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sábado, 6 de julho de 2013

“Fui tratado como bandido”

“Fui tratado como bandido”, conta manifestante agredido por policiais em São Bernardo do Campo 

Fato foi registrado pela câmera de segurança de uma casa na rua e divulgado na internet
                

Rapaz ficou encurralado com outros manifestantes devido às bombas de gás antes de ser espancado Montagem/R7

Espancado por policiais militares durante um protesto contra o preço do transporte público, em São Bernardo do Campo, no Grande ABC, na última segunda-feira (1º), um ajudante-geral de 21 anos, que preferiu não ter o nome revelado, disse estar com medo de sair de casa após o episódio e que também não consegue trabalhar. Ele levou golpes cassetete e chutes, principalmente na cabeça. O rapaz, que afirmou ser ativista há três anos, contou ao R7 que foi tratado como um criminoso e não soube o motivo pelo qual apanhou.

— Além das dores físicas, tem o medo de sair para a rua. De saber se vou sofrer represália ou não. Eu não sou bandido. Sou trabalhador. Desde o dia da agressão, não consigo trabalhar. Eu trabalho carregando peso, carregando colchão. Comecei a carregar e senti dor e tive que parar. Eu me senti muito ofendido. Todo mundo que passava pela viatura quando fui preso me olhava, como se eu fosse um criminoso.

A agressão foi gravada por uma câmera de segurança instalada na área e foi divulgada na internet. O rapaz espancado disse que não sabe quem publicou as imagens. No vídeo, os manifestantes aparecem descendo a rua e são surpreendidos por bombas de efeito moral lançadas pelos PMs. O ajudante-geral ficou encurralado e foi atacado por três militares. A agressão durou cerca de um minuto.

— Quando sentei na beira da calçada, os policiais vieram e surgiram do nada, na fumaça. Puxaram meu sobretudo e começaram a desferir golpes na minha cabeça. [...] Não falaram nada. Só falaram depois que eu estava quase desmaiado no chão de tanto chute e cacetada na cabeça. Eles perguntaram minha idade, me revistaram e viram que eu não tinha nada. Falaram assim: “Você vai ser preso”.


O rapaz ainda afirmou que não portava qualquer arma e nem foi pego praticando atos de vandalismo. Mesmo assim, os policiais militares o levaram para uma delegacia, onde foi liberado horas depois, sem qualquer acusação. De acordo com o ativista, ele não conseguiu registrar um boletim de ocorrência contra os agressores no dia seguinte, e teria sido zombado pelos agentes.

— Eles alegaram  que não era da alçada deles, que eles não tinham obrigação de fazer isso, que isso era com a corregedoria. [...] Disseram: “A Polícia Civil não tem nada a ver com seu caso”. [...] Praticamente zombando da minha cara, duvidando da minha palavra, me botando como um vândalo. Falaram: “Então, você é santinho. Estava lá rezando, estava lá brincando”.

O ajudante-geral disse estar indignado com a violência que sofreu.

— O sentimento é de indignação, por a gente pagar nossos impostos, por eu ser trabalhador, não ter passagem pela polícia. Não devo nada à polícia e fui tratado como um bandido. Acho que nem um bandido, em uma situação dessa, tem que ser tratado assim. E eu me pergunto: ninguém dos Direitos Humanos ligou para mim, para perguntar como eu estava, se estava com dor, para perguntar o que eu passei.

Outro lado

Em nota, a Polícia Militar lamentou o caso e disse que a Corregedoria e o Comando de Policiamento da região do ABC estão investigando internamente os fatos. A PM ainda informou que ao fim do inquérito, “os policiais militares envolvidos serão processados, podendo ser demitidos da corporação, além de arcarem com as consequências penais de seus atos”.

Sobre o boletim de ocorrência não ter sido registrado, o R7 procurou o delegado titular do 1º Distrito Policial de SBC, mas o policial não havia sido localizado até a publicação desta reportagem.

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