Reservas-ouro da Ucrânia são evacuadas secretamente e levadas para os Estados Unidos
Carlos Latuff
Uma página de notícias russa na internet, a Iskra (Fagulha),
com base em Zaporozhye, na Ucrânia do Leste, informou no dia 7 de março
que “as reservas de ouro da Ucrânia haviam sido apressadamente
transportadas por via aérea para os Estados Unidos a partir do Aeroporto
de Borispol, a Leste de Kiev”.
A despeito da alegada remoção
aérea e o confisco das reservas-ouro da Ucrânia pelo New York Federal
Reserve não ter sido confirmada pela mídia ocidental, o Iskra diz o que
segue: “Às 2 horas da manhã [do 7 de março] um avião de transporte não
identificado estava na pista do Aeroporto de Borispol. Segundo a equipe
do aeroporto, antes da vinda do avião chegaram ao local quatro caminhões
e
dois micro-ônibus Volkswagen, todos eles sem matrícula de
identificação. 15 pessoas com uniformes negros, máscaras e armadura
corporal saíram, alguns armados com metralhadoras. Eles carregaram o
avião com mais de 40 caixas pesadas. Depois disso, chegou um homem
misterioso que entrou no avião. Todo o carregamento foi feito às
pressas. O avião decolou numa base de emergência (emergency basis).”
Aqueles
que assistiram esta misteriosa operação especial imediatamente
notificaram os responsáveis do aeroporto, os quais lhes disseram para
não se meterem nos assuntos dos outros.
Posteriormente um
telefonema de resposta de um alto responsável do antigo Ministério das
Receitas Fiscais informou que, por ordens de um dos novos líderes da
Ucrânia, os Estados Unidos haviam tomado a custódia de todas as
reservas- -ouro na Ucrânia.
Na conta de quem?
Após esta revelação, o secretário tesoureiro do GATA (Gold Anti-Trust Action Committee),
Chris Powell, requereu ao New Federal Reserve e ao Departamento de
Estado dos EUA que indicasse se o NY Fed havia “tomado a custódia” do
ouro da Ucrânia. Um porta- -voz do New York Fed disse simplesmente
“Qualquer indagação a respeito das contas-ouro deveria ser dirigida ao
possuidor da conta. Você pode contatar o Banco Nacional da Ucrânia para
discutir esta informação”.
O GATA, então, chamou a atenção de 30 jornalistas financeiros e redatores de newsletters “de referência” na esperança confessadamente bizarra de que pudessem também fazer a mesma pergunta.
Apesar
de a informação não confirmada a respeito das reservas-ouro da Ucrânia
não ter sido objeto de cobertura pelos noticiários financeiros “de
referência”, a história no entanto foi levantada pelo Shanghai Metals Market,
o qual declara, citando uma informação do governo ucraniano, que
reservas-ouro da Ucrânia haviam sido “removidas num avião ... de Kiev
para os Estados Unidos... em 40 caixas seladas” carregadas numa aeronave
não identificada.
A fonte não confirmada citada pela página
Metal.com diz que a operação de remoção aérea do ouro da Ucrânia foi
ordenada pelo primeiro-ministro interino Arseny Yatsenyuk tendo em vista
manter seguras no NY Fed as reservas- -ouro da Ucrânia, prevenindo uma
possível invasão russa a qual levaria ao confisco das mesmas.
Despojos de guerra
Um importante blog financeiro online, o Kingworldnesw,
publicou no dia 10 de março uma entrevista incisiva de William Kaye ,
administrador do hedge fund Pacific Group Ltd., com sede em Hong Kong,
que anteriormente trabalhou para a Goldman Sachs em fusões e
aquisições.
É significativa nesta entrevista com William Kaye a
analogia que ele faz entre a Ucrânia, o Iraque e a Líbia. Não se deve
esquecer que tanto o Iraque quanto a Líbia tiveram as suas reservas-ouro
também confiscadas pelos EUA.
Kaye também confirma a operação:
“Há agora informações vindas da Ucrânia de que todo o ouro ucraniano foi
removido por via aérea, às 2 horas da madrugada, a partir do aeroporto
principal, Borispil, em Kiev, e foi transportado para Nova York – sendo o
presumível destino o New York Fed. Verifica-se que estas 33 toneladas
de ouro valem algo entre 1,5 e 2 bilhões de dólares. Essa quantia seria
um pagamento inicial (down payment) muito lindo para os 5
bilhões de dólares que a secretária de Estado Assistente, Victoria
Nuland, gabou-se de os Estados Unidos terem gasto nos seus esforços para
desestabilizar a Ucrânia e instalar ali o seu próprio governo não
eleito”.
Kaye ainda menciona que “os Estados Unidos instalaram
um antigo banqueiro na Ucrânia o qual é muito amistoso para com o
Ocidente. Ele é também um rapaz com experiência de banco central”. De
modo que esta teria sido a sua primeira grande decisão: “transportar
aquele ouro para fora da Ucrânia, para os Estados Unidos”.
Alemanha
O
caso que envolve o ouro da Alemanha em poder dos Estados Unidos também é
lembrado por ele: “Você pode recordar que exigências alegadamente
logísticas impediram o New York Fed de devolver à Alemanha as 300
toneladas de ouro que os Estados Unidos armazenam. Após um ano de
espera, o New York Fed devolveu apenas 5 toneladas de ouro à Alemanha.
Só 5 toneladas de ouro foram enviadas do Fed para a Alemanha e não eram
as mesmas 5 toneladas que haviam sido originalmente armazenadas no Fed.
Mesmo o Bundesbank admitiu que o ouro que lhes fora enviada pelo New
York Fed tinha de ser fundido e testado quanto à pureza porque não eram
as barras originais da Alemanha”.
Se isso é assim, indaga-se
Kaye, “uma vez que exigências logísticas supostamente são uma questão
tão grande, como é que num voo, assumindo que esta informação é correta,
todo o ouro que a Ucrânia possuía no seu cofre foi retirado do país e
entregue ao New York Fed?”. De qualquer modo, pensa ele “que qualquer um
com células cerebrais ativas sabe que tal como a Alemanha, a Ucrânia
terá de esperar um tempo muito longo e provavelmente nunca verá aquele
ouro outra vez . Significa que o ouro se foi”. (resistir.info)
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