Projeto de terceirização causa 'gravíssima lesão' aos trabalhadores e ao Estado
Em ofício enviado à CCJ, 19 dos 26 ministros do Tribunal Superior do Trabalho alertam para o 'rebaixamento dramático da remuneração contratual de milhões de concidadãos'
Dezenove
dos vinte e seis ministros do Tribunal Superior do Trabalho (TST) são
contra o Projeto de Lei 4330/2004, de autoria do deputado Sandro Mabel
(PMDB-GO), que regulamenta a terceirização no país e precariza as
relações de trabalho. A maioria dos ministros do TST assina um ofício
enviado ao presidente da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania
(CCJ) da Câmara, deputado Décio Lima (PT-SC), onde o PL pode ser votado
ainda essa semana.
"A diretriz acolhida pelo PL
4.330-A/2004, ao permitir a generalização da terceirização para toda a
economia e a sociedade, certamente provocará gravíssima lesão social de
direitos sociais, trabalhistas e previdenciários no país, com a
potencialidade de provocar a migração massiva de milhões de
trabalhadores hoje enquadrados como efetivos das empresas e instituições
tomadoras de serviços em direção a um novo enquadramento, como
trabalhadores terceirizados, deflagrando impressionante redução de
valores, direitos e garantias trabalhistas e sociais”, informa o ofício.
O
documento enfatiza que “o rebaixamento dramático da remuneração
contratual de milhões de concidadãos, além de comprometer o bem-estar
individual e social de seres humanos e famílias brasileiras, afetará
fortemente, de maneira negativa, o mercado interno de trabalho e de
consumo, comprometendo um dos principais elementos de destaque no
desenvolvimento do País. Com o decréscimo significativo da renda do trabalho ficará comprometida a pujança do mercado interno no Brasil”.
Os
ministros destacam que a aprovação do projeto do deputado Sandro Mabel,
dono da empresa de biscoitos que leva o seu nome, também trará um grave
problema fiscal para o Estado “ao diminuir, de modo substantivo, a
arrecadação previdenciária e tributária no Brasil”, além de provocar “o
esvaziamento, via terceirização potencializada, das grandes empresas
brasileiras, que irão transferir seus antigos empregados para milhares
de pequenas e médias empresas que serão as agentes do novo processo de
terceirização generalizado”.
No ofício os ministros ainda dizem
que o discurso da competitividade, defendido pelos empresários a favor
da votação do PL, “é uma cortina de fumaça para aprofundar a exploração
com a perspectiva de aumentar o lucro com exploração excessiva da mão de
obra precarizada e barata”.
Assinam o documento os ministros
Antonio José de Barros Levenhagen, João Oreste Dalazen, Emmanoel
Pereira, Lelio Bentes Corrêas, Aloysio Silva Corrêa da Veiga, Luiz
Philippe Vieira de Mello Filho, Alberto Luiz Bresciane de Fontan
Pereira, Maria de Assis Calsing, Fernando Eizo Ono, Marcio Eurico Vitral
Amaro, Walmir Oliveira da Costa, Maurício Godinho Delgado, Kátia
Magalhães Arruda, Augusto Cesar Leite de Carvalho, José Roberto Freire
Pimenta, Delaílde Alves Miranda Arantes, Hugo Carlos Sheurmann,
Alexandre de Souza Agra Belmonte e Claudio Mascarenhas Brandão.
De acordo com um estudo de 2011 da CUT e do Dieese, o trabalhador terceirizado fica 2,6 anos a menos no emprego ,
tem uma jornada de três horas a mais semanalmente e ganha 27% a menos. A
cada 10 acidentes de trabalho, oito ocorrem entre terceirizados. O
documento destaca que as áreas possíveis para terceirização hoje,
segundo as leis trabalhistas, são a contratação de trabalhadores por
empresa de trabalho temporário, contratação de serviços de vigilância,
de serviços de conservação e limpeza e de serviços especializados
ligados a atividades-meio do tomador.
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