Após jornal recorrer ao STF, presidente do TJ do Paraná desiste de censura
- Ação era para que o jornal ‘Gazeta do Povo’ não publicasse informações sobre investigações abertas contra o presidente do Tribunal de Justiça do estado, Clayton Camargo
RIO - O presidente do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR), Clayton
Camargo, desistiu da ação que provocava censura prévia ao jornal “Gazeta
do Povo” desde o dia 27 de agosto. Segundo a Associação Brasileira de
Jornalismo Investigativo (Abraji), a decisão foi anunciada por Camargo
na noite de quarta-feira e ocorreu um dia após o jornal apresentar
reclamação sobre o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O jornal “Gazeta do Povo” foi proibido de publicar informações sobre investigações abertas contra o presidente do TJ do estado.
A Gazeta informou não desistirá do processo e aguardará até decisão
final do STF, por entender que a questão atenta contra os ideais
democráticos e atinge toda a sociedade.
Em abril, o CNJ abriu
investigação para apurar se Camargo vendeu sentença judicial. O
desembargador teria recebido dinheiro de uma das partes de um processo
de guarda de filhos em 2011 e, em troca, teria beneficiado a parte com
decisão favorável. No mês passado, o CNJ abriu outro procedimento. Desta
vez, a suspeita é de que Camargo teria usado seu prestígio para
favorecer a candidatura do filho, o deputado estadual Fábio Camargo
(PTB), à vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Paraná.
A
liminar garantindo que as notícias sobre as investigações não fossem
publicadas no jornal paranaense foi concedida há um mês. Na decisão, o
juiz Benjamin Acácio de Moura e Costa afirmou que as reportagens tinham
caráter “degradante e pessoalizado”, além de serem levianas. O
descumprimento da determinação judicial ocasionaria uma multa diária
de R$ 10 mil.
Segundo a Abraji, desde que foi notificado da nova
decisão, o jornal ficou impedido inclusive de comunicar aos leitores a
existência da censura.
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