Sociedade
Opinião
A naturalização do mal que semeia o fascismo
Apoio a execuções policiais e hostilidade em enterro de petista são sinais do perigoso caldo de maldade que vivemos
por Pedro Estevam Serrano Alex de Jesus / O Tempo / Folhapress
Panfletos contra o PT e o governo distribuídos no velório do ex-presidente da Petrobras e do PT José Eduardo Dutra
Dois fatos ocorridos nesta semana expuseram com uma clareza assustadora a forma como parte significativa da sociedade brasileira naturaliza a prática de maldades extremas. A divulgação de uma pesquisa do Datafolha dando conta de que 50% dos entrevistados concordam com a afirmação de que "bandido bom é bandido morto" e a distribuição de panfletos com pregação de ódio no velório do petista José Eduardo Dutra são expressões de uma boçalidade social perigosa e da banalidade do mal, tão bem descrita por Hannah Arendt.
Como se sabe, a filósofa alemã cunhou a expressão “banalidade do mal” após ser convidada pela revista New Yorker para fazer a cobertura do julgamento de Adolf Eichmann, coronel da SS responsável pelos campos de concentração nazistas.
Os artigos dela sobre este caso apresentaram uma visão absolutamente criativa e singular não só do processo, mas daquilo que ela viu como a causa maior da violência extrema praticada pelo regime de Hitler: o mal não é um fenômeno radical, complexo e profundo; ao contrário, é sempre superficial, banal. É extremo, como no

