Caetano Veloso cobre rosto e divulga apoio a máscaras em protestos no RJ
Compositor visita Mídia Ninja para discutir protestos na capital fluminense
O cantor e compositor Caetano Veloso visitou na noite de quinta-feira
a sede do coletivo de jornalismo Mídia Ninja (Narrativas Independentes,
Jornalismo e Ação), no Rio de Janeiro, e divulgou seu apoio ao uso de
máscaras em protestos no Estado. Caetano posou para uma foto com o rosco
coberto por uma camiseta, de forma semelhante aos membros do grupo
Black Bloc.
"É uma violência simbólica proibir o uso de mascaras.
Dia 7 de setembro, todos deveriam ir às ruas mascarados", disse Caetano,
segundo o Mídia Ninja. O coletivo jornalístico divulgou informações
sobre o encontro com o compositor em suas páginas no Facebook e no
Twitter.
Um projeto de lei que tramita na Assembleia Legislativa
do Rio de Janeiro (Alerj) quer proibir a utilização de máscaras ou itens
que cubram o rosto durante manifestações no Estado. A proposta é dos
deputados estaduais Paulo Melo e Domingos Brazão, ambos do PMDB.
Mobilizados
contra o aumento das tarifas de transporte público nas grandes cidades
brasileiras, grupos de ativistas organizaram protestos para pedir a
redução dos preços e maior qualidade dos serviços públicos prestados à
população. Estes atos ganharam corpo e expressão nacional, dilatando-se
gradualmente em uma onda de protestos e levando dezenas de milhares de
pessoas às ruas com uma agenda de reivindicações ampla e com um
significado ainda não plenamente compreendido.
A mobilização
começou em Porto Alegre, quando, entre março e abril, milhares de
manifestantes agruparam-se em frente à Prefeitura para protestar contra o
recente aumento do preço das passagens de ônibus; a mobilização surtiu
efeito, e o aumento foi temporariamente revogado. Poucos meses depois, o
mesmo movimento se gestou em São Paulo, onde sucessivas mobilizações
atraíram milhares às ruas; o maior episódio ocorreu no dia 13 de junho,
quando um imenso ato público acabou em violentos confrontos com a
polícia.
A grandeza do protesto e a violência dos confrontos
expandiu a pauta para todo o País. Foi assim que, no dia 17 de junho, o
Brasil viveu o que foi visto como uma das maiores jornadas populares dos
últimos 20 anos. Motivados contra os aumentos do preço dos transportes,
mas também já inflamados por diversas outras bandeiras, tais como a
realização da Copa do Mundo de 2014, a nação viveu uma noite de
mobilização e confrontos em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba,
Salvador, Fortaleza, Porto Alegre e Brasília.
A onda de protestos
mobiliza o debate do País e levanta um amálgama de questionamentos sobre
objetivos, rumos, pautas e significados de um movimento popular
singular na história brasileira desde a restauração do regime
democrático em 1985. A revogação dos aumentos das passagens já é um dos
resultados obtidos em São Paulo e outras cidades, mas o movimento não
deve parar por aí. “Essas vozes precisam ser ouvidas”, disse a
presidente Dilma Rousseff, ela própria e seu governo alvos de críticas.
Fonte: http://www.jb.com.br/
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