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terça-feira, 24 de setembro de 2013

Embalagem que alerta se alimento está contaminado deve ser realidade no Brasil

Embalagem que alerta se alimento está contaminado deve ser realidade no Brasil

Braskem tem expectativa de que o projeto da embalagem inteligente seja finalizado nos próximos quatro anos. Necessidade da cadeia de alimentos para evitar recall de produtos impulsiona estudos

Caso o produto seja contaminado ou perca o prazo de validade, devido a reações químicas e físicas do alimento contido dentro do invólucro. Parece algo futurista, mas o projeto pode estar mais próximo do que se imagina, e no Brasil.
A petroquímica Braskem prevê investir mais recursos, no ano que vem, para estruturar a ideia e buscar soluções para tornar as embalagens inteligentes realidade nos próximos quatro anos. "Queremos investir na tecnologia de sensores, que são sensíveis a mudanças de temperatura, PH e microorganismos e auxiliar a indústria de alimentos e supermercados", conta Patrick Teyssonneyre, diretor de inovação da área de polímeros da Braskem.
É um sistema parecido com o de aparelhos de teste de gravidez e um projeto que vem sendo sondado pela empresa pelo menos desde 2007, quando foi registrada a primeira patente relacionada ao projeto. "Na época, era uma tecnologia à frente do seu tempo. Ouvimos de clientes que não era para o Brasil, mas, sim, para a Europa ou Japão".
O executivo conclui que é uma tendência que vai acontecer em algum momento. Portanto, a petroquímica não quer ter de correr atrás da concorrência. "Nos últimos dois anos tivemos sinais fortes, ainda mais este ano, de que vale a pena colocar mais recursos nesta tecnologia".
Casos de contaminação, como o de pelos de rato no ketchup da Heinz , e  produto de limpeza no suco Ades  e também no Toddynho  têm acelerado a pesquisa. Na visão de Teyssonneyre, casos como estes podem ser causados tanto por má-fé quanto por processos inadequados de fornecedores, sobre os quais as empresas não têm controle. 
Na mira, estão grandes produtores de alimentos e bebidas, como Ambev, BRF e Coca-Cola. "As ineficiências estão ao longo da cadeia. A indústria tem interesse em controlar mais este processo. É uma preocupação". O segmento de embalagens alimentícias liderou as vendas da petroquímica em 2012, com 27% de participação,
Desta forma, os produtores podem não ficar reféns de problemas no transporte de produtos, por exemplo. A tecnologia pode permitir controlar se a embalagem vai chegar no supermercado assim como saiu da fábrica. "Um caminhão que tem avarias no ar condicionado durante o transporte é difícil de ser detectado. A embalagem permite identificar a remessa que pode ter sido deteriorada".
A nova tecnologia poderá auxiliar tanto no controle de qualidade do processo de produção, na própria fábrica, quanto trazer benefícios diretos para o consumidor. Isso porque a embalagem deve indicar se o produto está bem armazenado ou impróprio para consumo em diversas etapas. "O consumidor poderá ter mais segurança sobre quando o produto não pode mais ser consumido", diz o executivo.
Mas o caminho para o projeto se tornar realidade é desafiador. A princípio, a mudança de cor da embalagem será um indicativo de contaminação, mas é necessário focar inicialmente em um alimento específico. Isso porque cada um reage de maneira diferente à contaminação. A busca pelo desenvolvimento da tecnologia deve incluir consultas à universidades especializadas.
Teyssonneyre indica que a companhia já conhece bem como funciona a sinalização. Resta sabe como colocar a tecnologia na embalagem plástica fabricada pela petroquímica.
* A repórter viajou a convite da Braskem

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