Impostometro

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Frank Capra


3 de setembro de 1991: Morre Frank Capra, o cineasta que filmou o otimismo

Morre Frank Capra. Jornal do Brasil: Quarta-feira, 4 de setembro de 1991

Frank Capra, um dos grandes nomes de Hollywood, morreu aos 94 anos.

Outras efemérides de 3 de setembro
1985: Encontrados os destroços do Titanic
1989: Avião desaparece na Amazônia<;a>
1996: EUA castigam Sadam em casa

Nascido em Palermo, na Sicília, em 1897, Frank Capra chegou aos Estados Unidos aos seis anos e enfrentou todas as dificuldades que os personagens dos seus filmes venceriam. Seu pai era catador de laranjas e ele mesmo foi boy em jornal e tocador de banjo nas ruas para ajudar a família e pagar seus estudos. Formou-se em engenharia química em 1918.

O curso universitário havia lhe garantido um emprego num laboratório fotográfico, onde durante um ano revelou e montou filmes amadores. Saiu dali para sua primeira oportunidade em Hollywood. Conseguiu uma chance que mudaria sua vida. Dirigiu um filme curto, baseado num poema de Rudyard Kipling por US$ 75, apesar de não entender nada de cinema.

Tornou-se roteirista de comédias para os dois maiores produtores do gênero: Hal Rouch e Mack Sennett.

Em 1925 iniciou uma parceria com o comediante Harry Langdon e passou a escrever e dirigir os filmes de Langdon. Rompida a parceria, Capra continuou como diretor de curtas-metragens, montador e roteirista de comédias. Seu primeiro sucesso como diretor veio com o filme Submarine (1928). Depois seguiram-se Platinum Blonde e American Madness. Em 1929 assinou com a Columbia Pictures. Com liberdade total para realizar seus filmes, e auxiliado pelo roteirista Robert Riskin, Capra criou um estilo de comédias sentimentais que oferecia à população sofrida com a Grande Depressão uma oportuna mensagem de otimismo. Durante a Segunda Guerra, Frank Capra engajado na luta, produziu documentários para a Marinha.


Precursor da comédias sofisticadas

Capra baseou a maior parte de sua filmografia em personagens idealistas que enfrentam sistemas sociais opressivos, e no triunfo da honestidade e da justiça. Seus filmes, românticos e otimistas, estavam de acordo com a política do New Deal, proposta pelo então presidente Franklin Roosevelt. Em 1951, convenceu-se de que o cinema e o mundo haviam mudado e parou durante oito anos. Fez mais dois filmes em 59 e 61, encerrando definitivamente a carreira e criticando as condições de trabalho na nova Hollywood. Seu filme mais importante no pós-guerra foi A Felicidade Não se Compra
 
Fonte: http://www.jblog.com.br/hojenahistoria.php

O que teme o CFM? Opinião de uma brasileira que cursa medicina em Cuba

Publicado em 28/08/2013
Cintia Santos Cunha, é estudante da Universidad de Ciencias Médicas de la Habana (Cuba), fala de seu sonho de estudar medicina, da concepção humanitária da medicina cubana, e da importância que os cursinhos populares tiveram na sua vida.

Médico cubano: 'Pessoas não compreendem que não viemos ao Brasil ganhar dinheiro'

Médico cubano: 'Pessoas não compreendem que não viemos ao Brasil ganhar dinheiro'


Rodolfo Garcia tem três mestrados e já atendeu no Brasil entre 2002 e 2005. Ele elogia a vontade do governo em apostar no Mais Médicos e afirma que segredo de Cuba é prevenção

03/09/2013

Najla Passos,

Um ano antes de Brasil, Cuba e a Organização Pan-americana de Saúde (Opas) firmarem o polêmico contrato que permitiu a vinda dos cubanos para atuar no programa Mais Médicos, eles já se preparavam para enfrentar os desafios da saúde pública brasileira. Um dos instrutores do curso de formação que englobou ensino da língua portuguesa e realidade da saúde no país foi o cubano Rodolfo Garcia, 50 anos, conhecedor dos sistemas de saúde das duas nações.
Com 26 anos de prática médica, uma especialização, três mestrados e um doutoramento recém-iniciado, Garcia trabalhou no Brasil de 2002 a 2005 e, agora, está de volta. Em Conceição do Araguaia, no sul do Pará, atuou à frente do Programa de Saúde da Família (PSF). Orgulha-se de ter melhorado a qualidade de vida de muitos idosos. “Tenho muitas saudades dos meus velhinhos de lá”, disse à reportagem de Carta Maior, com lágrimas escorrendo pela face. “Me apaixonei pelo povo brasileiro. E por isso voltei”.
Ciente de que em um país continental como o Brasil os desafios da saúde pública são muito maiores do que na pequena ilha onde vive, ele aponta como a experiência cubana poderá ajudar, disseca o funcionamento do sistema de saúde baseado em prevenção, lista as doenças transmissíveis já erradicadas da ilha e explica por que, em Cuba, os pacientes não morrem na fila de espera por um leito. Ele também fala sobre suas expectativas quanto ao Mais Médicos. “Com a vontade política que estou vendo agora, vai no caminho certo”.

Rede Brasil Atual: Em que circunstâncias você veio trabalhar no Brasil, na década passada?
Rodolfo Garcia - Foto: Bruno Peres/RBA
Rodolfo Garcia: Primeiramente, eu vim para o Amapá, como consultor de atenção básica, na frente de um grupo de 40 médicos, que viriam em seguida. Fiquei uns três ou quatro meses, mas não deu certo por causa da briga dos médicos de lá. Então, prestei um exame de proficiência em língua portuguesa, fui aprovado, e segui para o Sul do Pará, em Conceição do Araguaia, onde trabalhei com duas equipes de Programa de Saúde da Família (PSF). Depois passei rapidamente por Tocantins, mas foi em Conceição do Araguaia que fiquei mais tempo. E foi muito legal.
Me relacionei muito bem com as enfermeiras, com a equipe e com a Secretaria de Saúde da cidade. Nós fizemos muita coisa boa na reorganização da atenção básica às grávidas, às crianças, aos adolescentes, com planejamento familiar. Mas a ação de maior impacto, em parceria com organizações da sociedade civil, foi desenvolvida com um grupo de idosos. Eu tenho fotos, revistas e jornais da época, que divulgaram tudo. O projeto se chamava Agita Conceição. Nós começamos com poucos idosos, mas depois o projeto foi crescendo muito. Nós chegamos a fazer desfile de moda com pessoas de mais de 80 anos.

Então, era mais do que um programa de atenção à saúde, nos moldes que conhecemos aqui?
Acontece que em Cuba a medicina familiar tem outro conceito, um conceito muito social. Você olha a pessoa na consulta, depois você visita a pessoa na casa dela, conhece os problemas da família e tenta ajudar de algum jeito. Muitas vezes, as pessoas da terceira idade não são bem atendidas pela família. Então, nós tentamos integrá-las. Em Conceição do Araguaia nós fazíamos academia pela manhã, depois alguma atividade cultural, com muito apoio das organizações de massa da região, da secretaria municipal de saúde, das equipes de PSF. Nós íamos com os velhinhos à praia, fazíamos almoços coletivos, atividades esportivas. Era muito, muito, muito legal. Eu tenho muitas saudades da equipe, do pessoal da Secretaria de Saúde e dos meus velhinhos.

A barreira da língua não atrapalhava o atendimento aos pacientes?
Eu me entendia muito bem com eles. E tenho certeza que ocorrerá o mesmo com os colegas que estão chegando. Antes de vir para o Brasil, eu fiz um pequeno curso de um mês. Depois, já no Brasil, estudei mais. E toda a turma que está chegando agora já fez algumas aulas. E o curso de acolhimento do Programa Mais Médicos está reforçando a fala portuguesa dos médicos cubanos. Todos já conseguem entender tudo. E mais de 80% já estão falando muito bem. E nós chegamos ao Brasil há poucos dias.

Você acredita que este programa vai ajudar a melhorar a saúde pública brasileira?
Esse programa vai dar certo por causa da concepção da medicina preventiva. Em Cuba, o médico geralmente mora onde moram seus pacientes. Aqui também vai morar pertinho. A troca de experiências, a troca de sentimentos, a humanização da saúde que nós temos, a forma com que nós fomos formados vai ajudar a fazer acontecer. O médico vai acompanhar cada uma das famílias, com enfermeiros, auxiliares de enfermaria e agentes comunitários de saúde. O médico se converte em mais um membro das famílias.
É assim que trabalhamos lá. Fazemos um diagnóstico da situação de saúde e, além disso, um levantamento das pessoas mais carentes, as que mais precisam, que passam a ter prioridade. Então, o médico conhece a problemática. É uma missão muito integradora das condições sociais, higiênicas e epidemiológicas da região, das condições familiares, de mortalidade, das causas principais porque as pessoas ficam doentes e dos fatores de risco que condicionam isso. É uma medicina 100% trabalhada na prevenção, e não depois que o paciente fica doente. É trabalhar para que a pessoa não fique doente.

A diferença do sistema de saúde cubano tem a ver com a formação dos médicos, com essa visão mais integrada do paciente com seu meio?
Eu tenho trabalhado em vários países e tenho visto vários sistemas. A medicina cubana é preventiva, como eu falava. Nós olhamos muito para os fatores de risco, para evitar que a pessoa fique doente. É o princípio fundamental. Nós trabalhamos na prevenção e, se mesmo assim a pessoa fica doente, trabalhamos com a prevenção de outras doenças, tanto transmissíveis como não transmissíveis, para evitar as complicações. Além disso, trabalhamos com a reabilitação das pessoas que já ficaram doentes e ficaram com algum grau de incapacitação.
Foi o que fizemos com os idosos de Conceição de Araguaia, além de aproveitarmos a oportunidade para falar da alimentação, dos possíveis fatores de risco, dos problemas ou possibilidade que têm essas pessoas da terceira idade de sofrerem quedas, depressão... E tentamos de todo jeito apoiá-los. Eu fico muito emocionado quando falo porque tenho muitas saudades dos meus velhinhos de lá [lágrimas escorrem pela face].

Conceição do Araguaia é uma cidade pequena? É pobre?
Fica no Sul do Pará, na fronteira com Tocantins. É uma cidade pequena, é pobre, mas não muito. Mas uma coisa que pude observar é que lá as pessoas são felizes. Eu quero mandar um beijo muito grande e um abraço muito grande para todos os meus amigos que ficaram lá. Quero muito revê-los e ter notícias de todos.

Qual a sua especialidade médica?
Eu sou especialista em Medicina e Atenção à Saúde, mestre em saúde mental, mestre em doença infecciosa e mestre em biossegurança. Atualmente, trabalho em um instituto de pesquisa. Sou professor e sou pesquisador. E comecei agora o doutorado. Passei minha vida toda estudando.

Você é casado? Tem filhos?
Tenho um filho que se formou agora em engenharia mecânica. Sou divorciado e deixei em Conceição do Araguaia uma menina muito legal... quero mandar um beijo para ela!

Então você viveu uma história de amor com uma brasileira. Não teve vontade de desertar e ficar no país?
Eu sou muito apegado à família, a Cuba. Então, o coração ficou dividido. Foi muito difícil, mas sou cubano e volto sempre para Cuba. Eu posso trabalhar no Brasil dois, três, quatro, cinco anos, mas depois quero voltar para Cuba, sempre. Esta é a realidade.

Quanto ganha um médico em Cuba? Os salários que vocês receberão no Brasil, ainda que menores do que os pagos aos médicos de outras nacionalidades, são atrativos?
O salário varia um pouco: algo entre 500 e 900 pesos cubanos. Se você converter para dólares, dá uns US$ 30, muito pouquinho. Mas você tem que levar em conta que nós não pagamos seguro, saúde e educação. Eletricidade, água e gás, é tudo bem pouquinho. Então, temos muita coisa garantida. A verdade é que o salário tinha que melhorar um pouco, mas ter muitas coisas asseguradas para nós e nossas famílias é melhor do que ganhar um grande salário e não ter nada disso.
Mas eu quero deixar claro que não vim ao Brasil ganhar dinheiro. Vim por solidariedade. Eu falo isso e ninguém compreende. Nossa turma toda fala uma, duas, três, dez vezes, e as pessoas não compreendem que não viemos aqui para ganhar dinheiro. Viemos para ajudar, por solidariedade. Nós viemos aqui melhorar as condições de saúde das pessoas mais carentes do Brasil. Dar um pouco de carinho, um pouco de afeto, de acordo com a formação que recebemos em Cuba.

Em geral, é difícil para o brasileiro entender isso. Mas o povo de Conceição do Araguaia com que o senhor conviveu compreendia essa relação diferente que o cubano tem com a prática médica?
Ah, o povo não queria me deixar voltar para o meu país. “O doutor não pode voltar para Cuba”, diziam. Eles fizeram muitas coisas lindas para mim e fiquei muito emocionado, fiquei apaixonado pelas pessoas do Brasil. Eu conheci muitas pessoas boas no Brasil. E por isso eu voltei. Por essa experiência anterior tão boa. A diferença é que, agora, sou um profissional com mais 10 anos de experiência.

Nesse meio tempo, você trabalhou só em Cuba ou foi a outras missões internacionais?
Eu estive na África, por 2,5 anos, em Burkina Faso, um pequeno país no oeste africano [região do deserto do Saara]. É muito difícil trabalhar lá pelas condições climáticas: a poeira e a temperatura muito alta, de até 52 graus. E muitas doenças, muitas doenças mesmo. Mas a gente vai trabalhando, trabalhando, se tornando uma melhor pessoa, um melhor profissional. A gente vai acumulando experiências para melhor servir.

Como está sendo essa nova e recente experiência no Brasil?
O curso de acolhimento é de muita qualidade. Tem professores muito bem formados. Antes de vir para o Brasil, como eu já estive aqui, formei parte da turma que está vindo. Faz 11 meses que venho entrando no site do Ministério da Saúde do Brasil para aprender tudo sobre atenção básica e repassar para eles. Então, a turma já vem bem formada e agora está recapitulando tudo aqui. Os professores estão muito contentes, porque estudamos tudo previamente. Dei um curso de 11 meses, de português e doenças mais frequentes que aparecem no Brasil.

E quais são as doenças comuns no Brasil que vocês não têm em Cuba, em função da excelência do sistema de saúde e da vigilância epidemiológica?
Em Cuba, temos muitos médicos. A cobertura do sistema de saúde é de 100%. Essa é uma coisa muito boa, porque se pode fazer um diagnóstico de saúde baseado na realidade que se tem no país. No Brasil, há muita carência de médicos no Norte e Nordeste. São muitos municípios que não têm médico nenhum. O Ministério da Saúde conhece a situação, mas a coisa mais detalhada só se vai conhecer à medida que for dando cobertura nessas regiões. Em Cuba, não há doenças transmissíveis, como malária, mal de chagas, leishmaniose, acidentes ofídicos [acidentes por animais peçonhentos, como cobras e escorpiões].

E a dengue?
Dengue tem em toda a América Central, mas Cuba é um centro de referência para a Organização Pan-americana de Saúde (Opas). Antes dos nós virmos para o Brasil, houve um congresso internacional no Centro de Medicina Tropical sobre dengue. Lá é muito bem controlado porque há muita vontade política. Todo mundo fica em cima do problema: os médicos, os agentes de vetores, como chamamos lá. A direção do país coloca à disposição da saúde todos os recursos para regular a dengue. E aí a doença se controla muito rápido.

Outro problema grave que temos no Brasil é a longa espera na fila por um leito no sistema de saúde pública, que, muitas vezes, resulta em mortes de pacientes. Isso também acontece em Cuba?
Não. Já superamos isso. Há muito tempo não ocorre um caso desses. Temos os médicos de família. Além disso, tem a policlínica, que integra os consultórios. Esse é o nível primário. Depois, tem o nível secundário, formado pelos hospitais ginecológicos, pediátricos e de clínica geral. Além disso, tem os institutos de cardiologia, de nevrologia, o terceiro nível. Então, as pessoas que precisam vão transitar por todo esse sistema, sempre acompanhadas pelo médico da família. Pela organização, nós temos um sistema de saúde de primeiro mundo.

O que falta para o Brasil atingir esse nível de excelência, para ter uma medicina preventiva forte?
É preciso lembrar que o problema em Cuba é mais fácil de controlar, porque é uma pequena ilha. Já o Brasil é quase um continente. As coisas aqui são um pouco mais complicadas. Mas a vontade política que estou vendo agora vai no caminho certo. O Brasil precisa de mais médicos e precisa reconhecer que viemos por um contrato tripartite (Opas, Brasil e Cuba) para trabalhar em parceria com os colegas brasileiros. Não viemos tirar o trabalho de ninguém, o salário de ninguém. Nós vamos trabalhar nas regiões mais carentes, onde não há médicos.

Críticas a PL da terceirização dominaram Dia de Mobilização

Críticas a PL da terceirização dominaram Dia de Mobilização


Representantes de centrais pedem que Congresso entenda possibilidade de precarização de direitos e cobram do governo aprovação de alternativa ao fator previdenciário



As críticas ao Projeto de Lei 4.330, de 2004, que amplia a possibilidade de terceirização de trabalhadores, deram o tom do Dia Nacional de Mobilização realizado por centrais sindicais e movimentos sociais em todo o país na última sexta-feira (30). Alvo de negociação intensa desde o dia 5 de julho, a proposta do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO) é vista como a principal ameaça aos direitos trabalhistas neste momento.
“Nós temos condições de avançar mais. Se o governo divulga notícias positivas, de que o Brasil tem crescimento, geração de emprego, diferente da situação de outros países do mundo, agora é o momento dos trabalhadores lutarem por mais conquistas. Senão, não é movimento”, disse o presidente da CUT, Vagner Freitas, em conversa com jornalistas em São Paulo. “Estamos tentando impedir o pior. Se não retirarem do projeto a cláusula que permite a terceirização na atividade-fim, não vamos deixar que o projeto de lei saia da CCJ.”
O presidente do Sindicato dos Químicos de São Paulo, Osvaldo da Silva Bezerra, o Pipoca, considera fundamental a mobilização para rejeitar o projeto. “O PL 4330 é uma reforma sorrateira da CLT. A maioria dos deputados que está a favorteve a campanha financiada por grandes empresários. Só nos resta a mobilização para garantir o que os trabalhadores conquistaram em todos esses anos.”
Também a presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Juvandia Moreira, afirmou que a proposta traz riscos grandes. "Os itens da pauta dialogam com os trabalhadores do campo, da cidade, com o setor público e o setor privado. Essa solidariedade é o que fará com que a discussão da pauta dos trabalhadores avance."
Mais cedo, o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, afirmou à Rádio Brasil Atual que será necessário promover pressão social contra o projeto de autoria de Sandro Mabel (PMDB-GO), em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Já por duas oportunidades um acordo conseguiu barrar a apreciação do texto porque uma versão alternativa é negociada no âmbito de uma comissão quadripartite formada por centrais, empresários, governo federal e parlamentares. “Estamos convocando todos os trabalhadores a fazerem caravana a Brasília no dia 3 para impedir que esse projeto seja votado e aprovado. É muito importante também ligar para o seu deputado para pedir que esse projeto não seja votado”, disse. “É um projeto nefasto que se for aprovado como está pode trazer uma nova onda de precarização e perca dos direitos dos trabalhadores.”
Para os sindicalistas, a redução da jornada de trabalho sem redução de salário, o que é defendido pelos trabalhadores também como uma forma de criar empregos, o fim do fator previdenciário e o combate à terceirização são temas que têm de se transformar ainda neste ano em conquistas. Eles afirmam que muitos benefícios foram concedidos ao empresariado, como políticas de desoneração para vários setores da economia, e que estas vantagens não se reverteram em benefícios à sociedade.
“Não conseguimos chegar a um acordo e não vamos aceitar um projeto que pode precarizar ainda mais as relações de trabalho. Temos a minoria absoluta na CCJ, mas pelo regimento podemos levar para a discussão para o plenário e esse é mais um jeito de tentar segurar esse projeto que precariza as relações de trabalho”, afirma o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
A central comandada pelo deputado realizou atos em vários estados pela manhã, mas não participou do ato central, na Avenida Paulista, em São Paulo, encabeçado por CUT e CTB, além do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Apesar das mobilizações separadas, as centrais mantiveram uma pauta de reivindicações comum que inclui a cobrança da destinação de 10% do PIB para a educação e de 10% do Orçamento da União para a saúde, de um oferecimento de transporte público de qualidade, valorização das aposentadorias, reforma agrária e suspensão dos leilões do pré-sal.
Representantes do MST afirmam que a realização da reforma agrária hoje no Brasil, por conta do avanço do agronegócio, não depende apenas dos trabalhadores rurais sem-terra. É necessário um movimento junto à sociedade. Eles dizem que neste ano nenhuma área foi desapropriada, e cerca de 150 mil famílias vivem em situação precária. “Temos visto um descaso muito grande do governo federal. Precisamos de uma decisão firme em relação à desapropriação de áreas e implementação de assentamentos”, disse o coordenador de Comunicação do movimento, Igor Felipe dos Santos.
Esta foi a segunda grande mobilização organizada pelas centrais em todo o país após as manifestações de junho. Além disso, em 6 de agosto foi organizado um ato para tratar exclusivamente da questão da terceirização. "Achamos que não cabe negociação à nenhuma dessas reivindicações. Para nós a única negociação que serve é a retirada dos projetos. Qualquer outra negociação pode minimizar, mas não resolverá o problema", afirma o integrante da executiva nacional da CSP Conlutas, Paulo Barela.
Para o presidente da CUT, é fundamental que se leve adiante o debate sobre o fim do fator previdenciário. A fórmula, criada em 1998, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, é vista como prejudicial aos interesses dos trabalhadores. No último dia 21 os ministros de Dilma Rousseff assumiram o compromisso de concluir o debate para a apresentação de uma alternativa dentro de 60 dias. “Se o governo estabeleceu um prazo junto com as centrais para apresentar uma negociação sobre o fator previdenciário, não consigo imaginar que não sairá uma proposta”, diz Freitas. Para ele, é possível fechar acordo em torno da fórmula 85-95, que prevê que as mulheres possam se aposentar quando tempo de contribuição ao INSS e idade somem 85 anos, e que a mesma soma seja usada para os homens, com 95 anos como mínimo.
Durante o ato na paulista, o presidente da CTB, Adilson Araújo, criticou a decisão tomada esta semana pelo Banco Central de promover a quarta alta seguida na taxa básica de juros, de meio ponto percentual, levando a Selic a um patamar de 9% ao ano. “A pauta trabalhista se colocou como prioridade na ordem do dia, mas o centro do debate é uma mudança na política macroeconômica porque isso é o que acaba gerando um entrave que engessa a possibilidade de atendimento às nossas reivindicações.”
Vagner Freitas acrescentou que este modelo de juros altos para promover o combate à inflação, na visão dele, está esgotado. "Os trabalhadores acreditam que poderia haver outra maneira para discutir isso, como, por exemplo, a taxação das grandes fortunas."
Segundo as centrais sindicais, houve protestos no Rio de Janeiro, com adesão dos trabalhadores das redes estadual e municipal de educação. Em Belo Horizonte, terminais de ônibus ficaram parados, e, em Porto Alegre, houve um protesto que juntou professores e indígenas em frente ao Palácio Piratini, sede do governo gaúcho.
Em Natal houve uma passeata de trabalhadores de várias categorias pela região central. Em Fortaleza operários da construção civil, professores, bancários enfermeiros e servidores públicos realizaram paralisação de atividades. Em São Luís os funcionários das empresas de ônibus cruzaram os braços.
Em Salvador os ônibus não circularam entre a madrugada e as primeiras horas da manhã. Houve um protesto na BR 324, e os acessos à capital ficaram fechados. Representantes dos sindicatos fizeram atos em ruas movimentadas do comércio e na região central da cidade. No polo industrial de Camaçari o turno da manhã funcionou parcialmente.
Foto: Tomaz Silva/ABr

Especialistas avaliam consequências da aprovação do PL das terceirizações

Especialistas avaliam consequências da aprovação do PL das terceirizações


Segundo eles, caso o PL 4330 seja aprovado pelo Congresso, poderá resultar no fim de concursos públicos e dos direitos trabalhistas


Gibran Mendes,
da CUT/PR

Concursos públicos escassos, reajustes salariais quase inexistentes, organização de trabalho enfraquecida e o fim das garantias dadas pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) aos trabalhadores. Estas são algumas das consequências apontadas por especialistas caso o Projeto de Lei 4.330, que escancara as terceirizações no Brasil, seja aprovado pelo Congresso Nacional.
Como pano de fundo, o projeto pretende aumentar a competitividade brasileira após a reestruturação da cadeia de produção que teve início nos anos 1980, quando ocorreu a transferência da produção do centro do capitalismo para a sua periferia. Os produtos deixaram de ser produzidos em países como Estados Unidos, Japão e na Europa com rumo à América Latina e Ásia, dando preferência para locais onde não há retaguarda jurídica e de sustentação para direitos da classe trabalhadora.
“Isso é para equalizar nossa força de trabalho com a China, Taiwan, Índia e África e competirmos no mercado internacional com mercadorias mais baratas”, explica o professor Lafaiete Neves, doutor em desenvolvimento econômico pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). “Eles não tem uma legislação do trabalho, tanto é que agora a China tenta organizar esta estrutura, inclusive sindical, que não existia. O mesmo se dá nos países do capitalismo dependente subdesenvolvido”, completa Neves.
Para o advogado e professor universitário Nasser Allan, terceirização é sinônimo de precarização. “Terceirização para que? Significa degradação do trabalho, porque ela só é vantajosa se houver economia para quem o trabalho. Contratar uma empresa terceirizada para que? Para ter redução do custo de mão de obra. Ela se pauta na precarização das condições de trabalho, só compensa se for assim”, sentencia o jurista.
Para Allan, como resultado direto de uma possível aprovação do projeto, o setor público pode ver os concursos desaparecerem, enfraquecendo a máquina e retirando de milhares de famílias o sonho de um emprego com estabilidade para familiares que dedicam anos de estudo com este fim.
“Vamos passar a ter uma organização de trabalho que primará por um núcleo duro, no caso do poder público uma pequena parcela estará vinculada em cessão pública e o resto todo terceirizado. No caso da iniciativa privada, uma parcela será ligada ao próprio tomador de serviço, o resto todo será terceirizado. Uma modificação brutal na forma de organização de trabalho como temos hoje”, avalia.
“Isso é esconder o que está por trás do projeto, não se trata de evoluir no sentido de ajustar a força de trabalho as novas técnicas modernas de administração. Trata-se, na verdade, de aprofundar o processo de exploração do trabalho no mundo moderno”, completa o professor Lafaiete Neves.

Fim dos direitos
Na avaliação dos pesquisadores, o Projeto de Lei 4.330 será responsável por um verdadeiro desmanche nos 70 anos de história da CLT. O projeto também pretende colocar as relações de trabalho dentro do Código Civil, onde historicamente o patronato tem maior poder do que nos tribunais do trabalho, amparados pela CLT.
“O Brasil já têm uma legislação do trabalho que completou 70 anos. Ela nunca precisou ser atualizada porque ela manteve as garantias da força de trabalho ao longo deste período. O que eles estão tentando é desmontar, destruir a CLT. Esta é a grande verdade que temos que encarar. Ela é quem dá as condições de defesa da força de trabalho, que vai perder sua capacidade de organização por local de trabalho, por categoria”, avalia Neves.
A mesma lógica é defendida pelo jurista Nasser Allan. Para ele, o projeto enfraquecerá de forma brutal a capacidade de negociação dos trabalhadores. “O enquadramento sindical dos trabalhadores terceirizados se dá não com o sindicato da tomadora, mas com o sindicato dos trabalhadores pertencentes aquela empresa terceirizada, que são sindicatos mais frágeis porque têm menos força de negociação. Eles vão aplicar a negociação coletiva da categoria preponderante”, argumenta.
Ainda de acordo com ele, o substitutivo proposto pelo deputado Artur Maia (PMDB-BA) não resolve os problemas da classe trabalhadora. Embora coloque algumas restrições ao projeto original do deputado Sandro Mabel (PMDB-GO), ele não sana os principais equívocos do texto inicial.
“Pelo substitutivo, na administração pública a terceirização não poderá ocorrer em atividades essenciais, mas o texto permite para qualquer serviço especializado, o que deixa a porta aberta para contratação de terceirizados de forma indiscriminada. Também não resolve o enquadramento sindical dos trabalhadores, pois estabelece a mesma regra. Os vícios existentes no projeto original são repetidos, de certa forma, no projeto substitutivo com algumas atenuações ”, avalia Allan.
No final das contas, o objetivo continua sendo o mesmo, reduzir o custos atacando o elo mais fraco da cadeia produtiva. “Se um projeto qualquer estabelecesse a extensão dos direitos dos trabalhadores do tomador de serviço aos terceirizados, você praticamente acabaria ou tornaria este processo mais raro. Afinal, por que você faria terceirização se tivesse o mesmo custo?”, questiona o jurista.

Perdas
O resultado financeiro desta operação para os trabalhadores pode ser exemplificado com o caso dos trabalhadores em alimentação, que são essencialmente terceirizados por atuarem em uma atividade considerada meio. “Em todos os segmentos, tanto no setor privado quanto no setor público”, explica a presidenta do Sindicato dos Trabalhadores em Refeições Coletivas e Merenda Escolar, Doris Andrade da Cruz.
Doris explica que o problema começa já na licitação dos órgãos públicos. “Quando o município lança o edital ele não toma as precauções devidas. Ao invés de licitar serviço, confunde com locação de mão de obra, especificando número de postos de trabalho e atividades a serem desenvolvidas. Neste momento, ocorre a confusão no enquadramento sindical, com outros sindicatos achando que podem representar a categoria”, relata.
Recentemente a prefeitura de Londrina realizou uma licitação para a preparação de alimentação e nutrição desta forma. “Agora as empresas apresentam propostas que melhor lhe convém e não a convenção da categoria de refeição coletiva. Realizamos uma assembleia geral e notificamos a empresa que se não cumprir enfrentará a paralisação das merendeiras de Londrina”, avisa. A estimativa é que entre a remuneração e benefícios a perda anual é de dois pisos e meio de uma cozinha, o que significa R$ 2.136,40 que deixam de entrar para o bolso destes trabalhadores.

Apertem os cintos, a empresa sumiu
Outro ponto polêmico do projeto é a ausência de responsabilidade da empresa tomadora de serviços com relação aos empregados terceirizados. Na prática isso significa que os trabalhadores ficam desamparados neste processo caso haja algum problema com a empresa que o contratou, enquanto a tomadora de serviços fica isenta de qualquer amparo jurídico com quem é responsável pela sua produção ou prestação de serviços.
Em algumas categorias cuja fonte de serviço já é essencialmente terceirizada este pesadelo já é uma realidade. No caso dos vigilantes, por exemplo, não raro empresas fecham do dia para a noite e deixam os trabalhadores a ver navios.
“Recentemente tivemos o caso da empresa Alerta Segurança que prestava serviço para diversos órgãos públicos. Ela anoiteceu e não amanheceu. O trabalhador ficou no seu postos de serviço, sempre empresa, sem salário, sem verbas rescisórias, sem direitos. Enquanto isso o dono da empresa está muito tranquilo em Ponta Grossa, com programa de rádio, programa de TV”, explica o presidente do Sindicatos dos Vigilantes de Curitiba e Região, João Soares.
Contudo, embora hoje ainda existam vias tortuosas para que estes trabalhadores busquem seus direitos, esta via deixará de existir. Com o novo projeto de lei a responsabilidade do tomador de serviço simplesmente deixa de existir. “Vai fragilizar ainda mais o que já é frágil”, lamenta o presidente.
A única salvaguarda trabalhista prevista é um valor permanecerá retido enquanto o contrato de terceirização estiver em vigência. Mas na avaliação de Soares este é um caminho para fraudar os direitos. “A empresa vai dar o aviso prévio para que o trabalhador cumpra os 30 dias, enquanto isso a empresa vai embora”, alerta.
Esta avaliação é fortalecida levantando em conta as necessidades jurídicas e estruturais necessárias para abrir uma empresa terceirizada. “É simplesmente ridículo o valor que a lei estabelece”, esbraveja o professor Lafaiete Neves. Ele explica que a pela legislação para abrir uma empresa nesta modalidade será preciso um capital de R$ 10 mil para 10 trabalhadores, ou seja, R$ 1 mil por empregado. “Se um deles ficar quatro anos trabalhando, considerando 13º Salário, FGTS, Horas Extras e todos os seus direitos, esta empresa gastaria todo o capital somente com um único trabalhador. A empresa simplesmente não tem capital para cobrir os direitos dos trabalhadores, já que elas vão desaparecer”, completa Neves.

EUA têm planos para derrubar Bashar Al Assad desde 2006

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Documento da diplomacia estadunidense aponta quais as fragilidades a serem aproveitadas para tirar presidente sírio do poder





Charles Nisz,


Ao anunciar, na tarde do sábado (31), que autorizava a realização da intervenção militar na Síria, o presidente estadunidense, Barack Obama, colocou em prática um plano antigo de seu país. A ideia de uma ação do gênero contra o governo do presidente Bashar Al Assad já tinha sido planejada durante o mandato de George W. Bush, ainda em 2006, conforme mostram documentos vazados pelo site Wikileaks.
Segundo o telegrama datado de 13 de dezembro de 2006, redigido pelo diplomata William Roebuck, “o regime sírio terminava 2006 mais forte domesticamente do que em dezembro de 2005”. Para o diplomata, o governo Assad era sustentado por uma pequena “claque”, imune às pressões externas e internas sofridas pelo líder sírio.
Porém, “a crescente confiança de Assad e o apoio desse pequeno grupo de poder poderiam levar o mandatário sírio a fazer más avaliações e cometer erros por conta das reações emocionais diante de desafios”. O diplomata cita o assassinato do ex-premiê libanês Hariri e a criação da Frente de Salvação Nacional como exemplos da reação irracional de Assad diante das crises. Segundo Roebuck, essa instabilidade emocional de Assad deveria ser explorada pelos EUA.
Assad demonstrava preocupação em como era percebido no exterior e se havia confiança no seu processo de tomada de decisões. Para os diplomatas estadunidenses sediados em Damasco, as fraquezas de Assad residiam em como o líder sírio lidava com ameaças iminentes – fossem elas hipotéticas ou reais. Entre essas ameaças, estavam o conflito entre as reformas econômicas e a corrupção, a questão curda e o relacionamento com os radicais islâmicos no país.
De acordo com os diplomatas, havia uma oportunidade para explorar essas fragilidades de Assad e, assim, conseguir influenciar o círculo ao redor do mandatário sírio. A ideia era reverter o cenário da época: economia relativamente estável, oposição fraca e intimidada, e um cenário regional do Oriente Médio condizente com os interesses da Síria. O principal foco das ações para desestabilizar a presidência de Assad envolviam as tensões entre a Síria e o Líbano, “a inexperiência de Assad e o fato de que o círculo de pessoas de confiança do ditador sírio era muito pequeno”.
O envolvimento da Síria no assassinato de Hariri e o constrangimento internacional causado pelo caso colocavam a reputação do país em questão. A divergência dentro do governo Assad sobre qual a melhor forma de influenciar o Líbano e o caso Hariri deveriam ser a principal instabilidade a ser explorada seja pela diplomacia ou por “outros meios indiretos” O relatório Mehlis, conduzido pela ONU e que acusava a Síria de ter atrapalhado as investigações do caso Hariri, “causava angústia em Assad”.

Irã
Roebuck também menciona a aproximação de Assad com o Irã e como isso seria percebido dentro do mundo árabe como uma vulnerabilidade a ser explorada. “Assad caminha numa linha fina ao se aproximar do Irã sem que isso feche as portas para o relacionamento com outros vizinhos sunitas”, explica Roebuck. Os EUA deveriam explorar o medo sunita da crescente influência iraniana e xiita na Síria. O diplomata recomenda um “esforço coordenado com os governos de Arábia Saudita e Egito” para enfraquecer os xiitas e Assad.
O sectarismo e a corrupção são outras das brechas enxergadas por Roebuck para derrubar Assad do poder. Segundo a avaliação estadunidense, o poder é dominado pela família Assad e, em menor grau, pelos Makhluf, clã materno do presidente. As discussões sobre corrupção e suborno fazem com que a família Assad não seja imune a conspirações contra o governo. “Várias pessoas íntimas do regime cogitam como seria a Síria pós-Bashar Assad”, afirma o diplomata estadunidense”.
Ou seja, a ideia da diplomacia estadunidense era impor sanções e assim explorar a “lavagem de roupa suja dentro do regime Assad”. Segundo Roebuck, a Frente Nacional de Salvação da Síria sabia onde estavam os “esqueletos do armário” de Assad. Apoiar a FNS ajudaria a divulgar a corrupção e causar fissuras no governo sírio.
Também seria explorada a ideia de que a Síria estaria sendo usada como base para ação de grupos terroristas como a Al Qaeda. No entanto, até mesmo o governo sírio se considera vítima desses grupos. Esse argumento deveria ser usado para demonstrar a instabilidade dentro da Síria. Assad sobreviveu quase 7 anos a essas “instabilidades”. Barack Obama parece empenhado em ajudar na sua queda a partir de agora.

Chávez: morte matada ou morrida?


Chávez: morte matada ou morrida?


A morte de Chávez foi um fato político. Analisemos duas questões: Por quê Chávez incomodava tanto? E por que após sua morte, a Venezuela deixa de aparecer nos principais meios midiáticos brasileiros?
30/08/2013
Roberta Traspadini
Faz quase seis meses que Hugo Chávez morreu. Mas nosso cotidiano de luta contra a exploração e a opressão é tão intenso que este fato aparenta ter ocorrido há muito tempo.  A morte de Chávez foi um fato político. Analisemos duas questões: Por quê Chávez incomodava tanto? E por que após sua morte, a Venezuela deixa de aparecer nos principais meios midiáticos brasileiros?

1) Chávez como agitador-propagandista revolucionário
O perfil de líder de Chávez e seu papel de difusor tanto das mazelas do imperialismo sobre o território latino, quanto das potencialidades de um bloco contra-hegemônico desde o sul, estava atrelado: a) ao peso dos recursos naturais estratégicos que pertencem aos países latino-americanos sem os quais a hegemonia norte-americana é visivelmente fragilizada, senão  destruída; b) ao peso da retomada de processos revolucionários no horizonte latino, tendo como ponto de partida a experiência cubana, a  relação direta com os lideres cubanos e as necessárias táticas de reforma nacional que fortalecem a construção de outro modelo de desenvolvimento.
Para fazer frente a dito desafio continental, Chávez, e seu gênio indomável anti-imperialista, retomou o papel do Estado sobre dois grandes monopólios nacionais: o petróleo e os meios de comunicação. Ambos abriram uma fenda direta de ataque à ofensiva dos EUA sobre o controle dos recursos e do território venezuelano.
Através da agitação e propaganda, Chávez apresentou a indissociável relação entre a economia e a política dos EUA. Os monopólio do petróleo e da comunicação sob o domínio americano operavam, no interior da nação e em todo o continente, como o jeito de ser e fazer dos EUA sobre o continente.
Foi através do perfil popular, educado nas forças armadas na ideia de defesa da Pátria, mas que tomou partido pelos princípios bolivarianos, que Chávez entrou ao mesmo tempo pela porta da frente da casa dos lutadores sociais e teve, na companhia do nosso líder Fidel, a oportunidade de reaprender a utilizar suas estratégias e táticas de guerra em prol do povo latino-americano.
Chávez foi um incondicional agitador e propagandista da revolução e por isto mesmo um arquiteto do sonho bolivariano na integração dos povos latinos, ante o processo de reestruturação para a integração dos mercados do capital.

2) A morte de Chávez e o imperialismo dos EUA
O povo bolivariano conseguiu, com sua força lutadora, manter a vitória constitucional sobre o raivoso rival de direita, após a morte de Chávez. Isto implica, para dentro do País, um trabalho intenso na defesa do projeto e no ataque à voracidade do capital (inter)nacional em retomar seu poderio e, para fora, a necessidade de contar com fortes aliados na continuidade de seu projeto bolivariano. 
A morte de Chávez abriu, no norte, a retomada de sua estratégia de vencer simbolicamente a contra-ofensiva bolivariana a partir da invisibilidade anunciada. Invisibilizar é um mecanismo estratégico e violento de dizer que o outro não existe, ainda quando esteja visivelmente presente. É a forma sutil de um gesto tão brutal e violento quanto a visibilidade do inimigo como criminoso por parte do capital.
A morte de Chávez é projetada pelos EUA e seus aliados, como a morte do comunismo. Portanto é morte matada tanto no caráter criminoso da invisibilidade da Venezuela, quanto no histórico processo dos homicídios culposos e dolosos decorrentes de a ação imperialista sobre o território latino.
Para nós, povo latino, Chávez está mais vivo do que nunca nas lutas populares da América Latina. Nossos povos estão nas ruas. E com eles se levantam as bandeiras, os exemplos e a continuidade da luta anti-imperialista pelo projeto popular.

Roberta Traspadini é professora da ENFF e da UFVJM