Condenação sela ocaso de líder em ascensão na China
A Justiça chinesa condenou à prisão perpétua neste domingo o político - até então em ascensão no Partido Comunista - Bo Xilai, acusado de suborno, fraude e abuso de poder.
O político, que nega as acusações, tem direito a recorrer da sentença. Mas seu ocaso político foi praticamente selado.
Bo Xilai, que nega as acusações, perdeu seus direitos políticos
Ainda que seu julgamento tenha sido conduzido em um grau inédito de
abertura na China, muitos analistas dizem que a condenação de Bo era
dada como certa desde o início - e muitos veem uma forte dimensão
política no processo movido contra ele.
Bo, que chefiava o partido em Chongqing e foi
prefeito de Dalian, foi exonerado no ano passado em meio a um escândalo,
que resultou também na condenação de sua mulher pelo homicídio do
empresário britânico Neil Heywood.
Bo foi acusado de usar seu poder para encobertar
o crime, de receber subornos de cerca de US$ 3 milhões e de, segundo a
Corte, "ferir os interesses nacionais chineses".
Mas o político diz que sua confissão dos crimes foi obtida pela polícia por meio de tortura.
Base de apoio
Há apenas dois anos, Bo era uma das estrelas do
Partido Comunista e parecia prestes a entrar ao Zhongnanhai, o
quartel-general do governo em Pequim - onde ficam os principais líderes
chineses.
Agora, ainda que seja bem-sucedido em recorrer
na Justiça, é altamente improvável que ele consiga retomar sua carreira
dentro do partido, explica a correspondente da BBC em Pequim, Celia
Hatton.
Bo, que já tem 64 anos, perdeu seus direitos
políticos, e "é difícil imaginar um cenário em que ele possa recuperar
sua base de apoio popular", diz Hatton.
"Com a queda de Bo, o Partido Comunista perde um
dos políticos mais talentosos de sua geração", opina em artigo à BBC
Kerry Brown, professor de política chinesa na Universidade de Sydney
(Austrália), alegando que o político tinha "carisma e dons políticos
naturais".
"Seu ocaso é uma boa notícia para seus muitos
inimigos na elite política do partido", prossegue o professor. "Alguns
especulavam que ele poderia ter se tornado líder do Congresso ou do
conselho consultivo do governo, que lhe teriam oferecido bases de poder
para mobilizar a opinião pública. Teria sido muito difícil colocá-lo de
escanteio (depois disso)."
O escândalo envolvendo Bo - o maior a afetar a
elite política chinesa nas últimas décadas - desencadeou uma crise
política no Partido Comunista, que à época estava prestes a organizar a
troca de lideranças no governo chinês, ocorrida uma vez por década.
A crise, por sua vez, revelou as divisões dentro
da agremiação e deu ao público uma oportunidade rara de conhecer o
mundo dos ricos e poderosos do país, à medida que emergiram detalhes
sobre seus hábitos de luxo.
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias
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