Após novas mortes em protestos, Maduro ordena atuação da força pública em zonas de violência
Presidente venezuelano se reuniu na
noite desta quarta com Gabinete Extraordinário de Segurança, que inclui
ministros e comando das Forças Armadas
Novas mortes foram registradas nesta quarta-feira (12/03), quando se
completou um mês da onda de protestos na Venezuela. Para frear a
violência que vem caracterizando as manifestações opositoras, o
presidente Nicolás Maduro se reuniu, durante a noite, com o Gabinete
Extraordinário de Segurança, que inclui os ministros de Interior e de
Defesa, o comando das Forças Armadas, entre outros.
Após o término da reunião, a ministra de Comunicação, Delcy Rodríguez,
informou pelo Twitter que o chefe de Estado ordenou a detenção de
franco-atiradores, que segundo o governo, mataram cidadãos em Carabobo. O
presidente também ordenou buscas em domicílios de uma região de
Valencia, capital deste estado.
Agência Efe

Novas mortes foram registradas em conforntos com a Guarda Nacional Bolivariana nesta quarta-feira
Novas mortes foram registradas em conforntos com a Guarda Nacional Bolivariana nesta quarta-feira
“Ordenou-se a atuação da força pública nas zonas de focos violentos nas
próximas horas, assim como, detenção dos financistas e fornecedores
destes grupos violentos. O chefe de Estado preservará a paz da República
e de seus cidadãos!”, foi uma das postagens da ministra na rede social
às 23h20 do horário local (00h50 no Brasil).
Somente nesta quarta, três pessoas morreram e diversas ficaram feridas
em Valencia. Um capitão da GNB (Guarda Nacional Bolivariana), polícia
militarizada do país, e dois civis estão entre os mortos. Segundo o
governador de Carabobo, Francisco Ameliach, havia franco-atiradores em
um dos locais de distúrbios. Mais cedo, em Caracas, estudantes chavistas
e opositores realizaram manifestações.
A marcha opositora, que previa chegar à Defensoria do Povo, não obteve
autorização da prefeitura chavista do município de Libertador, que
abriga o centro de Caracas, e foi bloqueada por efetivos policiais. Na
UCV (Universidade Central da Venezuela), registraram-se confrontos entre
a GNB e estudantes, deixando feridos de ambos os lados. Horas depois,
no município de Chacao, que a
abriga a Praça Altamira, um edifício foi
atacado e saqueado por manifestantes.
“Sou obrigado, pela minha responsabilidade constitucional, a tomar
medidas especiais onde estão os epicentros de ataques fascistas (...)
ninguém vai me chantagear, nem a opinião cúmplice da maioria dos líderes
da oposição”, disse Maduro no final da tarde, quando anunciou a reunião
especial com o gabinete de segurança para “tomar medidas drásticas”
contra grupos que “estão atentando contra vidas”.
Para o presidente venezuelano, os disparos em protestos provêm de
policiais de municípios governados pela oposição e membros do partido
Vontade Popular, de Leopoldo López, preso desde 18 de fevereiro. Acusado
pelo governo de autor intelectual da violência, o dirigente opositor
deu início, ao lado da deputada María Corina Machado, à campanha “A
saída”, no final de janeiro, chamando a população às ruas até uma
mudança de governo.
Estimulados pela campanha e pela prisão de manifestantes em violentos
protestos no estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia, no início
de fevereiro, milhares de opositores marcharam ao Ministério Público do
país no dia 12 de fevereiro. Ao final da manifestação, distúrbios
resultaram em três mortes, e a partir de então, Caracas vive protestos
quase diários contra o governo.
“Quer que acabe? Renuncie” e “Venezuela em chamas” são algumas das
pichações que podem ser lidas nas redondezas da Praça Altamira, em
Chacao, bastião opositor ao leste de Caracas. O leque de queixas é
variado: insegurança, repressão de protestos, falta de produtos nas
prateleiras, alta inflação, entre outras. A queda do governo, como
objetivo de fundo, é revelado por vários deles.
Intensos inicialmente e protagonizados por jovens de classe média sem
nenhuma simpatia pelo chavismo, os protestos foram ganhando caráter
hostil ao longo dos dias, com menor participação e protagonizados por
pessoas com a cara coberta promovendo cenas de destruição. Um dos
principais mecanismos dos manifestantes é instalar barricadas nas ruas e
avenidas com lixo, sucata e até moveis e eletrodomésticos incendiados.
Para o prefeito opositor de Chacao, Ramón Muchacho, o vandalismo serve
de “álibi para o governo desprestigiar as reclamações” do movimento
estudantil, e atacar a polícia de seu município. “O governo usa o
vandalismo em Chacao para desviar atenção das verdadeiras causas da
crise: desabastecimento, inflação, insegurança”, afirmou no Twitter,
acusando as forças nacionais de segurança de permitirem o vandalismo e,
posteriormente reprimir os moradores com “uso desmedido da força
pública”.
Agência Efe

Para tentar conter violência, Maduro ordenou a ida das forças de segurança para locais conflituosos
Para tentar conter violência, Maduro ordenou a ida das forças de segurança para locais conflituosos
Na última semana, Opera Mundi presenciou o momento em
que um motociclista passou por uma barricada na avenida ao sul da Praça
Altamira. “Peguem-no!”, gritou um manifestante furioso aos que
protestavam mais adiante, em outra barricada. O motoqueiro, no entanto,
conseguiu escapar. De acordo com o ministro do Comércio do País, o
bloqueio de vias em protestos afetou em pelo menos 60% a distribuição de
produtos básicos em estados como Arágua, Carabobo, Táchira e Mérida.
Foi justamente em barricadas que se deram algumas das mortes, que já
superam as duas dezenas desde o início da onda de protestos. Ao tentar
desmontar uma delas, a chilena Gisella Rubilar, de 47 anos, morreu no
último domingo, após ser baleada no estado de Mérida. No leste de
Caracas, um motociclista identificado como Santiago Enrique Pedroza, de
29 anos, foi degolado em uma armadilha feita com arame preso de um lado a
outro de uma avenida.
Cenas de agressões a policiais com objetos encontrados pelo caminho e
coquetéis molotov são frequentes. Diversos edifícios e bens públicos,
como caminhões para o transporte de alimentos destinados a mercados
estatais, foram alvos de ataques no último mês. Segundo autoridades, os
protestos violentos são registrados em somente em 18 dos 335 municípios
do país.
As forças de segurança respondem com bombas de gás lacrimogêneo e balas
de borracha. Com escassa cobertura televisiva dos protestos, diversas
denúncias de uso excessivo da força e abusos policiais circulam pelas
redes sociais. O Foro Penal Venezuelano, que reúne advogados, denunciou
violações aos direitos humanos por parte do Estado na repressão, assim
como a detenção de manifestantes sem o cumprimento da normativa legal, e
chegou a falar em “torturas”.
Na terça, o Ministério Público informou que 14 funcionários das forças
de segurança foram detidos por suposto envolvimento em violações a
direitos fundamentais. Seis deles são do Sebin (Serviço Bolivariano de
Inteligência Nacional), quatro da PNB (Polícia Nacional Bolivariana), um
do Exército e três de polícias locais.
Em uma tentativa de baixar a violência, Maduro convocou diversos
setores da sociedade a uma “Conferência de Paz”, que reuniu empresários,
religiosos, trabalhadores e de estudantes. Os principais líderes
estudantis – muitos vinculados a partidos opositores - e representantes
da coalizão opositora MUD (Mesa de Unidade Democrática) se negaram a
participar do processo de diálogo, impondo condições, como a presença de
um interlocutor “neutro” na mediação e liberação de detidos, entre
outros.
Fonte: http://operamundi.uol.com.br
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