A voz de Ulysses Guimarães na luta
contra a ditadura
Ele criou frases que se eternizaram no léxico político
GUILHERME EVELIN
Tancredo Neves reinava nos bastidores. Ulysses Guimarães dominava o palanque e a tribuna. Ele tinha o dom da palavra. O próprio Ulysses dizia que a ele se aplicava a definição dada ao escritor francês Gustave Flaubert, autor de Madame Bovary. “Lambe as palavras como a vaca lambe a cria.” Alguns de seus discursos no enfrentamento da ditadura se tornaram peças clássicas da oratória política, uma arte hoje esquecida. Sua obra-prima foi o manifesto da anticandidatura à Presidência da República contra o general Ernesto Geisel, em 1973, um discurso em forma de poesia. Criou também axiomas que se eternizaram no léxico dos políticos. Por isso, foi comparado a Winston Churchill, o estadista inglês. A comparação foi feita ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva por peemedebistas de São Paulo que, à revelia de Ulysses, tramavam o apoio do PT à candidatura de Tancredo ao Palácio do Planalto. Um dos peemedebistas era o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, segundo conta o jornalista Jorge Bastos Moreno, colunista político de O Globo, no livro A história de Mora – A saga de Ulysses Guimarães. O livro é um delicioso relato de reminiscências da convivência de Moreno com Ulysses. Foi dessa obra
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