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terça-feira, 10 de setembro de 2013

A Organização dos Estados Americanos (OEA)

Violações da Prefeitura de Fortaleza e do Governo do Ceará são denunciadas à OEA
 
A Organização dos Estados Americanos (OEA) recebe nesta terça-feira, dia 10, um pedido para que apure urgentemente as violações de direitos humanos cometidas pela Prefeitura de Fortaleza e pelo Governo do Estado do Ceará contra os manifestantes que ocupam o Parque Cocó. Acampados há dois meses no local para impedir a construção de um viaduto, mulheres e homens foram agredidos por guardas municipais e policiais militares, em ações que claramente demonstram abusos do Estado contra a população. Com a solicitação, o poder público poderá ter que prestar esclarecimentos à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA.

Hoje também se completa 60 dias de ocupação do parque. Para celebrar e fortalecer a resistência, haverá atividades culturais, como performances, exibição de filmes e apresentações musicais, a partir das 18 horas. Assim como em todos os dias que passaram e nos que virão, o acampamento estará aberto a quem quer conhecer, debater e ajudar a causa.
 

Violência injustificável
Entre os diversos casos relatados à OEA está a invasão do acampamento dos manifestantes na madrugada do dia 8 de agosto, quando cerca de 120 guardas do Grupamento de Operações Especiais da Guarda Municipal de Fortaleza chegaram ao local de forma ilegal, às quatro da manhã e sem qualquer ordem judicial de desocupação. No decorrer do dia, puderam ser observadas inúmeras ações desmedidas cometidas pela Guarda Municipal e também pela Polícia Militar, com uso de armas de choque (tasers), bombas de gás, bombas de efeito moral, balas de borracha e spray de pimenta contra a população de Fortaleza, atingindo inclusive quem não participava da manifestação, fato que motivou a abertura de inquérito pela Polícia Federal para apuração do caso.
O Parque Ecológico do Cocó é a maior área verde da cidade de Fortaleza, um espaço importante de lazer e integração da população. Em julho de 2013, a Prefeitura Municipal de Fortaleza iniciou projeto de construção de um viaduto no local, que pode levar a derrubada de centenas de árvores e a danos permanentes àquele bioma - até agora, foram cortadas mais de 90 árvores.  O viaduto projetado pela Prefeitura já é alvo de uma Ação Civil Pública do Ministério Público Federal (MPF), que pede a suspensão da obra e a elaboração dos estudos prévios de impacto ambiental, como prevê a legislação brasileira, assim como de alternativas ao projeto. A prefeitura já recebeu da sociedade civil sugestões que não afetam o parque, mas não houve diálogo. Pareceres técnicos do Ibama e do MPF constataram a ilegalidade da intervenção iniciada em área equivalente a sete metros do parque do Cocó, e que a área desmatada no Parque do Cocó foi maior do que a que estava autorizada para as obras da Prefeitura, bem como movimentação de terra e aterramento ilegal de parte do manguezal.

Assinam a carta:
Justiça Global
Crítica Radical
Movimento Pró-Árvore
ADUFC (Sindicato dos Docentes das Universidades Federais do Estado do Ceará)
SINTUFC (Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais no Estado do Ceará)
União de Mulheres Cearenses
Fórum Cearense de Mulheres
RENAP (Rede Nacional de Advogados e Advogadas Populares)
Tambores de Safo
SOS Cocó
Greenpeace
Rosa da Fonseca (ex-vereadora de Fortaleza)
Maria Luiza Fontenele (ex-prefeita)
João Alfredo Telles Melo (Presidente da Comissão Municipal de Direitos Humanos de Fortaleza, vereador PSOL)


Fonte: http://www.oestadoce.com.br

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