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quinta-feira, 6 de março de 2014

GREVE

Símbolo da categoria, Renato Sorriso participa de ato de garis grevistas

Símbolo da categoria, Renato Sorriso participa de ato de garis grevistas

"Sou gari também", afirmou, enquanto colegas discursavam contra a prefeitura

O movimento dos garis do Rio ganhou um componente de peso nesta quinta-feira (6). Renato Luz Feliciano Lourenço, mais conhecido como Renato Sorriso, gari que ficou conhecido em todo o país e até no exterior por levar sua alegria e seu samba no pé, participava nesta manhã de ato dos grevistas em frente à sede da Comlurb, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Mas desta vez estava, ele estava com o semblante fechado. Perguntado se era a favor da greve, ele foi direto: "Eu sou gari também. Estou aqui porque sou gari e trabalhador."
Renato separou o personagem Sorriso do profissional da limpeza: "Uma coisa sou eu sambando, outra coisa sou eu gari", disse, enquanto colegas discursavam em frente à sede da Comlurb. Eles protestavam contra a postura da empresa, que estaria coagindo trabalhadores a voltarem a trabalhar. Em assembleia, a categoria decidiu pela manutenção da greve, e partiu em passeata até a Prefeitura do Rio.
O movimento quer um encontro com representantes da prefeitura para negociar nova proposta de ajuste salarial e melhores condições de trabalho, em vez da que foi acordada pelo sindicato e pela Comlurb na segunda-feira e que prevê aumento de cerca de R$ 70. Os garis reivindicam um reajuste de R$ 400.?
Eles negam as acusações de envolvimento politico do movimento. "Isso não tem a ver com politica, mas com salário. Eu quero um salário justo", afirmou o gari Celio Viana, há 12 anos na Comlurb. Segundo ele, a diretoria do sindicato dos garis é a mesma há décadas e não representa os interesses dos trabalhadores.

Na Comlurb dede 1989, Paulo Chagas, que limpava a Marques de Sapucaí na manhã desta quinta-feira sob escolta da guarda municipal, fez questão de mostrar o contracheque em que se lia como salário referência R$ 847,44. “O gari quer dignidade. Estou trabalhando porque fui coagido. Dizem que a greve acabou, mas é só você olhar como está a cidade”, afirmou.
Na avenida presidente Vargas, próximo a prefeitura da cidade, os moradores se esforçavam para atravessar a rua sem pisar no
lixo acumulado nas esquinas. A situação é pior nas áreas por onde passaram blocos carnavalescos, como na orla da zona sul, na avenida Rio Branco e na Praça XV. Caso se confirmem as previsões de chuva para hoje, o lixo pode entupir bueiros e agravar a situação.
Três garis foram detidos ontem à tarde, acusados de impedir colegas de limparem a praia de Ipanema. O prefeito chegou a sugerir que havia algum tipo de interesse político por trás do movimento.
Os grevistas pedem R$ 1.680 de piso salarial - R$ 1.200, mais 40% de insalubridade - e R$ 20 de vale-refeição. A prefeitura oferece R$ 1.224 - R$ 874, mais 40% de insalubridade - e R$ 16 de vale-refeição. A greve já dura seis dias.
Com Portal Terra

Fonte: Jornal do Brasil

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