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quarta-feira, 3 de julho de 2013

CCJ aprova fim do voto secreto no Congresso

CCJ aprova fim do voto secreto no Congresso

Texto elimina da Constituição Federal todas as hipóteses de votação secreta previstas pela legislação

 

                     

Em meio a protestos em todo o país contra a atuação do Congresso Nacional, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprovou nesta quarta-feira (3) proposta de emenda à Constituição que acaba com o voto secreto no Congresso. O texto elimina daConstituição Federal todas as hipóteses de votação secreta previstas pela legislação, como nas cassações de mandatos de parlamentares, vetos presidenciais e indicações de autoridades pelo Poder Executivo.
Se a nova proposta, mais abrangente, for aprovada pelo plenário do Senado, ela segue para análise dos deputados Foto: Agência Senado
O Senado aprovou outra proposta, no ano passado, que acaba com o voto secreto apenas para as cassações de mandato. O texto tramita na Câmara, que prometeu aprová-lo na "agenda positiva" deflagrada pelo Legislativo em resposta às manifestações populares. Se a nova proposta, mais abrangente, for aprovada pelo plenário do Senado, ela segue para análise dos deputados --que terão que decidir qual das duas será colocada em votação.
A Constituição prevê o voto secreto nas comissões e nos plenários do Congresso para indicações de autoridades e chefes de missões diplomáticas feitas pelo presidente da República, sejam elas de magistrados, ministros de tribunais superiores, diretores do Banco Central e procurador-geral da República, entre outros.
A legislação também estabelece votação secreta na análise de vetos do presidente da República. A justificativa na época da aprovação da Constituição era que, no voto secreto, os deputados e senadores ficariam imunes de pressões do Executivo sobre suas atividades.
Também está previsto pela Constituição voto secreto para exoneração do procurador-geral da República, antes do término de seu mandato, e nos processos de perda de mandato de deputados ou senadores por quebra de decoro parlamentar --ou nos casos em que sofrerem condenação criminal definitiva. Relator da proposta, o senador Sérgio Souza (PMDB-PR) disse que as mudanças na realidade brasileira permitem ao Congresso realizar votações abertas sem que os congressistas sofram pressões externas.
"Diante da presença maior e mais expressiva da cidadania no acompanhamento das atividades do Congresso Nacional, podemos entender e afirmar que todas as pressões que atuam contrariamente à independência e à autonomia do parlamentar na formação de sua vontade podem ser compensadas pela vigilância dos cidadãos", disse o relator.
Autor da proposta argumenta que fim do voto secreto é mais que um "clamor popular"
Autor da proposta, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse que o fim do voto secreto é mais que um "clamor popular", mas um "apelo moral e ético" do Congresso. "O parlamentar assume um mandato por fruto dos votos que recebeu e que o legitima a representar a vontade do cidadão que a ele confiou o voto. Nada mais justo que este cidadão possa fiscalizar suas ações e posturas através do voto aberto", disse o petista.
Segundo Paim, o julgamento da atuação dos deputados e senadores feito diariamente pela opinião pública é que vão determinar a sua permanência na vida pública. "Essa relação é legítima porque a conduta ilibada e responsável é pré-requisito da vida parlamentar", completou

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