No Rio de Janeiro, rosto coberto é crime inafiançável
- Estados do Brasil:
Determinação da Justiça é para que a polícia faça a
identificação criminal de pessoas que participarem de manifestações com
o rosto encapuzado; sete já foram presas
Adeptos
da tática anarquista Black Bloc foram presos nesta quarta-feira (4) no
Rio de Janeiro. Seis administradores e um criador de conteúdos da página
do Facebook dos ativistas foram encaminhados à 6ª DP pelos crimes de
formação de quadrilha armada e incitação à violência. Os dois crimes são
inafiançáveis.
A determinação da Justiça do
Rio é para que a polícia faça a identificação criminal de pessoas que
participarem de manifestações com o rosto encapuzado.
A
decisão é da 27ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do estado, que
atendeu ao pedido da Comissão Especial de Investigação de Atos de
Vandalismos em Manifestações Públicas (CEIV). A Comissão é formada por
representantes do Ministério Público e das polícias Civil e Militar.
Com
isso, quem for flagrado usando máscaras, capuzes ou lenços na cabeça
pode ser abordado pela polícia, que está autorizada a pedir a retirada
do material usado para cobrir o rosto.
Além de
encarcerar, a polícia também está confiscando computadores e notebooks
para levantar mais provas que possam ratificar a prisão das pessoas.
A
chefe da Polícia Civil, Marta Rocha, disse que o material apreendido
será encaminhado ao Poder Judiciário, e que a polícia vai analisar o
conteúdo. “Essa investigação, que hoje chegou aos administradores da
página do Black Bloc no Facebook, sofrerá ramificações e continuaremos a
investigar essas pessoas”, explicou.
Os
ativistas contestam as prisões ‘arbitrárias’ realizadas pela polícia a
mando da Justiça carioca, que obriga os manifestantes a entregarem suas
senhas pessoais. “Mais uma inconstitucionalidade do governo carioca.
Ninguém é obrigado a fornecer senha e, inclusive, pode permanecer em
silêncio absoluto até a chegada do advogado”, contesta o Black Bloc em
sua página oficial.
Na casa de um dos presos
foi recolhida uma máscara de gás para ‘provar a detenção do suposto
criminoso’. No entanto, o equipamento é comumente usado por
manifestantes para evitar a inalação de gases ácidos atirados pela PM.
“Os vândalos do Choque, com suas roupas sem identificação e usando as
máscaras de gás, vão apresentar os documentos de identidade também?”,
questionaram os ativistas referindo-se aos policiais que usam máscaras.
“Estão
querendo transformar táticas e ideologias em movimentos. Estão querendo
transformar cidadãos em líderes. E assim, um a um, vão fazendo
exatamente o que se fazia na ditadura”, completam.
Setembro Negro
Ativistas
da tática Black Bloc e da Frente Independente Popular (FIP) convocam um
ato para o dia 7 de setembro no Rio de Janeiro. O ponto de encontro
será na esquina da avenida Passos com a Presidente Vargas.
O
Setembro Negro, como está sendo chamada a manifestação, será em apoio
aos ativistas que foram presos nesta quarta-feira (4). Muitos seguidores
da página do Black Bloc do Rio se articulam para irem com os rostos
cobertos, em protesto contra as detenções.
Quem são os Black Blocs?
Em contraste com meios de comunicação que procuram deturpar a configuração dos Black Blocs, o Brasil de Fato apurou, durante uma manifestação contra a revista Veja em São Paulo, que os jovens que praticam ações diretas contra a opressão capitalista são oriundos de bairros pobres e periféricos.
Em sua maioria, trabalhadores e estudantes que convivem diariamente com a violência do Estado.
“Destruímos
bancos porque eles servem ao capitalismo. Eles geram miséria, ódio,
tristeza e desavença na população”, explicou um manifestante.
Durante
os protestos, eles andam sempre juntos e, usualmente, atacam bancos,
grandes corporações ou qualquer outro símbolo de instituições. Essa é a
defesa do oprimido contra o opressor. Ninguém é invisível. Essa
invisibilidade é imposta pelo capitalismo”, finalizou.
Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/25773
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