Com peso de países emergentes, FMI corta estimativa de crescimento global
Órgão internacional verifica desaceleração da economia dos países em desenvolvimento
O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu nesta
terça-feira (9) pela quinta vez desde o início do ano passado suas
estimativas para o crescimento global, devido à desaceleração dos
mercados emergentes e à prolongada recessão na Europa.
Em sua avaliação do meio do ano sobre estado da economia
mundial, FMI também advertiu que o crescimento global pode desacelerar
ainda mais se a retirada do enorme estímulo monetário nos Estados Unidos
levar a uma reversão dos fluxos de capital e reduzir o crescimento nos
países em desenvolvimento.
O FMI cortou sua previsão para o crescimento global em
2013 a 3,1%, mesmo ritmo de expansão do ano passado, mas abaixo da
previsão de 3,3% divulgada em abril. O Fundo também reduziu sua previsão
para 2014 a 3,8%, ante previsão anterior de 4%.
Desde abril do ano passado, o Fundo reduziu em todos os
principais relatórios sua previsão de crescimento para 2013, após ter
projetado inicialmente que a economia global iria expandir em até 4,1%
este ano.
Os mercados emergentes, que tinham sido anteriormente o
motor da recuperação global, contribuíram para a piora da perspectiva,
no relatório intitulado "Dores do Crescimento". O FMI reduziu sua
previsão de crescimento em 2013 dos países em desenvolvimento para 5%,
incluindo uma previsão menor para os Brics -- China, Brasil, Rússia,
Índia e África do Sul.
O órgão com sede em Washington disse que subestimou a
profundidade da recessão na Europa, e também não esperava que os Estados
Unidos iriam adotar cortes de gastos que contribuíram para um
crescimento menor.
Um importante estrategista do Goldman Sachs disse na
semana passada que os investidores vão pagar um preço alto por terem
apostado muito no mundo em desenvolvimento, onde os países desde a China
ao Brasil estão tendo que lidar com menores expectativas de crescimento
e a possibilidade de distúrbios sociais.
"Os riscos de desaceleração mais duradoura do crescimento
das economias emergentes aumentaram, devido às restrições domésticas de
capacidade, menor crescimento do crédito e condições externas fracas",
disse o FMI na atualização do seu World Economic Outlook.
O Fundo disse que a recente a volatilidade nos mercados
financeiros foi uma reação temporária ao menor crescimento nos países
emergentes e às incertezas sobre quando o Federal Reserve, o banco
central dos EUA, começaria a reduzir seu programa de compra de títulos.
Mas se a volatilidade continuar, a perspectiva para o crescimento poderia ser ainda pior, disse o FMI.
O FMI também previu que a zona do euro continuará em
recessão neste ano, com contratação de 0,6%, antes de se recuperar
ligeiramente no próximo ano com um crescimento um pouco inferior a 1%.
(Anna Yukhananov)
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