discutir questões de interesse das comunidades. Segundo Denis Neves, estudante de Design, nascido e criado na Rocinha, a principal reivindicação é o saneamento básico, seguido de educação, saúde e transporte.

Na quinta (27), cinco integrantes do grupo de estudantes que acampou em frente à casa do governador.  Durante o encontro, o representante do grupo nomeado "Somos o Brasil", Eduardo Oliveira, informou que ele não faz mais parte do grupo que permanece acampado perto da casa do governador, na Rua Delfim Moreira. Na reunião, o grupo pediu mais segurança ao governador durante os protestos.