Joaquim Barbosa sob pressão de magistrados e advogados
Associações de classe da magistratura e entidades de advogados condenaram a postura do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) na quinta-feira, durante julgamento de recursos do mensalão
Entidades de classe de magistrados publicaram ontem nota pública
condenando o tratamento dispensado pelo presidente do Supremo Tribunal
Federal, ministro Joaquim Barbosa, ao ministro Ricardo Lewandowski na
sessão do julgamento dos embargos declaratórios no processo do mensalão,
na quinta-feira, 15.
Para a Associação dos
Magistrados Brasileiros (AMB), Associação Nacional dos Magistrados da
Justiça do Trabalho (Anamatra) e a Associação dos Juízes Federais do
Brasil (Ajufe), “a insinuação de que um colega de tribunal estaria a
fazer ‘chicanas’ não é tratamento adequado a um membro da Suprema Corte
brasileira” A nota é assinada pelos presidentes da AMB, Nelson Calanda,
da Ajufe, Nino Toldo, e da Anamatra, Paulo Schmidt.
As
entidades destacam que, embora divergências sejam “naturais e
compreensíveis em um julgamento”, o tratamento entre os ministros deve
ser respeitoso. “Os magistrados precisam ter independência para decidir e
não podem ser criticados por quem, na mesma Corte, divirja do seu
entendimento”, diz a nota.
As associações dizem que atitude
como a de Barbosa na sessão pode influir negativamente no conceito que
se tem sobre o STF e afirmam esperar que “o respeito volte a orientar as
atitudes de quem tem o dever maior de julgar as grandes causas da
Nação”.
As três associações já haviam assinado, no início de
março, nota de repúdio a declarações de Barbosa de que juízes
brasileiros têm “mentalidade mais conservadora, pró status quo, pró
impunidade”. Em nota pública, disseram que “não admitem que sejam
lançadas dúvidas genéricas sobre a lisura e a integridade dos
magistrados brasileiros”.
Também em março, houve forte reação
da toga a declarações de Barbosa de que há muitos juízes a serem punidos
com expulsão e que o conluio deles com advogados é “o que há de mais
pernicioso”. Representantes de AMB, Ajufe, Ordem dos Advogados do Brasil
(OAB) e Conselho Nacional de Justiça, em entrevista coletiva, afirmaram
que as declarações de Barbosa afetam a credibilidade do Judiciário e o
Estado de Direito democrático e remetem o País ao tempo da barbárie.
No
início de agosto, a Anamatra publicou nota em resposta à afirmação de
Barbosa de que as entidades de classe da Magistratura brasileira fazem
“politicagem” ao levar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) consulta
sobre um juiz poder ou não ser gerente de titular de empresa com fins
lucrativos.
Advogados
O Instituto de
Defesa do Direito de Defesa (IDDD), entidade da advocacia, repudiou
ontem “a postura do presidente do Supremo Tribunal Federal”.
Em
nota pública, o IDDD sustenta que a atitude de Barbosa “revela seu
desprezo a argumentos diversos e à necessária contraposição de ideias em
regime democrático”.
Para o IDDD, o comportamento, “de franco
desprezo e ofensas aos que opinam de modo diverso”, deveria ser
repelida em público pelos demais ministros. (da Agência Estado)
SERVIÇO
Supremo Tribunal Federal (STF)
Telefone: (61) 3217 3000
Site: www.stf.jus.br
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