Transparência de Alckmin sobre corrupção no Metrô existe só no discurso
- Estados do Brasil:
da Rede Brasil Atual
Criado
há quase um mês pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) para
supostamente envolver a sociedade nas investigações sobre corrupção no
Metrô e na CPTM, o Movimento TranSParência realizou apenas duas
reuniões até agora (a segunda na sexta-feira, 30), sem que qualquer
informação relevante tenha sido tornada pública.
Gustavo Ungaro,
presidente da Corregedoria Geral da Administração do governo do Estado
de São Paulo, diz que a reunião da semana passada serviu para analisar
licitações feitas entre 1998 a 2008.
“A interação com a sociedade
civil por meio do grupo externo de acompanhamento tem oferecido
elementos de grande valia para os nossos trabalhos, tanto com sugestões
como também fortalecendo a nossa organização e prestação de contas”,
disse. “Essa ação tem não só propiciado transparência, mas também
servido de uma colaboração efetiva para os trabalhos apuratórios.”
Mas
entidades que participam do Movimento TranSParência, objetivamente, não
têm muito o que fazer no colegiado. Segundo o advogado Vicente Bagnoli,
da OAB-SP, que participou da reunião de sexta-feira, “a OAB, como
outras entidades que representam a sociedade civil, faz só um
acompanhamento do que o estado está fazendo. A OAB não decide, não faz
sugestão de como o estado deva ou não proceder, não é papel da OAB. A
OAB simplesmente acompanha o que o estado está fazendo”, esclarece.
Bagnoli
diz que, segundo o governo paulista, quase todas as empresas envolvidas
no suposto cartel já falaram em oitivas. Mas “o conteúdo daquilo que
está sendo ouvido pelo estado continua confidencial, até para não
prejudicar as investigações”.
O processo movido pelo governo
paulista contra a Siemens, na 4ª Vara da Fazenda Pública, também está
sob sigilo, determinado pela juíza Renata Longo Vilalba Serrano Nunes.
Assim como os principais documentos (os que foram objeto de busca e
apreensão) do processo desencadeado pelo Conselho Administrativo de
Defesa Econômica (Cade).
Por meio da assessoria de comunicação, a
Corregedoria informou que participaram da reunião de sexta-feira as
seguintes entidades: Ordem dos Advogados do Brasil seção São Paulo
(OAB-SP), Transparência Brasil, Movimento de Combate à Corrupção
Eleitoral (MCCE), Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo,
Conselho de Transparência da Administração Pública, Instituto Ethos,
Ordem dos Economistas do Brasil, Fundação Instituto de Pesquisa
Econômicas (Fipe), Escola Politécnica da USP e Comissão de Controle
Social de Gastos Públicos da OAB-SP. A Associação Brasileira de Imprensa
em São Paulo “se ausentou com falta justificada”, segundo a
corregedoria.
Citado entre os presente, o MCCE nega que tenha participado do encontro.
A
pedagoga e membro do MCCE de São Paulo, Lucrécia Anchieschi Gomes,
afirma que a entidade não faz parte da comissão e que Ungaro já foi
comunicado disso oficialmente.
“Deve estar havendo algum equívoco. Decidimos não participar porque não é o nosso foco. Nosso foco são questões eleitorais”, diz Lucrécia.
De
acordo com a corregedoria, o MCCE foi representado por Naur Martins. "O
senhor Naur foi por vontade própria, pessoal, mas ele não representa o
MCCE", esclarece Lucrécia.
Papel figurativo
A oposição
ao governo Alckmin na Assembleia Legislativa tem criticado o governo por
impedir a criação de uma CPI sobre o tema e diz que a comissão de
notáveis tem papel figurativo. Quando o Movimento TranSParência foi
anunciado, no dia 9 de agosto, o deputado Alencar Santana (PT) declarou:
“O pior é a OAB se prestar a isso, pois é um órgão de defesa, não de
investigação”.
O advogado Vicente Bagnoli responde que “a OAB foi
convidada a fazer parte de uma comissão de acompanhamento externo”. “A
OAB tem um papel republicano defendendo os princípios da justiça e
interesses da sociedade civil.”
De acordo com a corregedoria, a
próxima reunião do Movimento TranSParência será nos próximos 15 dias,
mas ainda não há data confirmada.
Foto: Ciete Silvério/Governo do Estado de SP
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