Ativista negro é libertado após 44 anos de prisão indevida nos EUA
| Marshall “Eddie” Conway, antigo líder do grupo Pantera Negra |
O
ativista foi condenado à prisão perpétua pela acusação de assassinato
do policial Donald Sager, em 1971, no estado de Maryland. Ele sempre
negou ter participado do crime, entretanto, e diversas campanhas foram
mantidas por sua libertação.
A Justiça do estado de Maryland
concordou com a revisão do seu caso e acabou mudando a sentença de
prisão perpétua para a
garantia da liberdade condicional, embora Conway
já tenha cumprido 44 anos de pena.
Em 2012, a Corte de Apelações
de Maryland decidiu que os juízes haviam fornecido instruções
inadequadas para os jurados nos julgamentos anteriores a 1980, o que
levou à revisão dos casos de inúmeros detentos, inclusive o do ex-líder
do Pantera Negra.
De acordo com a organização Parceria pela
Justiça Social, criada a partir de uma campanha pela libertação de
Conway, ele havia sido condenado à prisão perpétua e outros 30 anos.
Entretanto, “como muitas outras vítimas do Programa de
Contrainteligência do Birô Federal de Investigação (FBI), Conway, um
antigo líder do Partido Pantera Negra de Baltimore, foi visado por seu
ativismo político e social e por seu trabalho na comunidade,” explica a
organização, em seu portal eletrônico.
O programa teria sido
desmantelado em 1971 e declarado ilegal por um Comitê de Igrejas no
Senado estadunidense, em 1976, “mas suas vítimas continuam presas,
muitas sem a possibilidade de liberdade condicional”.
O Pantera
Negra também foi lançado com base em ideais marxistas-leninistas, embora
fosse composto por diversos grupos em todo o país. Seu jornal oficial
entrou em circulação em 1967, mesmo ano em que seus membros marcharam
até o Capitólio do estado da Califórnia para protestar contra uma
proibição seletiva sobre a posse de armas. No ano seguinte, o grupo
havia se expandido por inúmeras cidades.
Em 1969, o Pantera Negra
contava com 10 mil membros, enquanto o jornal alcançava uma circulação
de 250 mil exemplares. O programa de 10 pontos divulgado na mesma época
expunha as reivindicações e a denúncia generalizada da sua exclusão
política, social e econômica.
Os pontos resumem-se com a
reivindicação pela liberdade e poder aos negros de determinar o seu
destino; por empregos decentes; pelo fim do expólio capitalista contra
os negros e as comunidades oprimidas; habitações decentes “adequadas ao
abrigo de seres humanos”; educação básica “que exponha a verdadeira
natureza desta sociedade norte-americana decadente”.
Alérm disso, o
programa também exigia cuidados de saúde gratuitos a todos os negros e
oprimidos; fim imediato à brutalidade policial; o fim completo a todas
as guerras de agressão; liberdade a todos os negros presos e julgamentos
razoáveis; e o ponto por “terra, pão, habitação, educação, vestimenta,
justiça, paz e controle comunitário da tecnologia moderna”.
O
programa de espionagem do FBI foi montado sob a alegação de que o grupo
compunha “a maior ameaça à segurança nacional” dos Estados Unidos. Entre
as principais ações do projeto estiveram a vigilância, a infiltração, o
perjúrio e o assédio policial, além da própria detenção arbitrária e do
assassinato, para enfraquecer o Pantera Negra e minar a sua atuação.
Fonte: http://www.brasildefato.com.br
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