Impostometro

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Microsoft

Fui... E agora?

Steve Ballmer, CEO da Microsoft, anuncia aposentadoria no momento em que a empresa passa por seu maior desafio. Que rumos a dona do Windows seguirá para voltar a brilhar no mercado da tecnologia?

Por João VARELLA

Assista à entrevista com o repórter João Varella

O maior entusiasta da Microsoft anunciou que deixará a empresa. Em um movimento que tomou o mercado de surpresa, o CEO da companhia, Steve Ballmer, informou, na sexta-feira 23, que vai se aposentar e passar o bastão adiante num prazo máximo de 12 meses. É o fim de uma trajetória que remonta aos primórdios da empresa. Ballmer foi o 30º funcionário contratado pelo fundador Bill Gates e por seu sócio Paul Allen, em 1980, cinco anos depois de a Microsoft ser criada. Ballmer e Gates ficaram amigos na universidade Harvard, apesar da clara diferença de estilo. Ao contrário de seu companheiro que virou um paradigma dos nerds, Ballmer sempre teve um jeito mais extrovertido, não raro com doses cavalares de exagero e exuberância. Isso foi usado em benefício da companhia. 
 
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                            Adeus, macaquices: apelidado de "Monkey Boy", Steve Ballmer teve gestão
                            marcada por seu estilo exageradamente extrovertido
 
Ballmer se dispôs, por exemplo, a ser o garoto-propaganda do Windows 1.0, lançado em 1985. Em uma peça de publicidade veiculada pela televisão na época, o calvo executivo jogava notas de dólares para o ar e aos berros listava as razões para se comprar o programa. O estilo lhe rendeu o apelido de “Monkey Boy”. Cenas infames das macaquices marcaram a trajetória de Ballmer, como uma apresentação a empregados da Microsoft em que, ao subir no palco, correu de um lado para o outro berrando tal um torcedor empolgado com seu time de futebol. Ao chegar ao púlpito, esbaforido, esclareceu a razão de seu entusiasmo: “Tenho quatro palavras para vocês: Eu amo esta companhia.” E arrematou com um sonoro “Yeaaaaahhhh”. 
 
A empolgação de Ballmer, no entanto, não conseguiu impedir que a Microsoft fosse lenta e continuamente perdendo a chama da inovação, algo fatal para quem atua no mercado de tecnologia. Ao suceder Gates como CEO, em janeiro de 2000, ele recebeu o comando de uma empresa cujo valor de mercado atingia estonteantes US$ 600 bilhões, o equivalente a mais de US$ 800 bilhões em dinheiro de hoje, corrigidos pela inflação. A principal dor de cabeça na época era uma ação do Departamento de Justiça dos EUA, órgão antitruste americano, que queria dividir a empresa em razão de seu virtual monopólio no mundo da tecnologia, ainda dominado pelos computadores pessoais. A Microsoft parecia um monólito eterno e inquebrável. 
 
A situação, contudo, mudou. O valor de mercado da empresa hoje é inferior a US$ 280 bilhões. Não que a empresa esteja em dificuldades financeiras. A Microsoft ainda é líder absoluta do mercado de softwares e muito, mas muito lucrativa. Em seu ano fiscal encerrado em junho deste ano, a última coluna do balanço registrou um ganho de US$ 26,7 bilhões. É um resultado invejável. O Google, por exemplo, lucrou pouco mais de US$ 10 bilhões no ano passado. A IBM, US$ 16,6 bilhões. Mesmo assim, Ballmer deixa a Microsoft em uma situação bem mais desfavorável do que quando assumiu o seu comando. O que aflige a criadora do Windows é sua perspectiva de médio e de longo prazo. A participação no mercado de smartphones e tablets, aparelhos que substituem gradativamente os computadores pessoais na casa e nos bolsos dos consumidores, é de menos de 5%. 
 
De 2000 para cá, a tecnologia da informação mudou muito. A Microsoft, apesar de todas as tentativas de conquistar um quinhão na área de internet e da computação em nuvem, permaneceu essencialmente a mesma: altamente dependente do sistema operacional Windows e do pacote de aplicativos Office. É fácil perceber essa “Windows dependência”. De seu último lucro, mais de um terço, US$ 9,5 bilhões, veio do sistema operacional. Em 2011, o sistema contribuiu com US$ 12 bilhões para o resultado da Microsoft. “A empresa teve dificuldade em acompanhar as novas demandas dos consumidores, em parte por falta de visão, mas principalmente por não mudar sua cultura interna”, afirma Daryl Plummer, chefe de pesquisa da consultoria americana Gartner. 
 
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                                                Negócios à parte: amigo íntimo de Ballmer, Bill Gates, que é presidente
                                                do conselho da Microsoft, teria articulado a saída do CEO
 
Uma prova dessa miopia corporativa foi uma entrevista dada por Ballmer logo depois do lançamento do celular iPhone, da Apple. Ao ser questionado sobre o que achava do aparelho criado por Steve Jobs, ele soltou uma gargalhada, antes de responder. “Quinhentos dólares? É o telefone mais caro do mundo”, disse Ballmer. “Ele não tem apelo para os consumidores corporativos porque não conta com um teclado.” Como até o último estagiário da Microsoft está cansado de saber, o iPhone, cuja tela sensível ao toque se tornou padrão em todos os aparelhos, foi um divisor de águas no mercado de celulares. Além disso, seu sucesso levou a Apple ao posto de companhia mais valiosa de tecnologia no mundo, ultrapassando justamente a Microsoft, em 2010. Hoje, a dona do Windows está em terceiro lugar, atrás também do Google, que vale pouco mais de US$ 280 bilhões. 
 
SUCESSORES Corrigir essa atitude autista e arrogante é apenas um dos vários desafios que o futuro CEO da empresa deverá enfrentar. A dúvida é saber quem será essa pessoa. Um dos nomes que imediatamente surgiram nos artigos de analistas de tecnologia logo depois do anúncio da aposentadoria de Ballmer foi o de Bill Gates (veja o quadro "OS COTADOS"). Até porque, ao que tudo indica, ele teria sido o principal responsável pela aposentadoria precoce de Ballmer. A amizade entre os dois aparentemente está rompida. Segundo o jornal de economia e negócios americano The Wall Street Journal, o conselho da empresa, presidido por Gates, teria pressionado Ballmer a pedir para sair. 

Citando fontes internas da empresa, o diário diz que Ballmer, até então, trabalhava com o seu costumeiro entusiasmo. No entanto, poucos dias antes de divulgar sua saída carregava um semblante fechado. Uma pista de que a partida foi a contragosto está no memorando interno distribuído aos funcionários da Microsoft sobre o seu desligamento. “Minha ideia original era de que a aposentadoria acontecesse no meio da nossa transformação em uma empresa de equipamentos e serviços”, escreveu Ballmer. Dedicado à filantropia na Fundação Bill & Melinda Gates, o fundador da Microsoft, dono da segunda maior fortuna do planeta, não deu sinais até o momento de que vá voltar aos negócios, o que alimentou especulações sobre os possíveis candidatos a sentar na cadeira de Ballmer. 
 
Seus nomes dizem muito sobre os desafios que a Microsoft tem pela frente. Um dos cotados é Stephan Elop, ex-executivo da empresa e atual CEO da fabricante de celulares Nokia. Apesar de Elop não ter conseguido recolocar a companhia finlandesa na liderança do mercado, o executivo conta com o conhecimento na área de mobilidade, elemento-chave para a Microsoft voltar à vanguarda tecnológica. “Mobilidade é para onde a tecnologia está indo e a Microsoft precisa ser relevante nesse mercado com urgência”, disse à DINHEIRO Norman Young, analista-sênior de ações da consultoria americana Morningstar. Para Young, a Microsoft está perdendo uma nova geração de usuários que está se acostumando com a simplicidade dos sistemas operacionais para celulares e tablets, como o iOS, da Apple, e o Android, do Google. 
 
Se a intenção do conselho de administração for reforçar o Windows, o nome mais forte é o de Steve Sinofsky. Ele comandou a divisão de sistema operacional da empresa e é o “pai” do Windows 8, a atual versão do produto. Sinofsky saiu da Microsoft no final do ano passado de um forma controvertida. Apesar de oficialmente anunciada sua saída como uma decisão mútua, Sinofsky teria brigado com Ballmer e outros diretores da empresa por conta de sua personalidade forte. Até então, Sinofsky era visto como o sucessor natural de Ballmer. Outra prata da casa também tem seu nome listado entre as opções. É o caso de Satya Nadella, 44 anos, metade deles como funcionário da Microsoft. 
 
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Atualmente, Nadella é chefe da divisão de nuvem e empresas. Ele seria a pessoa certa para lidar com a transição da venda de software em caixinhas para uma empresa mais voltada à prestação de serviços aos usuários. O grande diferencial entre esses dois modelos é que os clientes passam a ter acesso à tecnologia de qualquer lugar em qualquer aparelho, seja um celular, seja um tablet ou um PC. A computação em nuvem é chave para realizar esse acesso múltiplo. Para Bruno Freitas, gerente de pesquisa da consultoria americana IDC no Brasil, a nuvem é um dos quatro componentes aos quais todas as empresas de tecnologia deverão estar obrigatoriamente atentas para acompanhar o crescimento. 
 
Os outros três são big data (grande armazenamento de dados e alta velocidade de análise), redes sociais e mobilidade. “É uma mudança no cenário parecida com a dos anos 1980, quando as mainframes deram lugar ao computador pessoal”, diz Freitas. “É um momento de renovação do mercado.” Nessa transição citada pelo analista, há uma história similar à da Microsoft. Na era pré-PC, a grande líder da informática era a IBM. Contudo, com o advento dos computadores pessoais, a empresa moldada pelo legendário Thomas Watson não conseguiu acompanhar a evolução do mercado consumidor, ficou andando de lado durante muito tempo e só se recuperou ao voltar-se para a área de serviços, B2B e desenvolvimento de patentes. 
 
A “Big Blue” se mantém como uma empresa saudável financeiramente, faturando mais de US$ 100 bilhões por ano, embora esteja longe de ter a relevância de outrora. Esse seria o caminho da Microsoft? Analistas independentes são unânimes em afirmar que o caminho a ser trilhado pelo próximo presidente da Microsoft será diferente. “A companhia se transformará em uma provedora de serviços, mas não com a estratégia ampla da IBM”, afirma Plummer, da Gartner. “Em vez disso, será mais focada em serviços de nuvem que a ajudem a construir um ecossistema próprio, sem deixar de oferecer softwares a outros ecossistemas.” Nessa transição, a Microsoft terá de mudar outro tradicional costume: o privilégio total ao Windows nos produtos da Microsoft. O pacote de automação de escritório Office, por exemplo, não oferece uma versão para iPad ou tablets equipados com o Android. 
 
Seria incorreto e injusto afirmar que a Microsoft apenas colecionou fracassos durante a gestão de Ballmer. O Windows XP, lançado em 2001, é um dos maiores sucessos da história da companhia. O console de videogame Xbox foi também uma aposta certeira de sua gestão. Na área da inovação, a companhia desenvolveu o Kinect, sensor de movimento que transforma o corpo humano em joystick. Hoje, essa tecnologia é copiada por diversas empresas e empregada em celulares e televisores. Seu buscador Bing, em conjunto com o Yahoo!, é dono de uma fatia de 30% do mercado americano. Mas Ballmer, que pagou US$ 8 bilhões pelo sistema de transmissão de voz e vídeo Skype, no ano passado, colecionou fracassos memoráveis, em especial na área de consumo. O Zune, tocador musical para concorrer com o iPod, não vingou. 
 
O celular Kin, lançado em 2010, saiu de linha dois meses após chegar às prateleiras. Na área de negócios, fez uma fracassada tentativa de comprar o Yahoo!, pelo qual se dispunha a pagar US$ 44 bilhões, às vésperas da crise de 2008. Felizmente para a Microsoft , e infelizmente para Jerry Yang, fundador do Yahoo!, este não aceitou o negócio. Por essas e muitas outras, Ballmer sempre teve Bill Gates à sua sombra. “O fato é que o novo CEO nunca terá a visão do fundador, não importa o quanto ele se esforce”, disse certa vez, quando questionado pelo fato de não ter o perfil visionário de Gates. E arrematou. “Não vou fingir que sou um visionário.” Ballmer foi o mais entusiasta vendedor da Microsoft. Caso sua falta de visão não seja superada pelo sucessor, pode custar caro à Microsoft. 
 
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Quer inovar? Chame um brasileiro
 
O Windows fez do botão F1 do teclado o tradicional comando para acionar a ajuda dos programas. Se o novo CEO da Microsoft precisar de um “help” para trazer de volta o espírito criativo à empresa, talvez tenha de aprender a falar um pouco de português, dado o número de brasileiros ligados a áreas de inovação da companhia fundada por Bill Gates. Esse é o caso do Kinect, sensor de movimento lançado em 2010, que permite jogar videogame sem controle. Ele foi criado pelo curitibano Alex Kipman, 31 anos, e é o acessório tecnológico vendido com mais rapidez da história. 
 
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Foram oito milhões de unidades em apenas 60 dias. A Microsoft explora a possibilidade de veicular a tecnologia em outras áreas, como no controle de equipamentos cirúrgicos e até em terapias para crianças autistas. O acessório ganhará uma nova versão com o Xbox One, novo videogame da Microsoft, cujo lançamento está previsto para o fim do ano. A tecnologia do Kinect começou a ser gerada no Microsoft Research, outra área da dona do Windows cujo pesquisador-chefe é brasileiro. O engenheiro Henrique Malvar, 55 anos, com mais de 100 patentes no currículo, comanda uma equipe de 1,3 mil pesquisadores e 14 centros de pesquisa.

 

Doentes de ideologia

Doentes de ideologia

Médicos brasileiros reagem com fúria e preconceito à chegada dos profissionais estrangeiros, sobretudo dos cubanos, numa demonstração de que ignoram a situação da população

Wilson Aquino e Michel Alecrim
Atrás da tela de um computador, a jornalista potiguar Micheline Borges não mostrava seu rosto, mas mirava o dos outros. “Essas médicas cubanas tem (sic) uma cara de empregada doméstica”, escreveu ela em uma rede social, auscultando o que, em sua xenófoba opinião, seria um grave problema dos 400 profissionais de saúde cubanos que desembarcam no Brasil para ocupar vagas rejeitadas por brasileiros em municípios sem glamour, mas cheios de gente que ainda morre por diarreia. Em Fortaleza (CE), outros cubanos, igualmente integrantes do programa federal Mais Médicos, foram xingados de “escravos” e “incompetentes”. As vaias da turma de jaleco branco só não foram mais lamentáveis do que a orientação dada pelo presidente do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG), João Batista Gomes Soares. Ele defendeu que a categoria não atendesse eventuais vítimas de erros médicos dos estrangeiros. Ou seja, que deixassem morrer os pacientes, se fosse o caso. Essa postura preconceituosa e corporativa dos médicos brasileiros envergonha o País e demonstra a ignorância deles em relação à situação de penúria da população.
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IGNORÂNCIA
Médico cubano é hostilizado por profissionais de saúde
no Ceará. Eles foram xingados de -escravos
Periferia Nem é necessário ir aos rincões do País para constatar a falta de profissionais. Se essas pessoas que esbravejam contra os médicos estrangeiros visitassem o Hospital Municipal Dr. Adalberto da Graça, em Paracambi, na Baixada Fluminense, a 83 quilômetros da capital do Rio de Janeiro, entenderiam o que é ter doença e não ter médico para tratá-la. A reportagem de ISTOÉ esteve lá e ouviu os cidadãos, a maioria com mais de 60 anos, que aguardavam em fila e no sereno, desde a madrugada, na tentativa de agendar uma consulta para quando um especialista fosse à pequena e pobre cidade. Fazia cerca de 15 graus na manhã de quarta-feira 28 e o aposentado José Brás, que parece ter muito mais do que os 65 anos, buscava uma receita médica para o tratamento do acidente vascular cerebral que sofreu. “Cheguei às 4h para agendar a consulta. É doloroso”, resumiu ele. “Às vezes, só tem horário para dois meses depois”, afirmou Juliana Batista, 28 anos, que disse sofrer de “crise de nervos”. Paracambi irá receber dois médicos cubanos.
Segundo pesquisa do instituto Datafolha, 54% dos brasileiros apoiam a vinda de médicos estrangeiros para o País, e esse número vem crescendo à medida que a população entende que os profissionais de fora não vão tomar o lugar dos brasileiros. Eles irão para locais onde nenhum brasileiro quis ir. Vão salvar gente que está morrendo por falta de medicina básica. Por exemplo, Japeri, também na Baixada, é um dos municípios mais pobres do Rio e Janeiro. Lá, 40% das 123 mortes hospitalares registradas no ano passado foram por doenças infecciosas e parasitárias. Os 100 mil habitantes contam com apenas 107 médicos, mas muitos não moram na cidade e, portanto, não estão disponíveis. A cidade está alegre, pois vai receber seis médicos, dois brasileiros e quatro cubanos. “Esse contingente vai reduzir em 70% o nosso déficit na atenção primária”, prevê o secretário de saúde, Sílvio Mendonça.
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CARÊNCIA
Fila no hospital municipal de Paracambi, a 83 quilômetros
do Rio: a cidade irá receber dois médicos cubanos
Doenças Perto dali, em Queimados, distante 50 quilômetros da capital fluminense, amarga-se problema idêntico: como 60% do esgoto gerado não é recolhido, as doenças causadas pela falta de saneamento básico são mortais. “A gente tem muita dificuldade para atrair médicos para trabalhar aqui”, diz a secretária de Saúde, a ginecologista Fátima Sanches. Ela solicitou quatro profissionais, mas apenas uma médica africana se interessou pelo trabalho, com remuneração mensal de R$ 10 mil, além de ajuda de custo. Quem necessita de atendimento mais específico frequentemente tem de se deslocar a outro município. A estudante Laudicéia Cristina de Araújo, 18 anos, quebrou a clavícula há mais de uma semana e teve de se medicar na vizinha Nova Iguaçu, distante 16 quilômetros. “E, mesmo assim, o médico se limitou a olhar o raio X e mandar eu manter o braço em uma tipoia”, reclamava.
Prevenção A chegada desses profissionais aos municípios pobres e à periferia de centros urbanos significa, também, o início de um trabalho de medicina preventiva, o melhor remédio para enfermidades básicas, muitas das quais poderiam ser erradicadas com simples noções de higiene e de educação alimentar. “Se investirmos na atenção primária, além de evitar óbitos, vamos reduzir a demanda nas emergências e nos ambulatórios”, avalia o secretário de Saúde de Duque de Caxias, também na Baixada Fluminense, o cardiologista Camilo Junqueira. Em 2012, Caxias teve 49 óbitos por doenças infecciosas e parasitárias. Por isso, quer mais médicos. O Ministério da Saúde disponibilizou 32 vagas para o município, mas apenas 13 candidatos inscritos no Programa se habilitaram, sendo dois estrangeiros (um português e um colombiano).
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PRECÁRIO
Laudicéia de Araújo, de Queimados, quebrou a clavícula e teve de
se tratar em outra cidade, porque lá não tem ortopedista. José Brás,
de Paracambi, sofreu um AVC e pega fila para buscar remédios
Apesar de tudo, Rio, Brasília e São Paulo são os que têm melhor índice de médicos por mil habitantes – respectivamente, 3,62, 4,9 e 2,64. No interior do Nordeste e no Norte, a situação é dramática. O cardiologista Sérgio Perini, por exemplo, é o único para atender os 18 mil habitantes de Santa Maria das Barreiras, no interior do Pará, Estado em que a relação médico por mil habitantes é de 0,84. “As pessoas não têm mais a quem pedir ajuda a não ser a mim. Se tiver mais de três casos urgentes para atender imediatamente, como eu faço?”, questiona. Por isso, é incompreensível a fúria preconceituosa a que estão sendo submetidos os médicos estrangeiros, sobretudo os de Cuba. Nessa primeira etapa, foram selecionados 559 profissionais de países como Espanha, Portugal e Argentina. Desses, 282 já estão em treinamento, além dos 400 cubanos que deverão ser maioria quando os quatro mil médicos da ilha caribenha chegarem ao Brasil, como estabelece o acordo firmado entre o Brasil e a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Ao contrário dos demais, porém, eles não receberão o salário integral. Entre 40% e 50% da remuneração ficará com o governo de Raúl Castro.
Atendimento O Conselho Federal de Medicina e os conselhos regionais não voltaram atrás em relação ao combate que têm feito ao programa do governo, mas tiveram de realizar uma reunião na quarta-feira 28 para falar do constrangimento geral em relação às atitudes agressivas da classe. Sem citar a manifestação de Fortaleza, uma nota divulgada após o encontro dizia repudiar “atos de xenofobia e preconceito em qualquer situação”. As entidades também procuraram deixar claro que são contra a postura tomada pelo conselho de Minas em relação a eventuais erros médicos praticados por estrangeiros. E corrigiram: “Os médicos brasileiros, sempre que procurados, devem prestar atendimento aos pacientes com complicações decorrentes de atendimentos realizados por médicos estrangeiros contratados sem a revalidação de seus diplomas”.
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João Batista Gomes Soares, do CRM-MG, defendeu que os médicos
não atendessem eventuais vítimas de erros dos estrangeiros
No juramento de Hipócrates, atualizado em 1948 pela Declaração de Genebra e adotado pelo Brasil, está dito o que deve ser a premissa de quem escolhe a medicina: exercer a arte de curar, mostrar-se sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência. Mas, ao que tudo indica, muitos doutores esqueceram dessa parte do juramento que fizeram. Que venham os estrangeiros.

A importância da imaginação pós-capitalista

A importância da imaginação pós-capitalista


David Harvey mergulha no estudo das contradições do sistema e busca alternativas: desmercantilização, propriedade comum, renda básica permanente e gratuidades


Ronan Burtenshaw e Aubrey Robinson,
Tradução: Coletivo Vila Vudu

Mês que vem completam-se cinco anos que Lehman Brothers foram protagonistas do maior caso de falência de banco na história dos EUA. O colapso sinalizou o início da Grande Depressão – a crise mais substancial do capitalismo mundial desde a Segunda Guerra Mundial. Como entender os fundamentos desse sistema agora em crise? E, com o sistema em guerra contra a classe trabalhadora, sob o disfarce da “austeridade”, como imaginar um mundo depois disso?
Poucos pensadores geraram respostas mais influentes para essas perguntas que o geógrafo marxista David Harvey. Aqui, em entrevista recente, ele fala a Ronan Burtenshaw e Aubrey Robinson sobre esses problemas.

Você está trabalhando agora num novo livro, The Seventeen Contradictions of Capitalism [As 17 contradições do capitalismo]. Por que focar essas contradições?
David Harvey: A análise do capitalismo sugere que são contradições significativas e fundamentais. Periodicamente essas contradições saem de controle e geram uma crise. Acabamos de passar por uma crise e acho importante perguntar que contradições nos levaram à crise? Como podemos analisar a crise em termos de contradições? Uma das grandes ditos de Marx foi que uma crise é sempre resultado das contradições subjacentes. Portanto, temos de lidar com elas próprias, não com os resultados delas.

Uma das contradições a que você se dedica é a que há entre o valor de uso e o valor de troca de uma mercadoria. Por que essa contradição é tão fundamental para o capitalismo e por que você usa a moradia para ilustrá-la?
Temos de começar por entender que todas as mercadorias têm um valor de uso e um valor de troca. Se tenho um bife, o valor de uso é que posso comê-lo, e o valor de troca é quanto tenho de pagar para comê-lo.
A moradia é muito interessante, nesse sentido, porque se pode entender como valor de uso que ela garante abrigo, privacidade, um mundo de relações afetivas entre pessoas, uma lista enorme de coisas para as quais usamos a casa. Houve tempo em que cada um construía a própria casa e a casa não tinha valor de troca. Depois, do século 18 em diante, aparece a construção de casas para especulação – construíam-se sobrados georgianos [reinado do rei George, na Inglaterra] para serem vendidos. E as casas passaram a ser valores de troca para consumidores, como poupança. Se compro uma casa e pago a hipoteca, acabo proprietário da casa. Tenho pois um bem, um patrimônio. Assim se gera uma política curiosa – “não no meu quintal”, “não quero ter gente na porta ao lado que não se pareça comigo”. E começa a segregação nos mercados imobiliários, porque as pessoas querem proteger o valor de troca dos seus bens.
Então, há cerca de 30 anos, as pessoas começaram a usar a moradia como forma de obter ganhos de especulação. Você podia comprar uma casa e “passar adiante” – compra uma casa por £200 mil, depois de um ano consegue £250 mil por ela. Você ganha £50 mil, por que não? O valor de troca passou a ser dominante. E assim se chega ao boom especulativo. Em 2000, depois do colapso dos mercados globais de ações, o excesso de capital passou a fluir para a moradia. É um tipo interessante de mercado. Você compra uma casa, o preço da moradia sobe você diz “os preços das casas estão subindo, tenho de comprar uma casa”, mas outro compra antes de você. Gera-se uma bolha imobiliária. As pessoas ficam presas na bolha e a bolha explode. Então, de repente, muitas pessoas descobrem que já não podem usufruir do valor de uso da moradia, porque o sistema do valor de troca destruiu o valor de uso.
E surge a pergunta: é boa ideia permitir que o valor de uso da moradia, que é crucial para o povo, seja comandado por um sistema louco de valor de troca? O problema não surge só na moradia, mas em coisas como educação e atenção à saúde. Em vários desses campos, liberamos a dinâmica do valor de troca, sob a teoria de que ele garantirá o valor de uso, mas o que se vê frequentemente, é que ele faz explodir o valor de uso e as pessoas acabam sem receber boa atenção à saúde, boa educação e boa moradia. Por isso me parece tão importante prestar atenção à diferença entre valor de uso e valor de troca.

Outra contradição que você comenta envolve um processo de alternar, ao longo do tempo, entre a ênfase na oferta, na produção, e ênfase na demanda, pelo consumo, que se vê no capitalismo. Pode falar sobre como esse processo apareceu no século 20 e por que é tão importante?
Uma grande questão é manter uma demanda adequada de mercado, de modo que seja possível absorver seja o que for que o capital esteja produzindo. Outra, é criar as condições sob as quais o capital possa produzir com lucros.
Essas condições de produção lucrativa quase sempre significam suprimir a força de trabalho. Na medida em que se reduzem salários – pagando salários cada vez menores –, as taxas de lucro sobem. Portanto, do lado da produção, quanto mais arrochados os salários, melhor. Os lucros aumentam. Mas surge o problema: quem comprará o que é produzido? Com o trabalho arrochado, onde fica o mercado? Se o arrocho é excessivo, sobrevém uma crise, porque deixa de haver demanda suficiente que absorva o produto.
A certa altura, a interpretação generalizada dizia que o problema, na crise dos anos 1930s foi falta de demanda. Houve então uma mudança na direção de investimentos conduzidos pelo Estado, para construir novas estradas, o WPA [serviços públicos, sob o New Deal] e tudo aquilo. Diziam que “revitalizaremos a economia” com demanda financiada por dívidas e, ao fazer isso, viraram-se para a teoria Keynesiana. Saiu-se dos anos 1930s com uma nova e forte capacidade para gerenciar a demanda, com o Estado muito envolvido na economia. Resultado disso, houve fortes taxas de crescimento, mas as fortes taxas de crescimento vieram acompanhadas de maior poder para os trabalhadores, com salários crescentes e sindicatos fortes.
Sindicatos fortes e altos salários significam que as taxas de lucro começam a cair. O capital entra em crise, porque não está reprimindo suficientemente os trabalhadores. E o “automático” do sistema dá o alarme. Nos anos 1970s, voltaram-se na direção de Milton Friedman e da Escola de Chicago. Passou a ser dominante na teoria econômica, e as pessoas começaram a observar a ponta da oferta – sobretudo os salários. E veio o arrocho dos salários, que começou nos anos 1970s. Ronald Reagan ataca os controladores de tráfego aéreo; Margaret Thatcher caça os mineiros; Pinochet assassina militantes da esquerda. O trabalho é atacado por todos os lados – e a taxa de lucros sobe. Quando se chega aos anos 1980s, a taxa de lucro dá um salto, porque os salários estão sendo arrochados e o capital está se dando muito bem. Mas surge o problema: a quem vender aquela coisa toda que está sendo produzida.
Nos anos 1990 tudo isso foi recoberto pela economia do endividamento. Começaram a encorajar as pessoas a tomarem empréstimos – começou uma economia de cartão de crédito e uma economia de moradia pesadamente financiada por hipotecas. Assim se mascarou o fato de que, na realidade, não havia demanda alguma. Em 2007-8, esse arranjo também desmoronou.
O capital enfrenta essa pergunta, “trabalha-se pelo lado da oferta ou pelo lado da demanda”? Minha ideia, para um mundo anticapitalista, é que é preciso unificar tudo isso. Temos de voltar ao valor de uso. De que valores de uso as pessoas precisam e como organizar a produção de tal modo que satisfaça à demanda por aqueles valores de uso?

Hoje, tudo indica que estamos em crise pelo lado da oferta. Mas a austeridade é tentativa de encontrar solução pelo lado da demanda. Como resolver isso?
É preciso diferenciar entre os interesses do capitalismo como um todo e o que é interesse especificamente da classe capitalista, ou de uma parte dela. Durante essa crise, a classe capitalista deu-se muitíssimo bem. Alguns saíram queimados, mas a maior parte saiu-se extremamente bem. Segundo estudo recente, nos países da OECD a desigualdade econômica cresceu significativamente desde o início da crise, o que significa que os benefícios da crise concentraram-se nas classes mais ricas. Em outras palavras, os ricos não querem sair da crise, porque a crise lhes traz muitos lucros.
A população como um todo está sofrendo, o capitalismo como um todo não está saudável, mas a classe capitalista – sobretudo uma oligarquia que há ali – está muito bem. Há várias situações nas quais capitalistas individuais operando conforme os interesses de sua classe, podem de fato fazer coisas que agridem muito gravemente todo o sistema capitalista. Minha opinião é que, hoje, estamos vivendo uma dessas situações.

Você tem repetido várias vezes, recentemente, que uma das coisas que a esquerda deveria estar fazendo é usar nossa imaginação pós-capitalista, e começar por perguntar como, afinal, será um mundo pós-capitalista. Por que isso lhe parece tão importante? E, na sua opinião, como, afinal, será um mundo pós-capitalista?
É importante, porque há muito tempo trombeteia-se nos nossos ouvidos que não há alternativa. Uma das primeiras coisas que temos de fazer é pensar a alternativa, para começar a andar na direção de criá-la.
A esquerda tornou-se tão cúmplice com o neoliberalismo, que já não se vê diferença entre os partidos políticos da esquerda e os da direita, se não em questões nacionais ou sociais. Na economia política não há grande diferença. Temos de encontrar uma economia política alternativa ao modo como funciona o capitalismo. E temos alguns princípios. Por isso as contradições são interessantes. Examina-se cada uma delas, por exemplo, a contradição entre valor de uso e valor de troca e se diz – “o mundo alternativo é mundo no qual se fornecem valores de uso”. Assim podemos nos concentrar nos valores de uso e tentar reduzir o papel dos valores de troca.
Ou, na questão monetária – claro que precisamos de dinheiro para que as mercadorias circulem. Mas o problema do dinheiro é que pessoas privadas podem apropriar-se dele. O dinheiro torna-se uma modalidade de poder pessoal e, em seguida, um desejo-fetiche. As pessoas mobilizam a vida na procura por esse dinheiro, até quem não sabe que o faz. Então, temos de mudar o sistema monetário – ou se taxam todas as mais-valias que as pessoas comecem a obter ou criamos um sistema monetário no qual a moeda se dissolve e não pode ser entesourada, como o sistema de milhagem aérea.
Mas para fazer isso, é preciso superar a dicotomia estado/propriedade privada, e propor um regime de propriedade comum. E, num dado momento, é preciso gerar uma renda básica para o povo, porque se você tem uma forma de dinheiro antipoupança é preciso dar garantia às pessoas. Você tem de dizer “você não precisa poupar para os dias de chuva, porque você sempre receberá essa renda básica, não importa o que aconteça”. É preciso dar segurança às pessoas desse modo, não por economias privadas, pessoais.
Mudando cada uma dessas coisas contraditórias chega-se a um tipo diferente de sociedade, que é muito mais racional que a que temos hoje. Hoje, o que acontece é produzimos e, em seguida, tentamos persuadir os consumidores a consumir o que foi produzido, queiram ou não e precisem ou não do que é produzido. Em vez disso, temos de descobrir quais os desejos e vontades básicas das pessoas e mobilizar o sistema de produção para produzir aquilo. Se se elimina a dinâmica do valor de troca, é possível reorganizar todo o sistema de outro modo. Pode-se imaginar a direção na qual se moverá uma alternativa socialista, se nos afastamos da forma dominante da acumulação de capital que hoje comanda tudo.

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/25666

Após poupar deputado preso, Câmara revê rito de cassações

Após poupar deputado preso, Câmara revê rito de cassações

 trajetoria de donadon

Após preservarem o mandato do deputado Natan Donadon (ex-PMDB-RO), preso há dois meses por desvio de dinheiro público e formação de quadrilha, congressistas ressuscitaram ontem a defesa de uma "agenda positiva" para tentar diminuir o desgaste causado pelo episódio, que será objeto de questionamento na Justiça.
Palavras como "vergonha", "insensatez" e "desrespeito" pontuaram as falas pública dos parlamentares, apesar de na noite de anteontem só 45% dos deputados terem apoiado a cassação de Donadon na votação secreta.
A manifestação dos congressistas começou logo cedo com o anúncio de votações de projetos que, até ontem, estavam estacionados.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), disse que o Congresso não sofrerá desgaste porque dará uma resposta "pronta, célere e muito eficaz". Ele disse que o Senado votará a emenda à Constituição que determina a perda imediata do mandato de congressistas condenados por determinados crimes.
Mais tarde, o Senado informou que isso só será votado em meados de setembro.
Autor da proposta, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) acusou Renan de ter atrasado a votação da medida várias vezes e se disse descrente de que a Câmara vá ratificar a proposta. "O Congresso faz o possível para cavar sua própria cova."
O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse que só haverá votações de cassação após a aprovação da emenda que torna aberto o voto.
Mas o projeto, já aprovado no Senado, está ainda em uma comissão especial e levará ainda algumas semanas para estar pronto.
Protegidos pelo sigilo, 131 deputados votaram a favor de Donadon na noite de anteontem. Outros 41 se abstiveram e 108 não votaram. Faltaram 24 votos pela cassação.
"Foi lamentável a posição da Câmara. Demonstra que precisamos urgentemente do voto aberto para a cassação de mandatos", afirmou o senador Aécio Neves (MG), presidente do PSDB e provável candidato à Presidência.
Condenado a sete anos de prisão e cassado pelo plenário da Câmara durante o escândalo do mensalão, o presidente licenciado do PTB, Roberto Jefferson, esteve ontem no Senado e disse que a decisão da Câmara "vai dar fôlego às manifestações de rua do 7 de Setembro".
JUSTIÇA
A suspensão do mandato de Donadon após o plenário mantê-lo -decisão adotada por Henrique Alves- será contestada na Justiça.
Num despacho em que não cita qualquer artigo legal, Alves determinou o "afastamento" de Donadon e convocou o suplente, Amir Lando (PMDB-RO), que tomou posse ontem.
O advogado de Donadon, Gilson Stefanes, disse que o ato de Henrique Alves é ilegal e que vai reforçar a ação no STF em que contesta a suspensão do pagamento de salário a Donadon. "Ele [Henrique] é um medroso. É um ato de medo. Medo da imprensa, da opinião pública", disse Stefanes.
Além disso, PSDB e PPS pedirão a anulação da sessão. Os dois partidos argumentam que a Câmara deveria ter decretado a perda do mandato sem levar o caso ao plenário.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/

FORTALEZA: Protestos nos terminais

FORTALEZA:

Protestos nos terminais

Trabalhadores da Construção Civil realizam paralisação na avenida Engenheiro Santa Júnior. Os dois lados da via ficaram interditados (Foto: OcupeFortaleza/ Reprodução Facebook) Por volta das 10h30min, os terminais da Lagoa, Parangaba e Conjunto Ceará, em Fortaleza, foram liberados. No Terminal do Siqueira, a paralisação segue, mas sem tumulto. Passageiros aguardam os ônibus sentados do lado de fora do terminal. De acordo com a Polícia, após o confronto no Terminal do Siqueira, oito pessoas foram presas e dois policiais militares ficaram feridos por pedradas. A avenida Engenheiro Santana Junior, próxima ao Terminal do Papicu, está interditada com ônibus na pista. Motoristas e funcionários da construção civil comandam a paralisação e se organizam para seguir em direção ao Centro, onde às 11 horas haverá um ato pelo Dia Nacional da Luta, na Praça da Bandeira. Os motoristas que não aderiram a paralisação não estão entrando no Terminal do Papicu, desviando o caminho. Os ônibus estacionados estão com os pneus furados. O Terminal da Parangaba encontra-se totalmente paralisado e cerca de dez policiais do Batalhão de Choque encontram-se no local. Trabalhadores da Construção Civil realizaram uma manifestação na tentativa de parar as obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) da região e fecharam por alguns minutos a rua Carlos Amaro, ao lado do terminal. As atividades no Terminal da Messejana também estão paralisadas. A população aguarda os ônibus do lado de fora do terminal. Não há confronto com a Polícia no local. No Terminal do Siqueira, onde a revolta da população é mais preocupante, a Polícia chegou a usar bombas de efeito moral para conter o quebra-quebra. Vários ônibus tiveram seus vidros quebrados. Nos terminais do Siqueira, Papicu e Parangaba, principalmente, houve cenas de depredação e ações da polícia através do COTAM. VIAS CONGESTIONADAS De acordo com a Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC), os dois sentidos da avenida Engenheiro Santana Júnior no cruzamento com a rua Pereira de Miranda, em Fortaleza, estão bloqueados devido a uma manifestação dos trabalhadores da Construção Civil. Na rua Barbosa de Freitas, nas proximidades da Assembleia Legislativa, há também manifestação de trabalhadores, causando congestionamento no local. CIRCULAÇÃO DE ÔNIBUS A Empresa de Transporte Urbano de Fortaleza (Etufor) afirmou que está tentando garantir a circulação dos ônibus fora dos terminais. A recomendação do órgão é que a população utilize o Bilhete único para não precisar passar pelos terminais. Além disso, a assessoria da Etufor confirmou que a situação no Terminal do Siqueira, totalmente paralisado e onde houve confronto com a Polícia, é crítica e recomenda que as pessoas não passem por este terminal. CENÁRIO EM FORTALEZA Diante do quadro de protestos instalado no País na manhã desta sexta-feira (30), a situação nos terminais de Fortaleza é de revolta da população e tumulto gerado pela paralisação dos ônibus. De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Ceará (Sintro), todos os terminais da cidade, juntamente com a rodoviária Engenheiro João Tomé, na Borges de Melo, estão aderindo ao dia nacional de paralisações. Segundo o presidente do Sintro, Domingos Neto, a previsão é de que a paralisação se estenda durante todo o dia, porém acredita-se que cerca de 50% da frota dos ônibus continue em circulação. Em nome do sindicato, ele pede o apoio de toda a classe trabalhadora “nesta causa que é de todos os trabalhadores que são explorados”, disse o presidente. ENTENDA OS PROTESTOS Segundo José Batista, coordenador da Central Sindical e Popular (CSP – Conlutas), o objetivo deste dia de paralisações é dar continuidade à jornada de lutas iniciada em junho pela juventude em todo o país, exigindo melhorias do governo, como redução da jornada de trabalho, fim do fator previdenciário, e mais investimento na saúde, educação , e transporte público. Ainda segundo ele, os trabalhadores de várias categorias, como professores, enfermeiros, trabalhdores da Construção Civil, entre outros, darão início às 11h a uma passeata, saindo da Praça da Bandeira e indo até o Centro da Cidade, para paralisar as lojas da Cidade. Dia nacional de paralisações Os motoristas vivem um dia nacional de paralisação, mobilizados por entidades sindicais como CUT e CGB e CONLUTAS que querem redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais e a derrubada do projeto de lei 4330, que amplia terceirizações no setor público. Já nas imediações da Assembleia Legislativa, há também grande movimentação de manifestantes ligados ao setor da educação. Os professores, também mobilizados pela CUT e Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), farão um dia de protesto exigindo mais dinheiro para o setor. 

Fonte: O Povo Online

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Manifestação "Buchada Sim" é marcada por forte policiamento

CID GOMES
 Manifestação "Buchada Sim" é marcada por forte policiamento









Fonte:http://www.youtube.com/user/nigeriaaudiovisual?feature=watch 
 
 
Mais de 2.000 pessoas confirmaram presença, pelo Facebook, no movimento "Buchada, sim", que critica o contrato de R$ 3,4 milhões fechado pelo governo cearense com uma empresa fornecedora de bufê, para servir a convidados oficiais comidas exóticas, como bombinhas de salmão com caviar, carpaccio de chester com manga, crepe de lagosta, creme de escargot servido em pequenas tarteletes e filé de sirigado ao Goulart. O protesto "Buchada no Palácio" está marcado para esse sábado (24), na porta do Palácio da Abolição, em Fortaleza. Até o fim da manhã desta quinta-feira (22), 2.300 pessoas já haviam confirmado presença do ato. Segundo um dos organizadores do evento, o universitário Paulo Júnior, a ideia do movimento surgiu após o deputado Fernando Hugo (PSDB) dar um entrevista em defesa do governador Cid Gomes (PSB), no último dia 16, alegando que a buchada não poderia ser servida a alguns convidados oficiais. "O governador não pode oferecer buchada, panelada, sarrabulho e paçoca somente. Porque internacionalmente há pessoas que se alimentam dentro daquilo ofertado pelo cardápio", disse o parlamentar, em entrevista ao "Jornal Nacional". "O ato foi justamente pensado nesse discurso. Por isso resolvemos organizar esse almoço lá no palácio como forma de satirizar e polemizar tanto o discurso quanto a atitude dele e do governo. Vamos mostrar a eles que temos, sim, comidas típicas que podem ser servidas nesse bufê", disse o universitário. Após "farra do caviar", Ceará muda cardápio de recepções

O grupo também pede o cancelamento do contrato e solicita que os recursos sejam utilizados para outras finalidades, como no combate aos efeitos da seca. "Queremos o fim desses gastos desnecessários. É uma afronta ao cidadão", afirmou Júnior.
O deputado Heitor Férrer (PDT), que denunciou o contrato na Assembleia e cobra do governo explicações, afirmou ao UOL que não tem ligação com o protesto, mas apoia o ato. "Eu não faço parte desse movimento, que está nascendo nas redes sociais. Eles se movimentam, e é muito importante. É a sociedade se manifestando", disse.

Repercussão negativa

A repercussão negativa do caso levou o governador Cid Gomes a se irritar e declarar que iria cancelar as comidas exóticas "com nome francês, inglês e russo". O governo do Estado explicou, em nota enviada ao UOL, que o processo licitatório para contratação do bufê "seguiu todos os trâmites legais" e contou com 13 empresas. Ainda segundo o governo, o valor citado no Diário Oficial é pago conforme a demanda, e não existe um valor fixo ou mínimo mensal a ser pago.
"A nova licitação, com vigência iniciada no dia 1º de agosto, não corresponde ao período de um ano. O prazo deve ser aditivado --até o período de quatro ano", informou o governo. Ainda segundo o governo, os valores incluem, "além da comida, decoração, talheres, copos, pratos, toalhas, decoração, serviços de garçom, transporte, armazenagem da comida, etc.". O governo não se manifestou a respeito do protesto que está sendo marcado pela internet.
Fonte: http://noticias.uol.com.br

Os mistérios e as denúncias nas obras de metrôs pelo Brasil

Os mistérios e as denúncias nas obras de metrôs pelo Brasil

Maiores alvos dos protestos por melhor transporte público, os governos de São Paulo e Rio de Janeiro negam informações triviais sobre as obras do metrô, marcadas por atrasos e denúncias A Linha 4 do Metrô do Rio de Janeiro, que ligará a Zona Sul à Barra da Tijuca, já era uma obra cara. Em dezembro de 2012, o governo fluminense anunciou que a linha custará 70% mais que o estimado inicialmente. A previsão de R$ 5 bilhões para ligar Ipanema ao Jardim Oceânico saltou, de acordo com estimativas anunciadas pelo governo, para R$ 8,5 bilhões, com conclusão em 2015. A linha homônima paulista, também conhecida como Linha Amarela, foi prometida para 2007. Após um grave acidente nas obras, o prazo passou para 2008, 2009, até que as duas primeiras estações foram abertas em 2010. Outras vieram em 2011. A conclusão da linha foi prometida para 2012. Depois 2013. Agora 2014. As obras de transporte metroviário no Brasil são marcadas por custos crescentes, adiamentos, promessas não cumpridas – e, segundo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e o Ministério Público, contratos sob suspeita de favorecimentos e desvios de dinheiro. 
 NO BURACO Funcionários trabalham em túnel da Linha 4 de São Paulo. As obras são caras e demoradas (Foto: Epitácio Pessoa/Estadão Conteúdo)
Os alvos mais recentes são as linhas 2 e 5, de São Paulo. Na quarta-feira, dia 14, ÉPOCA pediu acesso a números relativos à construção de metrôs em seis capitais do país: Porto Alegre, Brasília, Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo. Os quatro primeiros governos estaduais ou companhias de metrôs desses Estados enviaram de pronto suas respostas, com dados sobre compras de trens, valores gastos na construção das linhas e os nomes das empresas envolvidas. Os governos de São Paulo e Rio de Janeiro não forneceram as informações – que são públicas e constam dos arquivos de Estado. As dificuldades das gestões Geraldo Alckmin (PSDB) e Sérgio Cabral (PMDB) em oferecer esclarecimentos triviais à imprensa parecem iguais às que ambos têm para acelerar a oferta de transporte público de qualidade. Trata-se, por sinal, da principal reivindicação dos protestos que tomaram o país desde junho. Nos mais recentes, manifestantes pediram, nas ruas das capitais de seus Estados, a saída de ambos do governo. >> Entenda: Caso Siemens atinge PSDB e planos para 2014 O governo paulista está sob pressão devido às suspeitas de irregularidades e formação de cartel em contratos para obras do Metrô e da CPTM – companhia que administra os trens urbanos. ÉPOCA teve acesso às mais de 1.200 páginas do inquérito aberto pelo Cade para investigar denúncias de cartel feitas pela companhia alemã Siemens. Das seis licitações colocadas em xeque na confissão, cinco recaem sobre projetos nos trens da CPTM e do Metrô, entre 1999 e 2007. O período inclui três administrações tucanas: Mário Covas (1995-2001), Geraldo Alckmin (2001-2006) e José Serra (2007-2010). Estão sob suspeita a Linha 5 do Metrô, a manutenção dos trens das séries 2000, 3000 e 2100, a extensão da Linha 2 do Metrô, os quatro processos que envolvem o projeto Boa Viagem dos trens da CPTM e duas compras da CPTM – uma de 320 carros e outra de 64. Somados, os valores dos contratos investigados sob suspeita de cartel superam R$ 1,1 bilhão, e o superfaturamento foi estimado em até 30%. O governo está processando a Siemens por danos ao Estado. De seis governos questionados por ÉPOCA, apenas os de Rio e São Paulo não forneceram detalhes de seus contratos São Paulo e Rio de Janeiro têm os metrôs mais caros do país por vários motivos. São as únicas cidades em que os trens passam, na maioria do trajeto, por baixo da terra. Isso leva o custo de cada quilômetro, em média, para entre R$ 400 milhões e R$ 500 milhões. Nas outras capitais do país com metrô, geralmente com trilhos por cima da terra, os números são mais modestos. O quilômetro de linha não costuma superar R$ 100 milhões (confira os dados no quadro abaixo). Por isso, ÉPOCA fez uma solicitação específica a todos os governos: o pedido incluiu dados de metrô subterrâneo e de superfície. >> Acusadas de cartel planejaram se unir para disputar trem-bala Em nota, o governo de São Paulo disse que os gastos do Metrô são públicos, mas não da forma como foram solicitados por ÉPOCA. O governo confirmou que o preço médio do quilômetro é de R$ 500 milhões. O governo do Rio disse que, “além de implementar o que foi planejado por governos anteriores, realizou outras iniciativas importantes para a mobilidade da população por meio do Metrô”. Nota enviada pelo Governo do Rio de Janeiro: "Nos últimos dez anos, o Estado do Rio de Janeiro realizou apenas uma licitação envolvendo o metrô, referente ao gerenciamento de obras da Linha 4. Projetos importantes como o início da construção da Linha 4 e a expansão da Linha 1 até Ipanema, com a inauguração da estação General Osório, embora tenham sido e estejam sendo executados por este Governo, tiveram licitações realizadas em 1998 e 1987, respectivamente. O atual Governo do Estado do Rio de Janeiro, além de implementar o que foi planejado por Governos anteriores, mas nao tinha sido executado, realizou outras iniciativas importantes para a mobilidade da população por meio do metrô. Neste período houve a compra de 19 novos trens chineses, a construção da Linha 1A (integração entre as duas linhas, que garante conforto e economia de tempo às viagens dos passageiros que vêm da Linha 2 para estacoes da Linha 1), a construção da estação Cidade Nova, a extensao da Linha 1 até a Estacao Uruguai, que será entregue à populacao em marco de 2014, bem como investimentos em sistemas para aumento da seguranca dos passageiros. Estes projetos foram desenvolvidos pelo Governo e executados por parte da concessionária, por determinação contratual."
  
 



Fonte: http://epoca.globo.com