Bancários rejeitam proposta e aprovam greve nacional a partir da próxima quinta-feira (19)
13/09/2013
Bancários
em assembleias nas principais bases sindicais do país na noite dessa
quinta-feira (12) rejeitaram o índice de reajuste salarial sem aumento
real oferecido pelo setor patronal. Caso a Federação dos Bancos
(Fenaban) não apresente nova proposta, já ficou aprovado o início de
greve por tempo indeterminado a partir da próxima quinta (19).
Já
ocorreram quatro rodadas de negociação. A proposta oferecida pelos
representantes dos bancos, reajuste de 6,1%, apenas repõe a inflação
medida pelo INPC nos últimos 12 meses. Mas a pauta econômica os
trabalhadores inclui 5% de aumento real, piso salarial de R$ 2.860,
Participação nos Lucros e Resultados no valor de três salários somados a
uma parcela adicional fixa de R$ 5.553,15 e vales refeição e
alimentação no valor do salário mínimo nacional, R$ 678, cada.
Os
trabalhadores reivindicam ainda mais contratações, combate às pressões
por metas abusivas e ao assédio moral, entre outros. De acordo com
informações do INSS, somente no ano passado 21.144 bancários foram
afastados por doenças ocupacionais, transtornos mentais e
comportamentais, como stress, depressão e síndrome do pânico. De janeiro
a março de 2013, 4.387 pessoas se licenciaram pelos mesmos motivos.
As
entidades sindicais observam que o setor financeiro apresentou lucros
recordes no primeiro semestre de 2013. Os cinco maiores bancos (Banco do
Brasil, Caixa Federal, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander) alcançaram
resultado de R$ 29,1 bilhões, um crescimento de 18,2% comparado ao mesmo
período do ano passado.
“Essa é a maior
rentabilidade do sistema financeiro internacional, graças principalmente
ao aumento da produtividade dos bancários. Por isso consideramos a
proposta, que não tem aumento real e desconsidera as demais
reivindicações, como uma provocação dos bancos", afirma o presidente da
Confederação Nacional dos Trabalhadores no Ramo Financeiro
(Contraf-CUT), Carlos Cordeiro, no site da entidade.
“Não
vamos fechar a campanha sem aumento real e melhorias para a saúde,
segurança e as condições de trabalho dos bancários”, afirma a presidenta
do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Juvandia
Moreira.
O Comando Nacional é formado por
representantes de federações e sindicatos, onde trabalham cerca de 95%
dos 490 mil bancários do país.
Pressão por vendas não leva em conta necessidades dos clientes
Juvandia disse, em entrevista à Rádio Brasil Atual,
que não só o baixo índice de reajuste apresentado como a ausência de
respostas para questões de emprego e condições de trabalho desapontam os
representantes da categoria nas negociações. O Comando Nacional
considera que o desempenho dos bancos permite mais contratações para
melhorar o atendimento e desafogar a sobrecarga de trabalho.
Ela
considera ainda essencial a discussão da política de metas, uma das
principais causas, segundo ela, do elevado índice de adoecimento dos
trabalhadores do ramos financeiro. "Os bancos têm metas trimestrais, ou
semestrais, a alacançar, mas o bancários é cobrado todo dia, até três
vezes por dia, sobre o andamento de suas vendas. Desesperado, ele tem de
vender o que o banco quer que ele venda, e não de acordo com as
necessidades dos clientes", critica.
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