Documentos americanos podem esclarecer fatos sobre o golpe de 64
Carta
enviada pelo presidente do Senado Federal do Brasil, Renan Calheiros
(PMDB-AL), ao presidente do Senado dos Estados Unidos, Joe Biden, é a
mais recente tentativa do Estado brasileiro de ter acesso a documentos
da Central de Inteligência Americana (CIA) sobre os anos que antecederam
o golpe militar de 1964.
Na
carta, Renan Calheiros se baseia no “longo histórico de relações
bilaterais” entre Brasil e Estados Unidos para solicitar a liberação de
documentos sigilosos relativos às violações de direitos humanos e
liberdades democráticas havidas no Brasil entre os anos de 1964 e 1988. O
presidente do Senado brasileiro pede ainda Biden que colabore “no
sentido de apoiar a luta pelos direitos humanos no Brasil e o resgate
histórico de um período nebuloso de supressão das liberdades
democráticas em nosso País”.
Calheiros
diz ainda que, “a despeito do retorno à normalidade democrática no
Brasil, ainda restam muitos episódios referentes ao golpe de 1964 que
precisam ser esclarecidos, vítimas a serem reconhecidas e danos a serem
reparados”. Para isso, ele considera essencial a colaboração das
instituições norte-americanas no sentido de facilitar o acesso a dados e
informações que possam ter sob seu controle a respeito desse período.
Além
disso, Renan comunica ao presidente do Senado americano que uma
comissão de senadores brasileiros será designada para ir aos Estados
Unidos tratar do assunto pessoalmente com representantes do Congresso
americano.
A
carta foi motivada por um pedido direto do filho do
ex-presidente João
Goulart, deposto pelo golpe. João Vicente Goulart procurou os
representantes da Comissão de Direitos Humanos do Senado, após anos
tentando, junto com outros membros da família, ter acesso a documentos
cuja classificação de sigilo já deveriam ter sido retirada nos Estados
Unidos.
“Os
Estados Unidos têm vários arquivos [sobre o golpe brasileiro]. Embora
tenha uma lei que permita o acesso a alguns documentos com 25 anos,
outros com 50 anos, a gente precisa saber onde os documentos estão. Eles
fazem isso justamente para dificultar e nós acreditamos que com o
pedido de Estado para Estado fique muito mais fácil”, explicou.
João
Vicente está convicto que os documentos em poder do Estado
norte-americano vão conter fatos ainda desconhecidos sobre a história
brasileira. Segundo ele, é importante o envolvimento de toda a sociedade
brasileira no sentido de pressionar para ter acesso a essas
informações. “Acho que principalmente sobre o golpe nós vamos ter muitas
informações novas. Até hoje quando eles fazem a desclassificação ainda
aparecem tarjas pretas que não permitem a leitura de determinados
trechos dos documentos”, diz.
O
presidente da subcomissão da verdade, que faz parte da Comissão de
Direitos Humanos, senador Randolfe Rodrigues (PMDB-AP), conta que entre
os documentos aos quais se pretende ter acesso estão os depoimentos de
agentes da CIA ao Senado americano na década de 1970. De acordo com ele,
esses depoimentos podem conter informações sobre a influência dos
Estados Unidos no golpe que depôs o presidente João Goulart.
“Queremos
saber qual foi todo o procedimento da Central de Inteligência Americana
em relação à ditadura militar brasileira, aos militantes políticos
brasileiros e também [em relação à] morte do presidente João Goulart.
Nós acreditamos que esses documentos vão mostrar também ligações com a
Operação Condor”, diz o senador.
Tanto
João Vicente Goulart, quanto Randolfe Rodrigues acreditam que o momento
histórico, em que se completam 50 anos do golpe no dia 31 de março, é
relevante para trazer à tona novas informações que os documentos podem
conter.
Fonte: Agência Brasil
(AG)
http://www.oestadoce.com.br/noticia/documentos-americanos-podem-esclarecer-fatos-sobre-o-golpe-de-64
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