'Bancada do retrocesso' recebeu mais de R$ R$ 280 milhões de empresas para campanhas eleitorais
Juntos, parlamentares do PSDB, PP, PMDB, PR e DEM abocanharam 75% do montante, ou seja, cerca de R$ 210 milhões; os cinco partidos tem 129 parlamentares fiéis a Cunha nas votações da Câmara.
07/08/2015
Da Redação - Brasil de Fatos
Crédito: L. Marques/Ag. PT |
Formada por parlamentares fiéis ao presidente da Câmara dos
Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), a "Bancada do Retrocesso" recebeu
mais de R$ 280 milhões de empresas privadas para financiamento da
disputa eleitoral de 2014. Levando-se em conta apenas os parlamentares
mais próximos ao presidente da Câmara, PSDB, PP, PMDB, PR e DEM, juntos,
abocanharam 75% do montante, ou seja, cerca de R$ 210 milhões. Os cinco
partidos tem 129 deputados fiéis a Cunha nas votações da Casa.
Entre
as principais bandeiras da bancada está, justamente, o apoio ao
financiamento empresarial de campanhas proposto na PEC 182/07, que foi
aprovada na Câmara, em maio, por 330 votos a favor, 141 votos contra e
uma abstenção. O projeto foi aprovado através de uma “manobra”, sendo
posto novamente em votação após ter sido derrotado no dia anterior.
Mais
da metade dos deputados que votaram a favor da proposta – 213 - fazem
parte da bancada do retrocesso, que reúne os partidos que tiveram ao
menos um deputado que apoiou Eduardo Cunha nas três votações mais
polêmicas que passaram pela Câmara em 2015: financiamento de campanha,
terceirizações e maioridade penal.
Além do PSDB, PP, PMDB, PR e
DEM - que receberam os maiores financiamentos – as legendas que têm
parlamentares que seguem a agenda de Cunha são: PSD, PSB, PTB, SD, PRB,
PSC, PT do B, PHS, PSDC, PRP, PEN, PDT, PTN e PMN.
Opinião popular
A
aprovação da PEC foi considerada uma manobra de Cunha já que, no dia
anterior, a mesma havia sido rejeitada no Plenário. O caso agora
encontra-se no Supremo Tribunal Federal (STF) que, a pedido de 200
juristas, advogados, conselheiros e ex-presidentes da Ordem dos
Advogados do Brasil (OAB), analisa o arquivamento da PEC.
O
aprovação do financiamento também parece ir na contramão da vontade da
maioria dos brasileiros. Publicada na segunda-feira (3), pelo Instituto
Datafolha, uma pesquisa apontou que 74% dos brasileiros são contra o
financiamento de campanha por empresas privadas. Segundo o mesmo
levantamento, 79% dos entrevistados acreditam que as doações de empresas
estimulam a corrupção.
Arrecadação
A
corrida e comprometimento de Cunha pela aprovação do financiamento
empresarial também se explica pelo fato de que ele é um dos políticos
com maior capacidade de arrecadação para campanhas.
De acordo com
a ONG Transparência Brasil, ele declarou ter recebido aproximadamente
R$ 3,4 milhões em 2010 para sua campanha a deputado federal, excluído o
valor que ele deu a sua própria campanha. Desse total, 97,7% - R$ 3,3
milhões - foram doados por empresas. No último pleito, o montante
praticamente dobrou e ele gastou mais de 6 milhões de reais para se
eleger, de acordo com o que declarou para o Tribunal Superior Eleitoral
(TSE).
Entenda como definimos a "Bancada do retrocesso" em: http://facesdecunha.brasildefato.com.br/
Nenhum comentário:
Postar um comentário