Chávez: morte matada ou morrida?
30/08/2013
Roberta Traspadini
Faz
quase seis meses que Hugo Chávez morreu. Mas nosso cotidiano de luta
contra a exploração e a opressão é tão intenso que este fato aparenta
ter ocorrido há muito tempo. A morte de Chávez foi um fato político.
Analisemos duas questões: Por quê Chávez incomodava tanto? E por que
após sua morte, a Venezuela deixa de aparecer nos principais meios
midiáticos brasileiros?
1) Chávez como agitador-propagandista revolucionário
O
perfil de líder de Chávez e seu papel de difusor tanto das mazelas do
imperialismo sobre o território latino, quanto das potencialidades de um
bloco contra-hegemônico desde o sul, estava atrelado: a) ao peso
dos recursos naturais estratégicos que pertencem aos países
latino-americanos sem os quais a hegemonia norte-americana é
visivelmente fragilizada, senão destruída; b) ao peso da retomada de
processos revolucionários no horizonte latino, tendo como ponto de
partida a experiência cubana, a relação direta com os lideres cubanos e
as necessárias táticas de reforma nacional que fortalecem a construção de outro modelo de desenvolvimento.
Para
fazer frente a dito desafio continental, Chávez, e seu gênio indomável
anti-imperialista, retomou o papel do Estado sobre dois grandes
monopólios nacionais: o petróleo e os meios de comunicação. Ambos
abriram uma fenda direta de ataque à ofensiva dos EUA sobre o controle
dos recursos e do território venezuelano.
Através da agitação e
propaganda, Chávez apresentou a indissociável relação entre a economia e
a política dos EUA. Os monopólio do petróleo e da comunicação sob o
domínio americano operavam, no interior da nação e em todo o continente,
como o jeito de ser e fazer dos EUA sobre o continente.
Foi
através do perfil popular, educado nas forças armadas na ideia de defesa
da Pátria, mas que tomou partido pelos princípios bolivarianos, que
Chávez entrou ao mesmo tempo pela porta da frente da casa dos lutadores
sociais e teve, na companhia do nosso líder Fidel, a oportunidade de
reaprender a utilizar suas estratégias e táticas de guerra em prol do
povo latino-americano.
Chávez foi um incondicional agitador e
propagandista da revolução e por isto mesmo um arquiteto do sonho
bolivariano na integração dos povos latinos, ante o processo de
reestruturação para a integração dos mercados do capital.
2) A morte de Chávez e o imperialismo dos EUA
O
povo bolivariano conseguiu, com sua força lutadora, manter a vitória
constitucional sobre o raivoso rival de direita, após a morte de Chávez.
Isto implica, para dentro do País, um trabalho
intenso na defesa do projeto e no ataque à voracidade do capital
(inter)nacional em retomar seu poderio e, para fora, a necessidade de
contar com fortes aliados na continuidade de seu projeto bolivariano.
A
morte de Chávez abriu, no norte, a retomada de sua estratégia de vencer
simbolicamente a contra-ofensiva bolivariana a partir da invisibilidade
anunciada. Invisibilizar é um mecanismo estratégico e violento de dizer
que o outro não existe, ainda quando esteja visivelmente presente. É a
forma sutil de um gesto tão brutal e violento quanto a visibilidade do
inimigo como criminoso por parte do capital.
A morte de Chávez é
projetada pelos EUA e seus aliados, como a morte do comunismo. Portanto é
morte matada tanto no caráter criminoso da invisibilidade da Venezuela,
quanto no histórico processo dos homicídios culposos e dolosos
decorrentes de a ação imperialista sobre o território latino.
Para
nós, povo latino, Chávez está mais vivo do que nunca nas lutas
populares da América Latina. Nossos povos estão nas ruas. E com eles se
levantam as bandeiras, os exemplos e a continuidade da luta
anti-imperialista pelo projeto popular.
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