Impostometro

sábado, 28 de março de 2015

O que deu errado com a Primavera Árabe?

O que deu errado com a Primavera Árabe?

 O que deu errado com a Primavera Árabe?

Movimentos foram esmagados por onda autoritária e extremismo; experiência de 1848 pode ajudar a entender o porquê.
Há exatos quatro anos, o mundo tremia com os acontecimentos que vinham do Oriente Médio e do Norte da África.
Em um movimento que não havia sido previsto por nenhum analista político, a população egípcia tomou as ruas do Cairo e, após pouco mais de duas semanas de protestos e de ocupação da Praça Tahrir, finalmente conseguiu tirar do poder o presidente Hosni Mubarak, que governara o Egito com mão de ferro por quase três décadas.
A inesperada queda de Mubarak – no dia 11 de fevereiro de 2011 – era o ápice de uma onda que tivera início no mês anterior, na Tunísia. Na capital Túnis, a auto-imolação do jovem camelô Tarek Mohamed Bouazizi serviu como faísca para uma série de manifestações populares que resultaram na renúncia do ditador Ben Ali em janeiro de 2011, após mais de vinte anos no poder.
Como um tsunami, protestos começaram a se espalhar pelo mundo árabe. Na Líbia, demonstrações iniciadas em fevereiro de 2011 levaram a uma guerra civil que resultaria na morte de Muammar Kaddafi, em agosto. No Iêmen, Abdullah Saleh foi deposto após 33 anos no poder. Na Síria, rebeldes chegaram a ameaçar o poder do ditador Bashar al-Assad, em uma guerra que ainda está por ser finalizada.
A inesperada série de deposições de regimes autoritários que dominavam o mundo árabe há tantos anos foi comemorada por políticos e analistas ocidentais, vista como o início de uma onda de democratização no Oriente Médio.
Para alguns, o fato dos protestos terem sido organizados por jovens utilizando como ferramentas as redes sociais e a internet significava o início de uma nova era, em que movimentos sociais horizontais e desvinculados de partidos iriam transformar o mundo.
Cenário desolador
Quatro anos depois, no entanto, o cenário não poderia ser mais desolador.
Enquanto a guerra civil na Síria já deixou mais de 210 mil mortos, partes do país e do Iraque hoje são dominadas por militantes do autointitulado Estado Islâmico, que vêm chocando o mundo pela forma bárbara como tratam prisioneiros, mulheres e crianças de minorias étnicas e religiosas.
No Egito, a situação também não é animadora. Após um golpe de Estado que depôs o presidente Mohammed Morsi, eleito em 2012, o novo presidente egípcio Abdul Fattah al-Sisi vem jogando opositores do regime nas cadeias, em uma escalada autoritária alarmante.
Já a Líbia pós-Kaddaffi tornou-se um Estado praticamente sem governo, onde líderes tribais, milícias e grupos extremistas disputam hegemonia.
A única exceção é a Tunísia, mais estável e onde eleições livres no final de 2014 deram vitória a um partido secular com membros que, no entanto, têm ligações com o regime de Ben Ali.
Diante deste cenário, surge a pergunta óbvia: Como toda aquela esperança trazida pelas ondas de protestos se desvaneceu dessa forma, poucos anos depois de seu início?
Como movimentos populares espontâneos que foram capazes de derrubar poderosos ditadores falharam em trazer mais avanços, abrindo espaço para extremistas e líderes autoritários?
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Manifestação na cidade de Bayda, na Líbia, em 22 de junho de 2011.
( Creative Commons / Wikimedia Commons)
Paralelos históricos
Tentar explicar com tão pouco distanciamento histórico o porquê do fracasso da Primavera Árabe é um desafio hercúleo. Até porque, com tantos países e contextos envolvidos, certamente estamos diante de um fenômeno multicausal, em que inúmeras variáveis contribuem para os resultados que observamos.
Mas uma pista importante para entender o que aconteceu pode ter sido dada pelo historiador britânico Eric Hobsbawm, morto em 2012. Em uma entrevista concedida à BBC no final de 2011, o historiador marxista foi enfático sobre o que pensava sobre a Primavera Árabe:
“Isto me lembra 1848 – outra revolução auto-impulsionada que começou em um país e se espalhou rapidamente pelo continente”, disse Hobsbawm.
De fato, os paralelos entre a

AIDS

Porque o mundo está perdendo a luta contra a AIDS

Estado Islâmico

A construção do Estado Islâmico como ameaça global

Militantes voluntários xiitas que apoiam o governo do Iraque no combate ao ISIS no vilarejo de Fadhiliyah. Imagem: Ahmad Al-Rubaye / AFP Militantes voluntários xiitas que apoiam o governo do Iraque no combate ao ISIS no vilarejo de Fadhiliyah. Imagem: Ahmad Al-Rubaye / AFP

Porque uma coalizão de cerca de 60 países está determinada a destruir o grupo jihadista
Em 17 de fevereiro, a Casa Branca abriu a Cúpula de Enfrentamento ao Extremismo Violento (Summit on Countering Violent Extremism, em inglês), com a presença de autoridades dos EUA, líderes estrangeiros, oficiais da ONU e outros participantes das sociedades civil e privada. O evento visava buscar formas de prevenir a radicalização de “extremistas violentos e seus aliados” e evitar que outros indivíduos ou grupos cometam “atos de violência”. Embora as discussões tenham envolvido diferentes atores terroristas, havia uma grande preocupação sobre o Estado Islâmico no Iraque e na Síria (ISIS, na sigla em inglês), também conhecido como Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL).
O espectro global do encontro indica que o ISIS se tonou um problema internacional. Essa posição foi reforçada no evento em dois momentos pelo presidente dos EUA, Barack Obama. O Democrata afirmou que a luta contra o terrorismo é um “desafio para o mundo” e que o esforço global para deter o Estado Islâmico não iria “abrandar” a missão de “degradar e destruir” o grupo. Esse esforço global é uma coalizão de cerca de 60 países criada em 2014, envolvendo Alemanha, Egito, EUA, França, Itália, Jordânia, Líbano e Reino Unido. A ação inclui esforço militar, fornecimento de armas, equipamentos e treinamento de “aliados”, além de impedir o fluxo de combatentes estrangeiros para o Iraque e Síria.
O ISIS surgiu do braço iraquiano da

Greve dos Professores

Política

Greve dos Professores

Professores param SP e Alckmin reconhece greve

Após marcha de 60 mil pessoas, segundo a Apeoesp, secretário de Educação pediu encontro
por Wanderley Preite Sobrinho

Ana Chiavegatti/CartaCapital
Manifestação, greve dos professores
Embora tenha parado o centro expandido, PM estimou 10 mil pessoas. Grevistas falam em 60 mil


Depois de levar 30 mil pessoas para as ruas na semana passada, os professores grevistas do ensino público do estado de São Paulo pararam o centro expandido da capital nesta sexta-feira 27 com 60 mil grevistas, segundo o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp).  A Policia Militar estima 10 mil pessoas.
Os professores pedem um aumento de 75,33%, percentual necessário para equiparar a margem salarial da categoria com a de outras profissões com nível superior e mesma jornada de 20 horas semanais.
A concentração para o ato iniciou-se às 13h no vão do Masp, na avenida Paulista. Uma assembleia decidiria se a greve acabaria naquela tarde ou prosseguiria até a próxima semana. Em pouco tempo, os arredores do museu estavam tomados.
Por volta das 15h, a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Noronha, subiu em um carro de som, tomou o microfone e abriu a decisão para os grevistas, que preferiram estender a paralisação até a próxima quinta-feira 2, quando uma nova assembleia decidirá os rumos da greve na praça da República, onde fica a sede da

Luiza Erundina (PSB)

Entrevista – Luiza Erundina (PSB)

“A reforma política só traria remendos a um tecido esgarçado”

Para a deputada, é o modelo de representação política que está em xeque. Ela aposta na criação do Raiz, novo partido de organização horizontal, inspirado no espanhol Podemos e no grego Syriza
por Rodrigo Martins

Gustavo Lima/Agência Câmara
Luiza Erundina
"Há um esgotamento dos modelos de Estado, democracia e representação política", avalia a deputada Luiza Erundina


Grande esperança da esquerda por décadas, o PT divorciou-se das suas bases populares e frustrou as expectativas de quem apostava numa transformação da política brasileira. Seu modelo de governabilidade, amparado na aliança com setores conservadores e na barganha política, está exaurido, o que explica a crescente insatisfação popular com governo Dilma Rousseff.
O diagnóstico é da deputada federal Luiza Erundina, que ajudou a fundar o PT, foi prefeita da capital paulista pela legenda e desde 1998 está abrigada no PSB. Aparentemente, não por muito tempo. A parlamentar está empenhada na construção de um novo partido: o Raiz Movimento Cidadanista, inspirado no Podemos, da Espanha, e no grego Syriza. Na entrevista a seguir, Erundina faz uma avaliação da conjuntura política e apresenta o norte do movimento que ajuda a construir. Uma organização horizontal, sem lideranças ou caciques partidários, norteado por princípios como o ecossocialismo. “Acredito nisso. E não estou mais com idade para me enganar e viver uma fantasia”, assegura, com brilho no olhar.

CartaCapital: Como entender a crise vivenciada pelo PT?Luiza Erundina: É um ciclo histórico esgotado. O Partido dos Trabalhadores surgiu com uma base social popular, dos sindicatos, do chão das fábricas, das periferias dos grandes centros urbanos, da luta no campo pela reforma agrária. Foi um momento áureo na história do Brasil, quando as camadas populares passaram a exercer protagonismo na política. Esses grupos viam no PT, além dos demais partidos de esquerda tradicionais, a possibilidade de participar da política institucional. O PT representava, à época, uma esquerda renovada. Um partido que surgiu de baixo para cima, e começou a eleger seus primeiros vereadores, prefeitos, deputados e senadores. Mas esse ciclo se esgota quando o PT chega ao poder, muito cedo, se vermos a história dos partidos políticos no Brasil. Com a eleição de Lula, o PT deixou de lado a luta concreta do povo, dos movimentos sociais, a luta sindical e pelos direitos humanos. Aquelas lideranças populares deslocaram a sua militância da base para as estruturas de governo, para os gabinetes.
CC: Houve uma excessiva burocratização da atividade político-partidária.LE: Exatamente. O PT deixou de ser um partido de massas, dedicado à formação política das classes populares, dos trabalhadores, dos sindicatos, das periferias. O foco da militância se deslocou. Eles saíram do chão da fábrica, das periferias, dos movimentos sociais e campesinos. Eles entraram para os

quarta-feira, 25 de março de 2015

Operação Fidúcia

Operação Fidúcia 

Confira a lista com os nomes dos empresários e funcionários da Caixa presos por rombo milionário

O valor pode chegar a R$ 100 milhões, segundo a PF, que já cumpriu 56 mandados: 17 de prisão, 14 de condução coercitiva e 25 de busca e apreensão 


A Polícia Federal prendeu na última terça- feira, 24, um grupo formado por empresários, alguns funcionárioas da Caixa Econômica Federal e “laranjas”, que teriam provocado um prejuízo de pelo menos R$ 20 milhões ao banco, por meio de fraudes em contratos de financiamento.
Segundo os responsáveis pela Operação Fidúcia, o valor pode chegar a R$ 100 milhões.
A PF cumpriu 56 mandados expedidos pela 32ª Vara da Justiça Federal, sendo cinco mandados de prisão preventiva, 12 mandados de prisão temporária e 14 de condução coercitiva, para prestar depoimento.

Confira a lista com os nomes dos funcionários


Prisões preventivas:
Ricardo Alves Carneiro: empresário apontado como um dos

Executivo e Judiciário fecham acordo para combater corrupção e impunidade

Executivo e Judiciário fecham acordo para combater corrupção e impunidade


Agência Brasil
Sem a participação de representantes do Legislativo, autoridades do Executivo, Judiciário, Ministério Público e da sociedade civil assinaram hoje (25) um acordo de cooperação para fortalecer o combate à corrupção e à impunidade. Entre as medidas está a criação de um grupo técnico para discutir e apresentar propostas para tornar mais ágil a tramitação de processos judiciais e administrativos relacionados à prática de atos ilícitos contra o patrimônio público.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, minimizou a ausência de representantes da Câmara e do Senado, e ressaltou que os parlamentares terão a responsabilidade de dar a “palavra final” sobre as propostas. “Vamos fazer um grupo técnico para formar propostas para mandar para o Legislativo. Eventualmente, na hora que se tiver maior consenso, vamos chamar o Legislativo para fazer o Terceiro Pacto Republicano. Já foram feitos dois pactos, que são projetos de lei acordados entre os poderes para ter tramitação com maior agilidade. Quem dará a palavra final é, obviamente, o Legislativo”, argumentou ele.
Para o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ricardo Lewandowisk, além da união de forças entres as instituições do Estado, o combate à corrupção deve envolver toda a sociedade. “Vamos avançar, propondo medidas na áreas jurisdicional, legislativa, administrativa, mas isso só não basta. O combate à corrupção não deve envolver apenas o agente do Estado, mas toda a sociedade, porque é um problema de natureza cultural no Brasil”, disse ele.
Autoridades assinam acordo de cooperação para fortalecer combate à corrupção
Autoridades assinam acordo de cooperação para fortalecer combate à corrupção
Durante a assinatura do acordo de cooperação, no Supremo, Lewandowisk anunciou parceria com os Estúdios Maurício de Souza, do criador da Turma da Mônica, para produção de histórias em quadrinhos com a temática do combate à corrupção e de defesa da ética.
“O STF já estava desenvolvendo um projeto para levar essa mensagem para as crianças, para que desde pequenas elas possam imbuir-se da necessidade de agir com ética”, destacou Lewandovisk. Emocionado, Mauricio de Souza ressaltou ser importante lembrar dos ensinamentos dos pais.
“Acho que podemos usar os personagens para