Fonte: http://veja.abril.com.br
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Após bloqueio no G20 sobre a Síria, tensão cresce entre Rússia e EUA
AFP - Agence France-Presse
Ante a inflexível recusa russa, os Estados Unidos não conseguiram
ampliar sua aliança contra a Síria no G20 de São Petersburgo, o que fez
redobrar as críticas de Moscou, que advertiu os Estados Unidos sobre o
risco de ataque ao arsenal químico sírio.
A tensão entre os dois países, cujas relações estão em seu nível mais
baixo, aumentou após uma breve trégua que durou apenas alguns segundos
com o aperto de mãos entre Vladimir Putin e Barack Obama na abertura da
cúpula na quinta-feira.
A Rússia não teve nada a acrescentar ao debate político sobre a Síria
nos Estados Unidos; Moscou mantém o Conselho de Segurança como "refém":
os americanos estão fartos com o implacável bloqueio, reforçado
quinta-feira à noite durante o jantar no Palácio Peterhof, a poucos
quilômetros da antiga capital imperial russa.
"Não acredito que os russos tenham nada a acrescentar ao debate nos
Estados Unidos, já que conhecemos a posição da Rússia sobre uma eventual
intervenção militar na Síria", disse Ben Rhodes, conselheiro adjunto de
segurança nacional para comunicações estratégicas da Casa Branca.
Na quinta-feira, a embaixadora dos Estados Unidos nas Nações Unidas,
Samantha Power, acusou Moscou de manter "refém" o Conselho de Segurança,
impedindo, junto com a China, qualquer plano de ataque.
=== Novo navio de guerra ====
Nesta sexta-feira, o ministério russo das Relações Exteriores
advertiu o governo dos Estados Unidos sobre o risco de atacar os
depósitos de armas químicas do regime sírio.
"Advertimos às autoridades americanas e seus aliados que qualquer
ataque contra instalações químicas e os arredores provocaria uma virada
perigosa na crise síria", segundo um comunicado.
Moscou também continua a reforçar sua frota na costa síria.
Washington e Paris defendem um ataque militar contra a Síria como
punição ao suposto uso de armas químicas no dia 21 de agosto contra
civis.
Um novo navio de guerra segue para a região após embarcar uma "carga
especial" em Novorossiïsk (Mar Negro), anunciou nesta sexta uma fonte
militar citada pela agência Interfax.
A Rússia, cujos navios de guerra estão posicionados no leste do
Mediterrâneo desde o início da crise síria, enviou vários outros navios,
incluindo destróieres, um de observação eletrônica e dois grandes de
desembarque.
Alguns líderes, como o secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon, ainda tentaram salvar o que poderia ser o G20.
A tradicional foto de família foi registrada em poucos segundos em
frente do Palácio de Constantino, com Barack Obama e Vladimir Putin
separados pelo presidente da Indonésia, Susilo Bambang Yudhoyono.
Ban ki-Moon encontrou-se nesta sexta com o presidente francês
François Hollande e o primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan, dois
membros do campo favorável a uma intervenção, e Angela Merkel, que
acredita em uma solução política.
De acordo com fontes alemãs, a chanceler alemã foi convidada a
fornecer "o mais rápido possível", os resultados da investigação dos
inspetores da ONU sobre o ataque químico de 21 de agosto.
==== Situação humanitária ====
Ban Ki-moon também participou de uma reunião de trabalho sobre a
situação humanitária na Síria, dizendo que a ação humanitária "sofria de
limitações de acesso, insegurança e dificuldades financeiras".
"Devo advertir que uma apressada ação militar" vai contribuir para
aumentar a violência entre religiões no país, acrescentou Ban.
O enviado especial da ONU Lakhdar Brahimi, chamado a São Petersburgo
pelo secretário-geral da ONU para ajudar a defender a causa da
não-intervenção, deve participar ao meio-dia do almoço de trabalho com
ministros das Relações Exteriores do G20.
Os ministros das Relações Exteriores e da Defesa da União Europeia
devem se reunir sexta-feira e sábado, em Vilnius para tentar encontrar
uma posição comum.
A tensão entre russos e americanos aumenta a medida que se aproxima o
dia 9 de setembro, a data oficial do retorno do Congresso americano que
votará a favor ou contra os ataques.
Em uma tentativa de ganhar apoio, Obama cancelou uma viagem planejada
na segunda-feira para defender o seu projeto de intervenção.
O presidente do Parlamento sírio pediu aos congressistas dos Estados
Unidos que não autorizem um ataque militar contra seu país, informou a
agência de notícias estatal Sana.
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