Sob aplausos de cariocas nas ruas, garis fecham avenida do centro do Rio
Garis tomam a avenida Rio Branco em passeata no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (7)
Pelo menos mil garis tomaram a avenida Rio Branco, uma das principais
vias do centro do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (7), em mais um
protesto em favor da paralisação da categoria. Em clima de bloco de
Carnaval e sob aplausos da população, os manifestantes fecharam toda a
avenida, mesmo com a orientação da Polícia Militar para que eles
ocupassem apenas a faixa lateral.
Diante do entusiasmos dos
grevistas, a PM não ofereceu resistência. Por volta das 14h20, a
passeata chegou à praça da Cinelândia, nas proximidades do Theatro
Municipal, e os manifestantes tomaram as escadarias da Câmara de
Vereadores em poucos segundos. No local, eles fazem discursos e gritam
palavras de
ordem contra o prefeito Eduardo Paes (PMDB). Às 14h30, a
avenida Rio Branco foi liberada para o trânsito.Durante o trajeto pelas ruas do centro do Rio, houve quem achasse se tratar de um bloco de Carnaval. Com batucada e fantasias improvisadas, os garis iniciaram a caminhada na sede da Prefeitura do Rio e passaram por toda a avenida Presidente Vargas antes de chegar à Rio Branco.
O hino da passeata foi a paródia do samba "Acelera, Tijuca!", que virou "Acelera, Comlurb!" na versão dos garis. Eles também cantaram adaptações de marchinhas tradicionais do Carnaval carioca e da música "Vou Festejar", que ficou conhecida na voz de Beth Carvalho.
Sujeira nas ruas
Empresários e funcionários de dois grandes pólos comerciais da zona
oeste do Rio de Janeiro já estão sentindo os efeitos da falta de coleta
de lixo e varredura nas ruas. A greve dos garis, iniciada no sábado (1°)
já dura sete dias e não tem previsão para acabar. Com isso, as ruas de
Bangu e Campo Grande estão tomadas pela sujeira. O efeito tem sido lojas
mais vazias depois do feriadão de Carnaval.
Na rua Barcelos Domingos, em Campo Grande, uma montanha de lixo se
formou em uma das poucas praças que existem na região. À frente da
sujeira, a lojista Sirlei Zanetti de Lima, 51, diz que não adianta
limpar a loja para tentar se livrar do cheiro insuportável que tomou
conta da vizinhança.
"Esse cheiro de azedo no ar espanta
qualquer freguesia. Não estamos aguentando mais isso. Minha loja virou
uma grande lixeira, porque o lixo da rua está vindo parar aqui dentro",
reclama a empresária que atua no ramo de bolsas e acessórios no calçadão
de Campo Grande. "Além disso, os clientes não suportam esse futum, eu
estou tendo prejuízos. O pior é que, ao contrário dos clientes, eu não
tenho como me esquivar de ficar perto dessa nojeira. Eu trabalho aqui,
não tenho como fugir."
Mais adiante, já na rua que leva o mesmo
nome do bairro, uma outra montanha de lixo dificulta a passagem de
pedestres pela calçada. De um lado do lixo acumulado, o sorveteiro
Sérgio Murilo diz que também está vendendo pouco.
As ruas do
centro do Rio, por outro lado, amanheceram bem mais limpas do que nos
dias anteriores. Mas a situação ainda é crítica também em vários pontos
das zonas sul e norte --especialmente na Ilha do Governador-- da cidade.
As favelas da Rocinha e Pavão Pavãozinho, na zona sul, amanheceram
cobertas de lixo, mas homens da Comlurb já começaram a retirada dos
resíduos nos morros.
Parados desde o dia 1°, os garis exigem
aumento salarial, pagamento de horas extras e reajuste do auxílio
refeição, entre outras reivindicações. Pelo acordo coletivo anunciado na
segunda-feira (3), os garis terão 9% de aumento salarial (o piso
passará de R$ 802 para R$ 874), mais 40% de adicional de insalubridade.
Segundo a Comlurb, com isso, o vencimento inicial passará a ser de
R$ 1.224,70. Além do aumento salarial, o acordo garantiu mais 1,68%
dentro do Plano de Cargos, Carreiras e Salários, com progressão
horizontal. Os garis, no entanto, consideram a proposta insatisfatória,
já que pedem um piso salarial de R$ 1.200.
O gari Célio Viana,
um dos líderes do movimento grevista, disse que nesta sexta, 70% dos
cerca de 4.000 garis da Comlurb estão parados. Já segundo o presidente da Comlurb, Vinicius Roriz, a paralisação atingiu entre 30% e 35% dos responsáveis por varrer as ruas e fazer a coleta dos resíduos
Fonte: UOL
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