Internacional
Vaticano
Francisco, o radical
O papa confirma sua opção pelos pobres e sua estatura de estadista ao reunir em Roma os movimentos populares
por Claudio Bernabucci
Poucos dias depois do tempestuoso epílogo do
Sínodo sobre a família, se alguém considerasse incerta a rota com que o
papa Francisco dirige o navio da Igreja, teria rapidamente de mudar de
opinião. Com firmeza absoluta, própria de um monarca, Bergoglio
defenestrou um dos principais opositores, o cardeal estadunidense
Raymond Burke, do cargo de prefeito do Tribunal Supremo, o máximo órgão
jurisdicional da Santa Sé. Depois de ter criticado Francisco pelas
posições expressas contra os excessos do capitalismo e de se posicionar
como tradicionalista em todas as questões controvertidas do recente
Sínodo, Burke teve a ousadia, dias atrás, de declarar que a Igreja era
“um barco sem leme”. Foi assim que o timoneiro jesuíta, para demonstrar o
contrário, considerou conveniente para o cardeal o repousante novo
encargo de Patrono da Ordem de Malta, ilha do Mediterrâneo onde nasceu a
rosa dos ventos, a fim de permitir-lhe tempo suficiente para uma
reflexão mais ponderada sobre assuntos de navegação.
Nos mesmos dias, beneficiando-se