Política
Operação Lava Jato
A Petrobras da "era FHC" vira alvo de investigações
Operação da PF e ação do MPF tratam de corrupção na estatal a partir de 1997
Zelada, Duque e Barusco: investigações chegaram à era FHC
Pela primeira vez desde o início da Operação
Lava Jato, o Ministério Público Federal e a Polícia Federal deflagraram
uma operação para apurar desvios na Petrobras no período anterior à
chegada do PT ao poder, quando Fernando Henrique Cardoso (PSDB) era o
presidente da República.
Nesta quinta-feira 17, a PF realizou a Operação Sangue Negro, que
investiga desvios de dinheiro em contratos da Petrobras para o pagamento
de propina ocorridos a partir de 1997, ainda no primeiro mandato de
FHC. Foram cumpridos nove mandados judiciais, sendo cinco de busca e
apreensão e quatro de
prisão preventiva, no Rio de Janeiro, em Angra dos Reis (RJ) e em Curitiba.
Entre os alvos de mandados de prisão estão, segundo o jornal Folha de S.Paulo, Jorge
Zelada e Renato Duque, ex-diretores da Petrobras que já se encontram
presos, em Curitiba. Outro detido é, segundo o jornal, Paulo
Roberto Buarque Carneiro, ex-funcionário da estatal. O quarto mandado de
prisão é para o norte-americano Robert Zubiate, executivo da SBM Offshore, empresa holandesa, que mora nos EUA.
Segundo a PF, a investigação teve início antes da Operação Lava Jato,
embora todos os seus alvos estejam relacionados à investigação iniciada
no ano passado, que tem como foco principal políticos de PP, PMDB e PT.
Uma das empresas alvo de buscas é do ramo de prospecção de petróleo.
Segundo a PF, a companhia recebia repasses de contratos efetuados entre a
Petrobras e a SBM da ordem de 3 a 5%, dos quais 1% a 3% eram depositados em off shores no exterior. Esse dinheiro retornava em forma de pagamento de propinas.
Também nesta quinta-feira 17, o MPF no Rio de Janeiro
apresentou denúncia contra 12 pessoas, incluindo quatro ex-funcionários
da Petrobras. Além de Caneiro, preso na Sangue Negro, foram
denunciados Zelada, Duque e Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras que
assinou acordo de delação premiada com os investigadores da Lava Jato em
Curitiba e também no Rio de Janeiro.
Outros denunciados são os ex-agentes de
vendas da SBM no Brasil Julio Faerman e Luis Eduardo Campos Barbosa da
Silva, além dos executivos da SBM Robert Zubiate, Didier Keller e Tony
Mace.
De acordo com o MPF de 1998 a 2012 essas 12 pessoas
participaram de um esquema por meio do qual recursos da Petrobras
destinados à construção de navios e monoboias eram desviados para
a Suíça. Pelo menos 46 milhões de dólares tiveram esse destino, diz o
MPF. A denúncia do MPF abrange também a contribuição pedida por Renato
Duque aos agentes da SBM, no valor de 300 mil dólares, para a campanha
presidencial do PT em 2010.
Outro contrato no qual houve crime de corrupção, sem relação
com a SBM, foi o do navio Campos Transporter, afretado pela Petrobras
junto à Progress Ugland, empresa representada por Julio Faerman. O então
CEO da empresa, Anders Mortensen, é acusado de conceder vantagens
indevidas a Pedro José Barusco Filho e também foi denunciado.
Corrupção na era FHC?
Em fevereiro, foi tornado público o depoimento de Pedro Barusco à
Polícia Federal. O ex-gerente da Petrobras estimou que o PT tenha
recebido entre 150 milhões e 200 milhões de dólares em propinas por
conta do esquema de corrupção na Petrobras, mas disse ter começado a receber propinas ainda em 1997.
Dias após a divulgação do depoimento de Barusco, FHC afirmou
que a corrupção na Petrobras teve início no governo do petista Luiz
Inácio Lula da Silva.
O próprio FHC pareceu se desmentir em outubro, quando da publicação do primeiro volume de seus Diários da Presidência.
No livro, FHC afirma que, em outubro de 1996, foi informado por
Benjamin Steinbruch, dono da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), de
que a Petrobras "era um escândalo".
"Eu queria ouvi-lo [Steinbruch] sobre a Petrobras. Ele
me disse que a Petrobras é um escândalo. Quem manobra tudo e manda mesmo
é o Orlando Galvão Filho, embora Joel Rennó tenha autoridade sobre
Orlando Galvão”, escreveu FHC sobre os então presidentes da BR
Distribuidora e da Petrobras.
Reforçou a noção de que a corrupção na Petrobras antecede a chegada do PT ao poder o vazamento de parte da delação premiada de Nestor Cerveró, ex-diretor da área Internacional da estatal. Em depoimento, Cerveró relatou aos procuradores da Operação Lava Jato que o senador Delcídio do Amaral (PT-MS)
recebeu 10 milhões de dólares em suborno durante o governo de Fernando
Henrique Cardoso, entre 1999 e 2001, quando era diretor de Óleo e Gás da
Estatal.
FHC voltou a se defender e disse que o PT tentava "embolar o jogo". Segundo ele, em sua gestão a corrupção "não era organizada".
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